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Migração do crédito para equity marca nova fase do setor imobiliário nos EUA

A perda de força nos retornos dos títulos de dívida privada forçou uma readequação nas estratégias de investimento – o que acelerou a transição de capital para a compra direta de empreendimentos nos Estados Unidos. “Mudamos totalmente para equity e estamos muito entusiasmados com o que está por vir nesse mundo”, disse o presidente e cofundador da Drake Real Estate Partners, Nicolas Ibanez.

A atratividade do mercado de crédito diminuiu após um período prolongado de elevadas taxas de retorno para os credores, segundo Ibanez. O executivo explicou, durante o podcast Stock Pickers, apresentado por Lucas Collazo, que a abundância de liquidez reduziu os prêmios pagos nas emissões de dívida, sinalizando que a janela ideal para alocações no segmento de renda fixa ficou para trás.

O gestor pontua que a migração de tática é amparada no objetivo da empresa de assumir o controle operacional dos prédios para promover reformas e otimizações ao longo do tempo.

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A rentabilidade do portfólio depende da capacidade da equipe de transformar fisicamente as propriedades. “Gostamos de reposicionar ativos. Gostamos de ser donos, de ter o controle, de aprimorá-los ao longo de vários anos e de operá-los melhor”, disse.

A escassez geral de liquidez na captação de recursos para compra de participações também beneficia empresas capitalizadas. O cenário de retração na captação geral dos fundos abriu espaço para aquisições em condições altamente vantajosas para quem dispõe de caixa.

Oportunidades em nichos e no médio porte

Para evitar a concorrência direta com os grandes fundos imobiliários, conhecidos como REITs (Real Estate Investment Trusts), a gestora de Ibanez focou em buscar por oportunidades para segmentos específicos fora do circuito tradicional.

De acordo com o executivo, os grandes players institucionais disputam um número restrito de transações gigantescas ou se concentram na interseção entre o setor predial e a infraestrutura de data centers.

Por outro lado, ele pontua que a imensa maioria da atividade transacional norte-americana está pulverizada em acordos financeiros de menor porte.

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O segmento de médio porte, por exemplo, concentra o maior volume do mercado sem a presença ostensiva dos grandes fundos. “Pouco mais de 90% do volume total de transações nos Estados Unidos é focado em ativos que têm tamanho inferior a US$ 80 milhões”, afirmou.

Para encontrar e gerir esses imóveis de médio porte espalhados pelo país, a gestora depende de uma rede de parceiros locais, formada por operadores imobiliários regionais construída ao longo de 15 anos. Segundo Nicolas Ibanez, a tese baseia-se no alinhamento com esses grupos “hiperlocais”, aos quais ele se refere como “atiradores de elite”.

Esses parceiros dominam o comportamento dos consumidores em mercados em expansão, como a região de Raleigh, na Carolina do Norte. As equipes locais identificam com precisão as preferências dos inquilinos em prédios residenciais multifamília, desde a escolha do acabamento das bancadas até a instalação de lavadoras e secadoras nas unidades.

Para garantir o alinhamento de interesses e a exclusividade dos acordos, a gestora exige a aplicação de capital próprio por parte desses operadores. O modelo de negócios prevê o compromisso financeiro direto de quem toca o projeto na ponta.

“Eles colocam uma participação minoritária, mas uma minoria substancial, digamos de 10% a 20% do equity necessário”, concluiu Ibanez.

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Como uma Atriz Argentina Fez os Preços Subirem em um Bairro Nobre de Buenos Aires

Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.

Durante anos, Parque Leloir foi sinônimo de casas grandes, terrenos amplos, árvores e privacidade. Um refúgio verde no Oeste da Grande Buenos Aires, escolhido por quem buscava se afastar do ritmo da cidade sem abrir mão de uma conexão rápida com a capital federal.

Mas esse cenário mudou. E, nos últimos cinco anos, o processo se acelerou. A avenida Martín Fierro, que atravessa o bairro, tornou-se o eixo de uma transformação que reúne empreendimentos residenciais, escritórios, gastronomia, serviços e marcas que, até pouco tempo atrás, não estavam presentes na região.

O resultado é um novo perfil: não apenas um destino residencial, mas um polo de consumo e serviços que busca se consolidar como uma centralidade própria do Oeste.

Essa transformação, somada à recente exposição na mídia, impulsionada pela nova série sobre Moria Casán e pela morte do Indio Solari, voltou a colocar Leloir no radar de investidores e compradores finais.

O complexo Thays mudou o perfil do bairro
ThaysO complexo Thays mudou o perfil do bairro

“Parque Leloir é uma região que vem passando por uma transformação muito importante há muitos anos, mas, particularmente nos últimos três a cinco anos, esse processo se acelerou exponencialmente”, explica Valentino Ragolia, fundador e diretor da Valentino Ragolia Bienes Raíces, com forte presença na região.

Quanto custa uma casa em Parque Leloir

A mudança também se reflete nos preços. Atualmente, segundo dados do Zonaprop, há mais de 500 casas residenciais à venda na região.

Os valores partem de aproximadamente US$ 220 mil (cerca de R$ 1,11 milhão), embora os imóveis de maior padrão possam superar US$ 1 milhão (cerca de R$ 5,1 milhões). A localização, o tamanho do terreno, a qualidade construtiva e as características de cada residência geram uma diferença significativa nos preços.

“Há muito interesse, mas também um comprador muito mais informado e seletivo. Isso não significa que qualquer imóvel, apenas por estar no local, seja vendido por qualquer preço”, explica Ragolia.

Segundo o especialista, os imóveis mais bem localizados, em bons terrenos, com qualidade construtiva e preços razoáveis são os que concentram maior movimentação.

Os novos empreendimentos ganham protagonismo em Parque Leloir
Valentino Ragolia Bienes RaícesOs novos empreendimentos ganham protagonismo em Parque Leloir

O mercado de apartamentos novos também começou a desempenhar um papel cada vez mais relevante. Nos empreendimentos de maior padrão, os preços das unidades vendidas na planta ficam em torno de US$ 2,7 mil a US$ 3,2 mil por metro quadrado (aproximadamente R$ 13,9 mil a R$ 16,5 mil por metro quadrado), embora também existam projetos com preços entre US$ 2,4 mil e US$ 2,5 mil por metro quadrado (cerca de R$ 12,4 mil a R$ 12,9 mil por metro quadrado).

“Os melhores projetos estão tentando vender perto de US$ 3 mil o metro quadrado (aproximadamente R$ 15,5 mil por metro quadrado)”, afirma Ragolia. São valores que aproximam os empreendimentos premium de Parque Leloir de referências mais comuns em regiões de alto padrão da capital federal, como Palermo e Belgrano.

A transformação da principal avenida

Um dos motores dessa transformação foi a chegada de novos estabelecimentos gastronômicos e comerciais, que modificaram o perfil da região.

A chegada de marcas que historicamente se concentravam na capital federal ou na Zona Norte ajudou a transformar Parque Leloir em um novo polo de consumo e lazer do Oeste. Hoje, restaurantes e redes como Kansas, Negroni, Le Pain Quotidien, McDonald’s, Sushi Club e Mostaza dividem espaço na região, além de sorveterias como Lucciano’s e Tiprendo.

“O mais interessante é que o local preserva o caráter histórico de uma região arborizada, mas hoje conta com um polo comercial muito pujante, com escritórios e marcas de primeira linha”, afirma Esteban Edelstein Pernice, da Castex Inmobiliaria.

Parque Leloir se destaca por sua ampla área verde
Valentino Ragolia Bienes RaícesParque Leloir se destaca por sua ampla área verde

A transformação, além disso, não se limita aos estabelecimentos gastronômicos. Um dos projetos que modificaram o perfil da Martín Fierro é o Paseo Thays, da Romay Desarrollos Inmobiliarios. O empreendimento de uso misto foi lançado em 2018, com investimento superior a US$ 70 milhões (aproximadamente R$ 361 milhões).

O complexo foi desenvolvido em um terreno de 2,5 hectares (25 mil metros quadrados), com mais de 200 árvores e áreas destinadas à circulação de pedestres. Atualmente, conta com dois módulos de escritórios Triple A, que reúnem 79 unidades, todas vendidas, além de um estacionamento com mais de 370 vagas e uma importante área comercial.

Escala: 80 lojas e 60 escritórios

A próxima etapa dessa transformação tem um de seus principais projetos no Escala Leloir. O empreendimento, atualmente em construção, prevê 80 lojas comerciais e 60 escritórios, além de um supermercado da rede Jumbo, opções gastronômicas, serviços de saúde e beleza e um espaço destinado à prática de atividades físicas. O projeto também terá 190 vagas de estacionamento de uso gratuito e outras 260 de uso privado.

A dimensão do projeto mostra a mudança de escala pela qual Parque Leloir está passando. Já não se trata apenas de adicionar restaurantes ou lojas ao longo da Martín Fierro, mas de criar novos espaços de consumo e serviços para a região e seus arredores.

Para Ragolia, esse processo está mudando até mesmo o motivo pelo qual os compradores escolhem Leloir. “O local sempre teve um diferencial muito claro, que era viver em um ambiente verde, com terrenos grandes, muita privacidade e tranquilidade, mas estando muito perto da cidade de Buenos Aires”, explica. Agora, esse atrativo convive com outra vantagem: “ter cada vez mais serviços sem precisar sair do bairro”, acrescenta.

Efeito Moria Casán

A exposição de Parque Leloir também tem um componente midiático. A região voltou ao centro das atenções por causa da série sobre Moria Casán e da relação histórica de diferentes figuras públicas com o local, como o Indio Solari.

A atriz Moria Casán
NetflixA atriz Moria Casán

Para o mercado, essa visibilidade pode gerar consultas e despertar o interesse de pessoas que, até então, não tinham Leloir entre suas alternativas. Mas isso não é suficiente para explicar a movimentação imobiliária.

“Uma série ou uma figura dessa magnitude pode despertar a curiosidade de muitas pessoas que talvez não tivessem Leloir no radar. Mas não acredito que alguém tome uma decisão patrimonial desse nível simplesmente porque uma celebridade mora ali”, afirma Ragolia.

O verdadeiro efeito, explica, aparece quando essa exposição leva novos compradores a conhecer uma região que já estava passando por mudanças. “O comprador chega por curiosidade, mas encontra uma transformação urbana e comercial que já estava em andamento”, descreve.

O cenário projetado pelos incorporadores para os próximos anos é ainda mais ambicioso. Novos projetos residenciais e comerciais podem aprofundar a transformação e aumentar o número de pessoas que circulam diariamente pela Martín Fierro. “Se os projetos previstos realmente forem concretizados, acredito que os próximos cinco anos podem ser ainda mais importantes do que os anteriores”, antecipa Ragolia.

Parque Leloir visto de um drone
Valentino Ragolia Bienes RaícesParque Leloir visto de um drone

O desafio será absorver essa nova escala sem perder justamente aquilo que tornou o local atraente durante décadas: as árvores, os terrenos amplos e a baixa densidade.

Matéria publicada originalmente em Forbes Argentina

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A Classe Média Está Morando Mais de Aluguel — e Isso Tem Movimentado Bilhões em FIIs e Private Equity

Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.

Embora o percentual de brasileiros que moram de aluguel tenha subido ao longo dos últimos anos, a indústria de fundos ainda tem pouca participação — tanto os ativos listados, os fundos imobiliários (FIIs), quanto os fundos de private equity. Entre os dois tipos, o segundo acaba tendo uma participação maior, com ciclos de incorporação mais longos e uma estratégia eventualmente focada em ganho de capital. Especialistas indicam que a concentração (especialmente de FIIs) no setor deve seguir baixa, mas movimentos recentes movimentam bilhões e acenam para uma participação maior.

Em solo americano, os fundos imobiliários (lá chamados de REITs) são proprietários de mais de US$ 4,5 trilhões (R$ 23,3 trilhões) em imóveis brutos. Desse volume, uma fatia fica com apartamentos, casas unifamiliares e moradias estudantis. Somente a terceira classe reúne uma transação de US$ 910 milhões da Scion Group neste ano e uma aposta de US$ 1,2 bilhão da Warburg Pincus na Ásia.

Como os REITs residenciais representam cerca de 14% a 15% dos Equity REITs nos Estados Unidos, estima-se que o mercado de REITs de imóveis residenciais fique entre US$ 650 bilhões e US$ 700 bilhões. É mais do que quinze vezes o mercado de FIIs brasileiro inteiro — que por sua vez é concentrado em fundos de papel (crédito), galpões logísticos, shoppings, lajes corporativas e outros segmentos.

“Quando olhamos para fora, os REITs residenciais são muito grandes, são operadores de compra e venda. Aqui no Brasil, para FIIs de renda, é um mercado bem pequeno, um dos menores do segmento. Temos uma baixíssima liquidez, fundos pequenos. Isso tem uma razão, porque são fundos com yield menor, a atratividade fica mais restrita quando se tem juros a 14% e esses fundos pagando 9% ou 9,5%. O segmento residencial é um dos mais descontados do IFIX”, diz Anita Scal, Diretora de Investimentos Imobiliários da Rio Brav.

Os fundos de private equity, por sua vez, apresentam números mais polpudos no mercado brasileiro, embora também em proporções múltiplas vezes menores do que o mercado americano.

O GTIS Partners atua com imóveis globalmente, somando US$ 5,1 bilhões em ativos sob gestão (AuM, na sigla em inglês), que contemplam imóveis industriais, hotéis, e uma série de unidades residenciais. É a GTIS a responsável pela nova sede do Santander, por exemplo.

Aqui no Brasil, em cerca de duas décadas, a firma de private equity desenvolveu algo em torno de 15 mil unidades residenciais em cerca de 30 projetos.

Maristella Val Diniz, Sócia e Head de Relações com Investidores da GTIS Partners, comenta que projetos residenciais que nascem voltados para o aluguel, especialmente média e alta renda, tendem a ganhar mais espaço, dado o cenário macroeconômico atual.

Na avaliação da executiva, os extremos da pirâmide social se mantêm resilientes no mercado de compra de imóveis, mas por motivos diferentes.

“Pela condição que temos, por conta da taxa de juros, quem está mal atendido, porque tá desencaixado na renda versus a prestação, é o público de classe média. O Minha Casa Minha Vida e o HIS, HMP, se tem juros subsidiados. É uma produção que, na cidade de São Paulo, é o que está se vendendo, e o cliente está encaixado”, diz a sócia do GTIS.

“O público de classe média está sofrendo bastante, está tendo que optar por aluguel, por compra de usado, porque para produzir hoje para esse público, com os juros que ele precisa pagar no financiamento, a renda está desencaixada”, completa.

Com esse cenário, a produção de imóveis voltada a essa faixa de renda “está baixa há alguns anos”. Uma retomada do mercado só ocorreria com um ciclo econômico que possibilitasse juros mais baixos, parte por conta da solução dos problemas fiscais.

Recorde de brasileiros no aluguel

Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) do IBGE, divulgados entre 2025 e 2026, indicam que o mercado de aluguel no Brasil atingiu proporções recordes em sua série histórica.

De 2016 para 2025, o número de domicílios alugados saltou 54%, saindo de 12,2 milhões para 18,9 milhões.

A casa própria ainda é a principal forma de moradia, em cerca de 60%, mas apresentou uma retração de seis pontos percentuais na janela analisada pelo IBGE.

Estimativas setoriais da Mordor Intelligence apontam que o mercado imobiliário residencial do Brasil como um todo (que abrange o valor de vendas e os contratos formais de locação no país) foi avaliado em US$ 106,9 bilhões no ano de 2026, cifra que representa R$ 560 bilhões no câmbio atual.

De olho nesse panorama, a Kinea movimenta bilhões neste ano, em uma transação que une um FII e uma firma de private equity.

O titã residencial de R$ 1,9 bilhão da Kinea

A Kinea está montando um fundo imobiliário em parceria com a Brookfield chamado de Kinea Plataforma Resdencial (KNPL11). O fundo terá R$ 1,9 bilhão em cotas sêniores, e R$ 800 milhões em cotas subordinadas.

O recorte contempla boa parte dos imóveis da Brookfield que serão entregues até o fim do primeiro semestre de 2027.

O fundo, que será fechado para investidores qualificados e com lock-up, está em uma oferta que dura até novembro.

No total, são 22 projetos comprados inteiros, que contemplam 4,5 mil unidades residenciais. Desse total, 15 projetos já estão operando com 93% de ocupação, 4 estão em início de operação, e outros 3 estão em desenvolvimento, com entregas previstas para até a metade de 2027.

Dos mais de 20 projetos, 70% estão em São Paulo, e o restante fica espalhado entre Rio de Janeiro, Porto Alegre, Campinas e Contagem.

A rentabilidade esperada é de IPCA+8,75%, que pode subir para IPCA+9,75% a depender da velocidade de vendas.

A visão da casa é de que o mercado de locação residencial segue relativamente desorganizado no Brasil, o que abre margem para entrada de novos players especializados. Nesse sentido, a Brookfield seguirá cogerindo os imóveis em conjunto com a Kinea.

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O luxo cria sua própria dinâmica no mercado imobiliário de São Paulo

alta renda ajudou o mercado imobiliário paulistano a criar uma dinâmica própria no primeiro semestre. Enquanto a valorização de grande parte dos imóveis prontos ficou abaixo da inflação, compradores seguiram concentrando recursos em ativos de maior valor, impulsionando o segmento de alto padrão.

As descobertas vêm de um levantamento da proptech Pilar, elaborado com base em 342 mil guias de Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis (ITBI) pagas em São Paulo entre janeiro de 2025 e junho de 2026.

O valor transacionado no mercado de imóveis prontos na capital avançou 4,1% no primeiro semestre de 2026 em relação ao mesmo período de 2025, abaixo da inflação acumulada de 4,64%. A exceção foi o segmento de alto padrão. As vendas de residências prontas com valor acima de R$ 3 milhões somaram R$ 7,78 bilhões no primeiro semestre, alta de 10,3% em relação ao mesmo período do ano passado.

“Descontada a inflação, o avanço real foi de 5,6%, contra recuo de 0,5% no conjunto do mercado de imóveis prontos”, diz o estudo.

No primeiro semestre, o mercado residencial movimentou R$ 48,4 bilhões na capital paulista. Desse total, R$ 32,3 bilhões vieram de imóveis prontos e R$ 7,78 bilhões de residências acima de R$ 3 milhões, valor 10,3% superior ao registrado um ano antes.

Olhando para as unidades negociadas, São Paulo registrou 74,6 mil transações residenciais no semestre. Desse total, 40,3 mil envolveram imóveis prontos. Na faixa acima de R$ 3 milhões, foram negociadas 1.210 unidades, alta de 3,1% em relação ao mesmo período de 2025.

Embora represente apenas 3% das unidades prontas negociadas na cidade, o segmento acima de R$ 3 milhões concentra 24,1% de todo o valor movimentado no mercado de imóveis prontos, participação superior aos 22,8% observados um ano antes.

A performance sólida do segmento não parece ser explicada por um incremento expressivo no número de vendas. Na verdade, o estudo sugere que a disposição do comprador em pagar mais sustentou o desempenho: 68% da expansão do segmento de alto padrão foi explicada pelo aumento do valor dos imóveis negociados, enquanto 30% decorreu do crescimento do volume de transações.

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Alta veio dos preços

O valor mediano de uma unidade de alto padrão negociada passou de R$ 4,30 milhões no primeiro semestre de 2025 para R$ 4,31 milhões no primeiro semestre de 2026. A variação nominal foi de apenas 0,2%, o que corresponde a uma queda real de 4,5% quando descontada a inflação.

Enquanto isso, o ticket médio avançou de R$ 6,01 milhões para R$ 6,43 milhões, alta nominal de 7% e ganho real de 2,3%.

A diferença entre as duas métricas ajuda a explicar a dinâmica do mercado. Segundo a Pilar, o negócio “comum” do alto padrão, representado pela mediana, perdeu valor em termos reais. Ao mesmo tempo, a valorização e o maior peso de transações muito acima da média puxaram o ticket médio para cima.

O fenômeno aparece de forma clara em alguns bairros tradicionais do segmento. No Itaim Bibi, por exemplo, o número de negociações permaneceu praticamente estável, passando de 72 para 70 transações, mas o valor mediano dos imóveis negociados saltou 24,9%, de R$ 4,6 milhões para R$ 5,75 milhões. Com isso, o volume financeiro movimentado pelo bairro cresceu 21,6%.

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O movimento não ficou restrito ao Itaim. No Jardim Europa, o valor mediano das transações avançou 32%, o maior crescimento entre os bairros com amostra relevante, mesmo com queda de 23,5% no número de negócios, indicando um mercado mais concentrado em imóveis de valor elevado.

Ainda assim, houve dinâmicas distintas. No Jardim Paulista o volume financeiro cresceu 32,3%, impulsionado principalmente pelo aumento de 22,4% nas transações, enquanto o ticket mediano permaneceu praticamente estável.

A Vila Nova Conceição, líder do mercado paulistano de alto padrão movimentou R$ 853 milhões no semestre, alta de 46,6%, impulsionada principalmente pelo aumento do número de negócios, que avançou 50,6%. Nesse caso, o ticket mediano caiu 5,1%, indicando que o crescimento veio da maior liquidez e não de imóveis mais caros.

O topo do topo puxou a alta

Dentro do alto padrão, o comportamento é desigual e a maior força veio dos imóveis mais exclusivos.

Na faixa acima de R$ 20 milhões, foram negociadas 37 unidades, ante 29 no primeiro semestre de 2025. As transações movimentaram R$ 1,38 bilhão. O valor médio dos negócios nessa faixa avançou 23,9% em termos nominais e 19,3% acima da inflação, sendo a única categoria em que o ticket cresceu mais do que o IPCA.

A faixa entre R$ 1,5 milhão e R$ 3 milhões, considerada a porta de entrada do alto padrão, registrou crescimento de 10,6% em unidades negociadas e de 10,8% em valor, totalizando 2.928 transações. Segundo a Pilar, trata-se da leitura mais robusta do levantamento, por reunir quase três mil negócios no semestre.

Já no recorte entre R$ 3 milhões e R$ 5 milhões, o cenário foi de estabilidade, com avanço de 1,6% em valor. Na faixa de R$ 5 milhões a R$ 10 milhões, o crescimento foi de 10,3%.

O segmento entre R$ 10 milhões e R$ 20 milhões foi o único a registrar queda simultânea em volume e valor: recuo de 5,7% nas unidades negociadas e de 3,6% no montante movimentado na comparação anual.

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Alta renda segue pouco dependente de crédito

Segundo o levantamento, 87,9% das transações acima de R$ 3 milhões não registraram financiamento, percentual praticamente estável em relação ao observado um ano antes.

A Pilar ressalta que a informação deve ser interpretada com cautela, porque o preenchimento do campo não é obrigatório.

Ainda assim, o conjunto dos dados reforça a percepção de que o comprador de alta renda permanece menos dependente do crédito imobiliário tradicional e, por isso, menos sensível ao atual ambiente de juros elevados.

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De Bilionário a Condenado À Prisão: Quem Era o Fundador da Evergrande

Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.

Hui Ka Yan construiu sua fortuna apostando que o mercado imobiliário chinês continuaria crescendo. Durante anos, a estratégia funcionou: a Evergrande tomava dinheiro emprestado, comprava terrenos, construía apartamentos e os vendia rapidamente, alimentando um ciclo de expansão que transformou a companhia em uma das maiores incorporadoras da China.

O mesmo modelo que levou Hui ao topo do ranking dos mais ricos da Ásia acabou contribuindo para sua queda. Nesta quinta-feira (20), o fundador da China Evergrande Group, de 67 anos, foi condenado à prisão perpétua por um tribunal de Shenzhen. A Justiça chinesa também determinou o confisco de todos os seus bens pessoais e a perda de seus direitos políticos por toda a vida. Hui havia se declarado culpado, em abril, de oito acusações, incluindo fraude na captação de recursos, uso indevido de fundos, tomada ilegal de depósitos públicos e suborno.

A sentença encerra uma das maiores histórias de ascensão e queda do capitalismo chinês das últimas décadas.

De uma vila rural à Evergrande

Hui nasceu na província de Henan, no centro da China, e foi criado pela avó em uma área rural. Depois de se formar em 1982, começou a trabalhar como técnico em uma siderúrgica, onde permaneceu por cerca de dez anos.

Em 1996, fundou a Evergrande em Guangzhou. A empresa começou no mercado imobiliário em um momento em que a urbanização chinesa criava uma demanda crescente por moradias e novos empreendimentos.

Hui identificou uma fórmula simples para ganhar escala: vender imóveis a preços competitivos, reduzir o tempo necessário para transformar terrenos em vendas e usar dívida para financiar a expansão.

A Evergrande passou a acumular terrenos e projetos em centenas de cidades. Em 2009, Hui levou a companhia à Bolsa de Hong Kong, ampliando o acesso ao mercado de capitais.

A escala cresceu rapidamente. Em 2020, a Evergrande registrou cerca de US$ 100 bilhões em vendas anuais e havia se tornado a maior incorporadora da China por vendas.

Como Hui se tornou bilionário

A fortuna de Hui estava diretamente ligada ao valor da Evergrande na Bolsa de Hong Kong. Quando as ações da companhia dispararam em 2017, seu patrimônio acompanhou o movimento.

Naquele ano, a Forbes colocou Hui no topo da lista dos chineses mais ricos, com uma fortuna estimada em US$ 42,5 bilhões. A alta das ações da Evergrande havia acrescentado cerca de US$ 32 bilhões ao seu patrimônio em apenas um ano.

Pouco depois, a fortuna atingiu seu pico de US$ 45,3 bilhões, segundo a Forbes. Hui se tornou o homem mais rico da Ásia, à frente de nomes como Jack Ma e Ma Huateng.

Grande parte dessa riqueza, portanto, não estava em dinheiro disponível em uma conta bancária. Era composta principalmente pela participação de Hui na própria Evergrande e refletia o valor atribuído pelo mercado à companhia.

Enquanto a incorporadora crescia, Hui também diversificava seus negócios. Seu grupo investiu em futebol, parques temáticos, saúde, água mineral e veículos elétricos. O projeto de carros elétricos chegou a ser apresentado como uma tentativa de transformar a Evergrande em uma potência da indústria automobilística.

Hui também passou a circular entre as elites empresariais e políticas da China. Em 2021, participou das comemorações do centenário do Partido Comunista Chinês em Pequim, um sinal da posição que havia alcançado dentro do ambiente empresarial do país.

A dívida que sustentou o império

O problema estava no outro lado da equação. Para manter o ritmo de expansão, a Evergrande acumulou uma das maiores montanhas de dívida corporativa do mundo. A companhia usava novos financiamentos para adquirir terrenos e desenvolver projetos enquanto dependia da venda de imóveis para gerar caixa e cumprir seus compromissos.

Esse mecanismo funcionava enquanto compradores continuavam chegando, os preços dos imóveis sustentavam o valor dos terrenos e os credores permaneciam dispostos a financiar a empresa.

Quando o mercado imobiliário chinês perdeu força, a estrutura ficou vulnerável. Em 2021, a Evergrande deixou de pagar obrigações no exterior. A companhia passou a enfrentar uma crise de liquidez que se transformou em um processo de reestruturação envolvendo credores, bancos, compradores de imóveis e autoridades chinesas.

As responsabilidades da empresa chegaram a mais de US$ 300 bilhões. Em 2023, a Forbes estimava o total em US$ 327 bilhões. A dimensão da dívida transformou a Evergrande em um dos principais símbolos da crise imobiliária chinesa. O problema deixou de ser apenas o balanço de uma incorporadora: passou a envolver o financiamento de imóveis, fornecedores, bancos, investidores e governos locais.

O colapso da fortuna

A queda das ações da Evergrande destruiu a maior parte do patrimônio de Hui. A fortuna de US$ 45,3 bilhões registrada no auge havia recuado para cerca de US$ 3 bilhões em 2023, segundo estimativas da Forbes. A maior parte do patrimônio remanescente ainda estava relacionada a ativos e participações vinculados ao império empresarial construído por Hui.

Em outras palavras, a mesma concentração patrimonial que multiplicou sua riqueza durante a alta da Evergrande funcionou no sentido contrário quando a empresa perdeu valor.

A companhia acabou sendo ordenada à liquidação por um tribunal de Hong Kong em 2024, depois de anos de negociações com credores. Hui, que já estava sob custódia havia anos, foi submetido ao processo criminal na China. Em abril de 2026, declarou-se culpado de oito acusações.

O fim do império

A sentença desta quinta-feira acrescenta uma última etapa à derrocada. Além da prisão perpétua de Hui, o tribunal de Shenzhen determinou multas de 8,82 bilhões de yuans para o Evergrande Group e de 7 bilhões de yuans para a Evergrande Real Estate. As empresas e seu fundador foram responsabilizados por crimes que incluem fraude financeira, ocultação de passivos, captação ilegal de recursos e divulgação irregular de informações.

Segundo a sentença, as práticas atribuídas a Hui e às empresas “perturbaram seriamente” o mercado imobiliário chinês e provocaram perdas econômicas relevantes.

A trajetória de Hui Ka Yan deixa, assim, um contraste raro mesmo entre as grandes fortunas empresariais: em menos de uma década, ele passou de um patrimônio de US$ 45,3 bilhões para a perda de sua riqueza e, agora, para uma sentença de prisão perpétua.

Em 2017, a valorização da Evergrande havia acrescentado bilhões de dólares ao patrimônio do empresário. O mercado estava precificando a capacidade da companhia de continuar crescendo. Anos depois, a mesma empresa se tornou um dos maiores exemplos dos riscos de financiar expansão imobiliária com dívida em uma economia cujo mercado de propriedades começava a perder força.

Hui construiu a Evergrande apostando que o ciclo de crescimento continuaria. A condenação desta quinta-feira marca o ponto final dessa aposta, e transforma o antigo homem mais rico da Ásia em um dos rostos mais conhecidos da crise que encerrou aquele ciclo.

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Para Driblar Crise, Casas Modulares Viram Febre na Argentina com Custo de R$ 10,3 mil

Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.

Ter acesso à primeira moradia na Argentina é, para boa parte da classe média, uma equação que não fecha. O crédito imobiliário voltou, mas seus requisitos excluem muitas pessoas; a construção tradicional custa entre US$ 1 mil a US$ 1,8 mil por metro quadrado (R$ 5,1 mil a R$ 9,3 mil), e os preços em dólares não recuam.

Nesse contexto, um fenômeno que circulava pelas redes sociais começou a ganhar forma concreta: as moradias modulares e industrializadas, que vão de cápsulas premium importadas da China a casas fabricadas em plantas industriais da Patagônia, estão redefinindo o acesso à casa própria.

Leticia Leites foi uma das primeiras argentinas a importar sua casa modular de 72 metros quadrados da China para um condomínio fechado na cidade de Santa Fe.

Attila

O custo total foi de US$ 700 (R$ 3,63 mil) por metro quadrado. O valor inclui impostos, certificações alfandegárias, honorários do despachante, seguros e os serviços de transporte e guindaste. Comparado ao custo da construção tradicional na mesma região, o preço é entre 40% e 60% menor.

O processo levou sete meses, desde as primeiras conversas com um representante de vendas chinês até a chegada da casa ao porto de Santa Fe. “O mais complicado foram os trâmites de importação, porque havia conflitos entre as normas de cada país”, explica Leticia.

Embora classifique a experiência como “positiva”, ela ressalta que, para ela, trata-se de uma solução temporária, até que possa construir sua casa pelo sistema tradicional, pois a vida útil estimada pelo fabricante para esses módulos é de 30 anos.

Por sua vez, Diego Jerez, empresário do comércio exterior, encontrou uma maneira de reduzir os custos relacionados à importação e passou a organizar compras coletivas.

“Se você quiser importar sozinho, os números não são os mesmos. Mas, se montar um grupo, o negócio fica bom”, afirma.

Atualmente, ele tem cinco contêineres em trânsito, e cada um comporta cerca de 16 casas. Dessa forma, um módulo básico de 18 metros quadrados entregue em Buenos Aires custa cerca de US$ 2.000, com tudo incluído.

No entanto, o próprio empresário define a solução como transitória e afirma que ela não é adequada para todos os territórios, já que os módulos não possuem cálculos estruturais para regiões sísmicas nem para áreas sujeitas a ventos extremos.

O segmento premium

No outro extremo do espectro está a Höli Haus, com um produto diferente daquele importado por Jerez: são casas-cápsula que chegam completamente montadas da China, com aço galvanizado de alta espessura, vidros duplos herméticos, piso radiante elétrico, vaso sanitário inteligente com função de bidê e ar-condicionado instalado dentro do volume da estrutura.

As unidades são certificadas para regiões sísmicas de até a Zona 4 — a categoria mais exigente, que inclui a província de San Juan.

O diferencial de qualidade tem reflexo direto no preço, que parte de US$ 41 mil (R$ 212 mil), mais IVA, para o modelo de 18,5 metros quadrados e chega a US$ 69 mil (R$ 357 mil) para o modelo de 38 metros quadrados.

As moradias modulares importadas podem reduzir em até 60% o custo do metro quadrado na comparação com a alvenaria tradicional
Edifica NeuquénAs moradias modulares importadas podem reduzir em até 60% o custo do metro quadrado na comparação com a alvenaria tradicional

O pagamento é dividido em três parcelas: 30% na contratação, 30% após 60 dias e 40% quando a casa chega ao porto argentino. O prazo máximo de entrega é de 120 dias.

A casa chega montada em um caminhão de perfil baixo, é retirada com um guindaste e apoiada sobre blocos de concreto pré-moldado fornecidos pela Höli Haus. Não é necessário construir uma laje de fundação, e a instalação exige apenas uma tomada de 220 volts, uma entrada de água e uma saída para o esgoto.

A alternativa local é representada por Emilio Munarín, CEO da Attila — empresa de construção modular de Neuquén com quase cinco anos de atuação — e representante da Câmara Argentina de Construção Modular e Industrializada (CACMI) na Patagônia. Suas moradias são fabricadas com materiais 100% argentinos e montadas em prazos de 60 a 120 dias, dependendo do tamanho.

Munarín reconhece que os produtos importados podem custar entre 50% e 100% menos, mas alerta que “não possuem cálculos estruturais adequados para as diferentes regiões da Argentina e não contam com certificados de aptidão técnica”. Ele também destaca a importância do serviço de pós-venda local como um diferencial.

Regulação e financiamento

Para a arquiteta Carla Corea, especialista em regulamentação e gestão, a questão central não está na origem do material, mas nas exigências da prefeitura.

“A pessoa que quiser encomendar uma casa da China primeiro precisa ter certeza de que pode importá-la integralmente. Depois, precisa pedir ao fornecedor chinês todas as especificações técnicas: ventilação, iluminação e instalações elétricas. Porque a prefeitura vai verificar as condições de habitabilidade do imóvel, independentemente dos materiais utilizados”, explica.

Ela esclarece que atualmente não existe nenhum município que tenha estabelecido uma regulamentação específica para esse tipo de construção importada: “Existem casas pré-fabricadas produzidas aqui, assim como casas modulares argentinas. Mas, no que diz respeito à importação, não há regulamentação emitida por nenhum órgão. Tudo isso é muito novo”.

Até o momento, na prática, cada distrito decide caso a caso. Jerez lembra que, no início, alguns municípios de Córdoba e Mendoza rejeitavam essas estruturas, mas afirma que esse cenário mudou rapidamente.

Por sua vez, a Höli Haus já atuou em Bariloche, Comodoro Rivadavia, San Luis, El Calafate, Pinamar e Tigre, com condições diferentes em cada local.

O Banco Hipotecario já oferece crédito com taxas específicas para financiar até 100% do valor de moradias industrializadas
AttilaO Banco Hipotecario já oferece crédito com taxas específicas para financiar até 100% do valor de moradias industrializadas

Outro ponto crítico é a situação registral. Legalmente, essas moradias costumam ser classificadas como bens móveis — porque podem ser transportadas —, o que as coloca em um registro diferente daquele dos imóveis tradicionais: o terreno é registrado em escritura, enquanto a casa é considerada uma benfeitoria que pode ou não ser declarada.

No âmbito do crédito, o Banco Hipotecario possui uma linha específica para moradias industrializadas que financia até 100% do valor.

O crédito é concedido em nome da pessoa física, e o banco libera os recursos diretamente para a empresa vendedora — que precisa estar previamente credenciada no programa —, a uma taxa de UVA + 15% e com prazo de até 72 meses.

O mapa argentino

Segundo dados da CACMI, existem atualmente cerca de 13 mil construções industrializadas em execução na Argentina. Neuquén é um dos mercados mais consolidados, devido à chegada constante de trabalhadores ligados à Vaca Muerta, o que transforma a construção modular em uma resposta rápida e estratégica. Na região, por exemplo, a Höli Haus avalia colocar em operação um projeto de 50 unidades voltado ao segmento gerencial.

Para Marcos Galián, produtor-geral da feira Edifica Neuquén 2026 — única exposição de construção e infraestrutura da Patagônia —, o fenômeno responde a uma necessidade estrutural: “O desafio atual é acompanhar o crescimento das cidades com infraestrutura. A construção industrializada oferece a flexibilidade necessária para desenvolver desde moradias até escritórios e estabelecimentos comerciais”.

O mesmo ocorre na Patagônia — onde o clima extremo e a distância encarecem a construção tradicional —, além de Córdoba e Mendoza, a ponto de esses sistemas já terem sido utilizados em hospitais de emergência e até em instalações científicas na Antártida.

Nesse contexto, os sistemas construtivos industrializados surgem como uma alternativa para ampliar a oferta em prazos mais curtos e reduzir a pressão sobre o mercado.

A grande vantagem da construção modular é permitir a produção em série, o que não apenas acelera o desenvolvimento de moradias, mas também de infraestrutura para setores tão diversos quanto saúde, educação e atividade industrial.

O mercado de moradias modulares na Argentina ainda é incipiente e não possui dados oficiais consolidados. A demanda, porém, é real, e os participantes do setor já operam com soluções que partem de um módulo básico de US$ 2 mil (R$ 10,3 mil). Em um país onde construir com tijolos se tornou caro e o crédito chega tarde, essa alternativa começa a ser vista como a resposta mais pragmática ao déficit habitacional.

Matéria publicada originalmente em Forbes Argentina

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Bairros Mais Caros do Norte Custam até R$ 15,5 Mil por Metro Quadrado; Veja Ranking

Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.

Os bairros mais caros das capitais do Norte do Brasil chegam a custar mais de R$ 15 mil o metro quadrado, segundo levantamento da Brain Inteligência Estratégica enviado com exclusividade à Forbes.

O bairro mais caro da região é Graciosa, em Palmas (TO), onde o metro quadrado fica em R$ 15,56 mil. Na sequência aparecem Umarizal, em Belém (PA), a R$ 14,72 mil, e Adrianópolis, em Manaus (AM), a R$ 13,68 mil.

Belém concentra o maior número de bairros entre os mais valorizados da região. Além de Umarizal, Cremação (R$ 13,96 mil), Nazaré (R$ 13,89 mil), Reduto (R$ 13,74 mil) e São Brás (R$ 13,36 mil) também ultrapassam os R$ 13 mil por metro quadrado.

Já as capitais do Acre e do Amapá registram os menores tetos de preço entre as capitais nortistas. Em Rio Branco, o bairro mais caro é Bosque, a R$ 7,36 mil o metro quadrado. Em Macapá, lidera Julião Ramos, a R$ 11,24 mil. Nessas duas capitais, o levantamento da Brain Inteligência Estratégica lista apenas três bairros.

Abaixo, veja os bairros mais caros de cada capital do Norte:

Rio Branco (AC)

  • Bosque — R$ 7.357/m²
  • Conjunto Mascarenhas de Morais — R$ 6.015/m²
  • Alto Alegre — R$ 5.000/m²

Macapá (AP)

  • Julião Ramos — R$ 11.241/m²
  • Universidade — R$ 9.297/m²
  • Jardim Marco Zero — R$ 7.950/m²

Manaus (AM)

  • Adrianópolis — R$ 13.677/m²
  • Aleixo — R$ 11.851/m²
  • Tarumã Açu — R$ 10.484/m²
  • São Jorge — R$ 9.818/m²
  • Praça 14 de Janeiro — R$ 9.481/m²

Belém (PA)

  • Umarizal — R$ 14.721/m²
  • Cremação — R$ 13.959/m²
  • Nazaré — R$ 13.887/m²
  • Reduto — R$ 13.744/m²
  • São Brás — R$ 13.362/m²

Porto Velho (RO)

  • Costa e Silva — R$ 10.282/m²
  • Olaria — R$ 9.825/m²
  • Rio Madeira — R$ 9.225/m²
  • Flodoaldo Pontes Pinto — R$ 8.756/m²
  • São João Bosco — R$ 7.911/m²

Boa Vista (RR)

  • Centro — R$ 12.817/m²
  • Caçari — R$ 10.716/m²
  • Paraviana — R$ 9.187/m²
  • Calunga — R$ 6.790/m²
  • Jóquei Clube — R$ 4.090/m²

Palmas (TO)

  • Graciosa — R$ 15.560/m²
  • Plano Diretor Sul — R$ 11.106/m²
  • 106 Sul — R$ 10.276/m²
  • Arso 43 — R$ 10.249/m²
  • Plano Diretor Norte — R$ 9.756/m²

Belém tem 4º aluguel mais caro do Brasil

Dados do Índice FipeZAP, calculado pela Fipe em parceria com o Grupo OLX (Zap/VivaReal), mostram que Belém tem o quarto maior preço médio do aluguel do país, de R$ 63,03 por metro quadrado.

Com isso, a capital do Pará fica atrás apenas de Barueri (R$ 72,24), São Paulo (R$ 64,98) e Recife (R$ 64,06).

O metro quadrado em Belém subiu 9,01% na venda nos últimos 12 meses, acima do IPCA do período, de 4,90%. No acumulado de 2026, a alta chega a 4,17%, também superior à inflação, medida em 3,62% até junho.

No aluguel, o metro quadrado em Belém acumula alta de 9,79% em 12 meses, igualmente acima do IPCA do período.

Grupo OLX

Nos dados do FipeZAP, entre Manaus e Belém, Umarizal é o bairro mais caro. O metro quadrado custa R$ 10.942 na venda e R$ 69 na locação.

Jurunas aparece em segundo lugar em ambos os rankings, com R$ 10.858 na venda e R$ 68 no aluguel, seguido por Nazaré, a R$ 9.253 na venda e R$ 66 na locação.

Cremação, a R$ 65 o metro quadrado, e Batista Campos, a R$ 9.006 na venda, completam o top 5 de locação e venda, respectivamente.

“Jurunas, Nazaré e Umarizal compõem os três bairros mais valorizados da capital paraense, tanto no mercado de compra e venda quanto no de locação, refletindo a consolidação do mercado imobiliário na região”, comentam Mariângela Christie e Talita Cruz, do Grupo OLX.

Grupo OLX

“Nazaré e Umarizal sustentam sua valorização com infraestrutura consolidada de lazer e serviços diante de uma demanda superior à oferta. Já o Jurunas ascende impulsionado pelo efeito de transbordamento (spillover) dessa vizinhança nobre, somado à recente reestruturação da orla”, completam.

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Por Dentro da Mansão do Fundador do Facebook, Recém-vendida por R$ 44 Milhões

Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.

Chris Hughes, um dos fundadores do Facebook, vendeu a mansão que possuía no bairro de Kalorama, em Washington D.C., por US$ 8,59 milhões, equivalentes a R$ 44,4 milhões no câmbio atual.

A venda foi fechada neste mês de agosto, seis meses depois de o imóvel ter sido colocado à venda por um preço ligeiramente superior, de US$ 8,75 milhões.

Hughes comprou a propriedade de estilo neorromânico em 2021 ao lado do marido, o ativista político Sean Eldridge, por valor próximo a US$ 7,75 milhões (R$ 40 milhões). Com a venda atual, o casal registra ganho de cerca de US$ 840 mil (R$ 4,3 milhões) sobre o valor pago na aquisição.

A operação foi intermediada por Marin Hagen e Sylvia Bergstrom, da Coldwell Banker Realty, do lado dos vendedores, e por Michael Rankin, da TTR Sotheby’s International Realty, representando o comprador.

Localizada no endereço 1823 Phelps Place NW, a casa foi construída em 1905 no estilo Romanesque Revival, projeto do arquiteto Henry Hobson Richardson. O imóvel foi erguido originalmente para o presidente do Lincoln National Bank.

A área total é de 758 metros quadrados, distribuída em quatro andares interligados por elevador. São seis quartos e oito banheiros, sendo seis completos e dois lavabos.

No andar principal, ficam o hall de entrada com painéis originais e teto em caixotões, ambientes com pé-direito acima de 11 pés, cozinha equipada com eletrodomésticos das marcas Sub-Zero, Viking e Bosch, sala de jantar, uma segunda sala de estar com lareira revestida em mármore e um lavabo. Ao todo, a casa soma quatro lareiras a gás.

O segundo andar reúne a suíte principal, com lareira, banheiro em mármore da marca Waterworks, closet e um segundo closet com bar. Há ainda duas suítes adicionais e uma lavanderia no mesmo pavimento.

O terceiro andar abriga mais dois quartos, dois banheiros, uma sala de estar e um cômodo extra, que pode funcionar como escritório ou sala de recreação. Uma claraboia ilumina o espaço até o andar térreo.

O porão contempla uma sala de home theater, academia completa, uma suíte com entrada independente e banheiro próprio, adega climatizada, um lavabo e acesso à garagem para dois carros.

No jardim, há espaço para refeições ao ar livre, fire pit, churrasqueira fixa, pérgola e fonte.

Como é a região do imóvel em Washington D.C.

Kalorama é um bairro residencial de Washington D.C. que concentra embaixadas e residências de figuras públicas.

A localização fica próxima às estações de metrô Dupont Circle e Woodley Park, da linha vermelha, à feira Dupont Farmers Market, ao museu The Phillips Collection e ao parque Rock Creek Park.

Quem é Chris Hughes, um dos fundadores do Facebook

Chris Hughes cresceu em uma pequena cidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos.

Estudou na Phillips Academy e, posteriormente, foi para Harvard. Ele conheceu os outros fundadores do FacebookMark Zuckerberg, Eduardo Saverin e Dustin Moskovitz —, quando era calouro da universidade e ingressou na startup como seu porta-voz.

Ele estudou história e literatura e concentrou seus esforços em desenvolver funcionalidades da rede social e em melhorar a experiência dos usuários, em detrimento de atuar na programação.

Chris Hughes conheceu Mark Zuckerberg em Harvard. Em 2007, deixou o Facebook para comandar a estratégia de organização on-line da campanha presidencial de Barack Obama.
Getty ImagesChris Hughes conheceu Mark Zuckerberg em Harvard. Em 2007, deixou o Facebook para comandar a estratégia de organização on-line da campanha presidencial de Barack Obama.

Em 2007, deixou o Facebook, então em rápida expansão, para integrar a campanha presidencial do então senador Barack Obama como diretor de organização on-line. Foi ele que liderou o desenvolvimento de uma rede social de apoiadores da campanha.

Em meados de 2012, comprou uma fatia da The New Republic, uma revista de orientação progressista focada em política e cultura. Sua tentativa de reformular a publicação provocou uma onda de demissões na redação. A revista foi vendida quatro anos depois em meio a prejuízos financeiros.

Ele já foi Forbes Under 30 na categoria mídia e, em 2015 e 2016, integrou a lista dos empreendedores mais ricos com menos de quarenta anos de idade.

A fortuna de Chris Hughes é de US$ 430 milhões (R$ 2,22 bilhões).

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Por que a Madeira Engenheirada Tem Gerado Interesse em Empresas de Tecnologia e Incorporadoras

Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.

A história da tentativa de transição de uma indústria de materiais de construção frequentemente tóxica e perigosa para opções saudáveis foi impulsionada por um grupo seleto de defensores ferrenhos. No entanto, ela enfrenta a resistência dos próprios construtores, que veem a mudança como um custo adicional e atrasam os avanços a um ritmo alarmante.

Além disso, a oferta de produtos dos grandes fabricantes é ditada pelo volume e escala que as construtoras conseguem entregar, o que muitas vezes prioriza o baixo custo em detrimento da qualidade.

Contudo, um material sustentável que está em evidência é a madeira engenheirada (conhecida internacionalmente como mass timber).

Introduzida inicialmente no mercado europeu na década de 1990, ela se apresenta sob a forma de madeira lamelada colada (MLC) e madeira laminada cruzada (CLT) como uma alternativa de baixo emissão de carbono frente ao aço e ao concreto.

À medida que financiamentos e incentivos se alinham cada vez mais aos objetivos de ESG, esse produto estrutural ganha popularidade. E, com essa aceitação, novos programas, serviços e ferramentas estão surgindo no setor.

A seleção da madeira engenheirada

A madeira sempre foi uma parte fundamental da construção de moradias nos Estados Unidos. Ben Christensen, CEO do marketplace do setor madeireiro Cambium, vivenciou isso de perto, pois cresceu em meio a essa indústria na zona rural do Novo México.

“Não tínhamos aquecimento central, então cortávamos nossa própria lenha”, conta. “Como eu era filho único, minhas melhores amigas eram as árvores. O trabalho da minha vida é lidar com as mudanças climáticas.

Atuei em laboratórios nacionais, inserindo a tomada de decisão baseada em dados na nossa rotina. Além disso, na Escola de Silvicultura de Yale, trabalhei com políticas federais e acompanhei a expansão do setor, que atingiu a marca de US$ 1 trilhão (cerca de R$ 5,1 trilhões) globalmente.”

Essa bagagem o impulsionou a fundar a Cambium, descrita por ele como uma empresa de tecnologia que traz sustentabilidade ao espaço florestal em larga escala, concentrando-se nos 426 milhões de toneladas de madeira que são desperdiçados anualmente no mercado americano.

“Esse insumo poderia ser utilizado para substituir mais da metade da demanda atual”, afirma. “Precisamos de um volume gigantesco, mas hoje reaproveitamos menos de 5% porque falta coordenação. Atualmente, não existem marcas consolidadas, tampouco uma jornada do cliente estruturada.”

Para mudar esse cenário, a startup atua em todo o país para recolher árvores reaproveitadas — uma iniciativa que espera transformar o simples fornecimento da matéria-prima em compras feitas nas fontes corretas. Nesse processo, a companhia utiliza tecnologia para rastrear um componente de precificação real que seja escalável e capaz de oferecer descontos no atacado com o tempo.

A plataforma também está envolvida no ambiente regulatório para promover o acesso e a reutilização de florestas não manejadas, em parceria com proprietários privados, companhias madeireiras, prefeituras e parques.

“Hoje, quando uma árvore cai, não sabemos onde ela vai parar”, acrescenta Christensen. “Existem dezenas de etapas até chegar ao consumidor final, com muita ineficiência na cadeia de suprimentos. Se conseguirmos inserir dados sob tudo isso, poderemos resolver o problema e gerar eficiência. Ao fomentar a demanda, conseguimos obter essas informações.”

Esses dados incluem informações sobre origem, processamento, formação de preços e condições ambientais. A plataforma foca no estágio inicial (a fonte) para fornecer um insumo que chegue ao canteiro de forma ecologicamente correta.

A estratégia tem rendido frutos: a receita da corporação quintuplicou no ano passado e continua em forte ritmo de expansão.

A tecnologia é uma peça fundamental desse crescimento. A Cambium está introduzindo Inteligência Artificial (IA) em uma indústria essencialmente verbal, onde os contratos são frequentemente fechados por telefone ou com um aperto de mão, mesmo em negociações milionárias. A plataforma traz a IA para interagir com uma camada digital de maneira fluida, permitindo que os usuários preencham a burocracia por meio de uma simples conversa.

A startup também colabora com outros participantes do ecossistema do setor para viabilizar um número maior de empreendimentos baseados nesse sistema construtivo.

Colocando a teoria em prática

A Mosaic Timber, com sede na Califórnia, está fabricando painéis leves, resistentes ao fogo e capazes de sequestrar carbono a partir de árvores de pequeno diâmetro obtidas localmente, destinados a kits de casas pré-fabricadas ou novos projetos residenciais.

A corporação já reconstruiu diversas habitações danificadas por incêndios florestais, empregando toras menores, que são um ativo comum, mas subutilizado.

Outra novidade tech no mercado é a Generate.design, focada na automação do processo de arquitetura e orçamentação da madeira em massa. Seu sistema ajuda o setor a se adaptar a esses novos processos de construção, que apresentam características únicas em comparação aos métodos convencionais.

“Muitos desenvolvimentos morrem durante a fase de pré-construção”, relata o cofundador e CTO da companhia, Bobby Uhlenbrock. “Nossa ferramenta ajuda as equipes que estão explorando essa alternativa a obter uma lista de materiais em questão de dias, poupando semanas de trabalho.”

A transição para a madeira engenheirada em um pipeline é uma dinâmica bastante diferente e exige a configuração adequada. A matéria-prima pode encarecer o custo inicial, mas há uma economia de tempo considerável, pois a montagem no canteiro de obras é muito mais rápida, resultando também em forte redução nas despesas com mão de obra.

“Com insumos emergentes, é difícil estimar os custos com precisão”, observa Uhlenbrock. “Normalmente, os executivos de engenharia acabam incluindo um orçamento de contingência enorme como uma espécie de ‘taxa de incerteza’, que acaba se multiplicando ao longo das etapas.”

No ano passado, a Generate.design participou de mais de cem obras, que variaram de condomínios residenciais a data centers interessados em reduzir sua pegada de carbono.

O denominador comum de todas essas iniciativas é o desejo de construir utilizando elementos mais sustentáveis. De acordo com os cálculos da empresa, a opção madeireira oferece uma redução de cerca de 30% nas emissões em comparação ao concreto. Além disso, ao considerar sua futura reutilização, o saldo final do edifício pode se tornar carbono negativo.

“Edifícios erguidos com CLT ou MLC sequestram carbono, armazenando-o nas fibras da estrutura durante toda a vida útil do imóvel”, explica William Richards, diretor editorial e cofundador da agência de desenvolvimento de marcas Team Three.

“Eles representam uma fração do peso de prédios feitos com os materiais convencionais. Sendo painéis pré-fabricados, podem ser montados em muito menos tempo do que estruturas de cimento, reduzindo assim o carbono incorporado. Boa parte das peças empregadas também pode ser reaproveitada ou reciclada em 20, 30 ou 50 anos, caso se decida que a edificação chegou ao seu limite.”

Embora a maioria das obras com esse sistema seja de grande escala, Richards escreve sobre as vantagens ecológicas da opção em residências unifamiliares, apontando-a como uma solução mais resistente que o aço e capaz de mitigar os desafios climáticos. O livro Against the Grain: Mass Timber in the Home (Contra a Corrente: A Madeira Engenheirada no Lar, em tradução livre) é mais uma evidência do valor atribuído à origem da matéria-prima e à logística que ela percorre até se transformar em moradia.

Alguns incorporadores já analisam como o recurso contribui para o bem-estar dos moradores ao proporcionar um ambiente biofílico, capaz de melhorar a frequência cardíaca e as funções cognitivas de quem o habita.

A intersecção com a biofilia

A ascensão do design biofílico — o uso de produtos e texturas para criar uma conexão orgânica com a natureza — é outra área de expansão para a madeira estrutural. Esse conceito arquitetônico possui benefícios cientificamente comprovados. Um estudo de 2007 revelou que a exposição a ambientes amadeirados pode:

  • Reduzir a pressão arterial em 10%
  • Diminuir os batimentos cardíacos em 6%
  • Aliviar os níveis de estresse em 15%

Além disso, uma pesquisa de 2008 descobriu que o material contribui para um melhor desempenho intelectual dos residentes. Os elementos da biofilia melhoram as funções cerebrais em cerca de 8% e aumentam as emoções positivas em 12%. Outros dois levantamentos posteriores corroboraram essas descobertas, apontando uma redução de até 12% na resposta ao estresse e um salto de 15% na performance cognitiva.

A fabricante Mercer faz questão de destacar a aparência natural e a textura tátil da madeira em seus empreendimentos para capitalizar sobre esses princípios.

A companhia tem utilizado a tecnologia CLT em diversos projetos residenciais pelos Estados Unidos, incluindo um complexo habitacional de oito andares em Portland e um loteamento de três pavimentos atualmente em andamento na cidade de Des Moines.

Esses edifícios se beneficiarão da capacidade da madeira de atuar como um sumidouro de carbono, ajudando a mitigar o aquecimento global com fontes renováveis.

A alternativa também oferece propriedades naturais de isolamento térmico, que, em última análise, derrubam os custos operacionais com ar-condicionado e calefação. A Mercer constatou que é possível entregar um desempenho e uma durabilidade totalmente equiparáveis aos do mercado cimenteiro e siderúrgico.

Contudo, se os ganhos ambientais são generosos, o upside financeiro também é.

O modelo de negócios do setor

Uma incorporadora baseada em Bellevue, Washington, liderada pela organização DASH (Downtown Action to Save Housing), apresentou um projeto para um terreno de aproximadamente 32.375 metros quadrados que abrigará cinco torres residenciais de madeira engenheirada.

A área fará parte do EverGlen Village, uma comunidade de uso misto (mixed-use) projetada para estabelecer um novo padrão no mercado de habitação, fornecendo mais de 1.000 lares econômicos para idosos.

O setor enfrentou, historicamente, restrições nos planos diretores e códigos de obras que limitavam a verticalização dos prédios — o mais alto atualmente em operação é o The Ascent, em Milwaukee, com 25 andares.

Uhlenbrock observa que, apesar disso, os landlords (proprietários) conseguem cobrar um prêmio devido à estética sofisticada dos edifícios sustentáveis, o que lhes permite exigir aluguéis mais caros.
Mas nem todo mundo no mercado imobiliário vê apenas o lado positivo na expansão dessa novidade

Ceticismo no mercado

Embora a demanda por materiais verdes seja crescente, Gareth Hayes, sócio sênior da empresa de pesquisa e consultoria estratégica Roland Berger, afirma que o foco de adoção está majoritariamente restrito às residências de alto padrão (high-end).

E uma alternativa ecológica da qual ele permanece cético é exatamente a madeira em massa.
“Existe um ágio de preço em relação ao ‘aço verde’, então é possível alcançar uma performance ambiental mais eficiente do ponto de vista de custos usando metal em vez da madeira engenheirada”, argumentou Hayes. “Com metalurgia e concreto, a incorporadora pode construir de forma mais adensada e com gabaritos mais altos. Eu entendo a lógica e o produto tem o seu lugar, mas, em termos de sustentabilidade pura, enquanto houver conteúdo reciclado no aço e no cimento, o VGV final terá uma estrutura de construção mais sustentável.”

A legislação urbana de diferentes praças também continua sendo um entrave à adoção da tecnologia. A título de exemplo, embora existam construções em andamento na Flórida, a Comissão de Construção do estado rejeitou recentemente 22 disposições em seu código de obras que buscavam facilitar os licenciamentos para essa vertente construtiva.

O futuro permanece promissor

A consultoria Mark & Spark Solutions relatou, em maio de 2026, que o mercado dessa técnica construtiva foi avaliado em US$ 390 milhões (cerca de R$ 1,99 bilhão) em 2025.

Além disso, projeta-se que novas regulamentações para restrição de carbono e flexibilizações nos planos diretores locais impulsionarão uma taxa de crescimento anual (CAGR) de 13,1%, atingindo um valuation setorial da ordem de US$ 1,07 bilhão (aproximadamente R$ 5,46 bilhões) até 2033.

Como métrica de comparação: em 2009, existiam apenas três canteiros de obras desse tipo operando nos EUA. Hoje, a organização WoodWorks monitora 2.833 projetos totalmente entregues ou em andamento. Trata-se de um salto vertiginoso de quase 1.000 vezes em um intervalo inferior a duas décadas.

Essa evolução entregará ao mercado espaços de moradia e trabalho que estimulam nosso sistema neurológico e a qualidade de vida. Ao mesmo tempo em que a escalabilidade da madeira engenheirada atua mitigando os riscos de desastres climáticos que ameaçam grande parte da infraestrutura urbana.
Dito isso, as margens e tendências tornam justo prever um horizonte de negócios extremamente otimista para o ativo.

Matéria publicada originalmente em Forbes.com

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Os Bairros de São Paulo Que Lideram as Vendas de Imóveis de Alto Padrão em 2026

Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.

O mercado de imóveis residenciais prontos acima de R$ 3 milhões movimentou R$ 7,78 bilhões em São Paulo no primeiro semestre de 2026, segundo dados da proptech Pilar enviados à Forbes.

O valor representa alta de 10,3% em relação ao mesmo período de 2025. Descontada a inflação de 4,64% no período, medida pelo IPCA, o crescimento real foi de 5,6%.

O segmento fechou 1.210 transações no semestre, aumento de 3,1% sobre as 1.174 registradas no primeiro semestre do ano passado.

Pilar

A comparação com o mercado geral de imóveis prontos mostra a diferença de ritmo entre as faixas de preço: no mesmo período, o total do mercado avançou 4,1% em valor, abaixo da inflação.

O recorte acima de R$ 3 milhões, portanto, cresceu bem mais que a média de São Paulo.

Segundo o estudo, 68% do crescimento do valor movimentado no segmento veio do aumento nos tickets das transações. Os outros 30% vieram do avanço no número de negócios fechados.

O ticket médio passou de R$ 6,01 milhões no primeiro semestre de 2025 para R$ 6,43 milhões neste ano, alta nominal de 7%, equivalente a 2,3% em termos reais.

O estudo da Pilar foi construído a partir das guias de ITBI da Prefeitura de São Paulo. O levantamento considera apenas imóveis residenciais prontos, já individualizados, negociados no mercado de revenda. A evolução real dos valores é calculada pelo IPCA.

A companhia teve desempenho acima do mercado no período, movimentando R$ 2,03 bilhões em Valor Geral de Vendas (VGV) no primeiro semestre de 2026, alta de 50,2% sobre os R$ 1,35 bilhão do mesmo período de 2025.

Vila Nova Conceição lidera o ranking por bairros de São Paulo

A Vila Nova Conceição liderou o mercado de imóveis acima de R$ 3 milhões no primeiro semestre, com R$ 853 milhões movimentados em 119 negócios.

O valor representa alta de 46,6% e o número de transações cresceu 50,6% em relação ao mesmo período de 2025. O ticket mediano do bairro, no entanto, caiu 5,1%, para R$ 5,45 milhões, o que mostra que o resultado veio principalmente do volume de vendas, e não do valor de cada imóvel.

O Itaim Bibi aparece em seguida, com R$ 674 milhões movimentados em 70 negócios.

O número de transações ficou praticamente estável frente às 72 do primeiro semestre de 2025, mas o ticket mediano subiu 24,9%, de R$ 4,60 milhões para R$ 5,75 milhões. Com isso, o valor transacionado no bairro cresceu 21,6%.

Completam os cinco primeiros colocados do ranking Jardim América (R$ 562 milhões em 20 negócios), Jardim Paulista (R$ 516 milhões em 93 negócios e Jardim Europa (R$ 453 milhões em 39 negócios).

O post Os Bairros de São Paulo Que Lideram as Vendas de Imóveis de Alto Padrão em 2026 apareceu primeiro em Forbes Brasil.