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Amazon e Nubank pré-locam espaços antes de entrega; entenda a corrida por escritórios

Biosquare, em Pinheiros. Foto: Reprodução.

O mercado de escritórios de alto padrão em São Paulo atravessa um cenário diferente após a pandemia. O período pós-isolamento vem sendo marcado pelo retorno gradual das empresas aos escritórios e pelo aumento da procura por imóveis de qualidade e bem localizados.

Segundo levantamento exclusivo da Binswanger Brazil, a combinação entre oferta mais restrita e demanda aquecida tem levado algumas companhias a antecipar a contratação de espaços ainda em construção. A estratégia permite garantir localização e padrão construtivo antes mesmo da entrega dos empreendimentos.

Um dos exemplos mais recentes é a Amazon, que contratou 39.229 metros quadrados no Biosquare, em Pinheiros, na capital paulista. Embora a locação tenha sido contabilizada no segundo trimestre deste ano, a pré-locação foi realizada em março de 2025, antes da conclusão do empreendimento.

“A movimentação foi registrada no segundo trimestre deste ano em função da entrega e do habite-se do empreendimento, mas a pré-locação ocorreu em março de 2025”, afirma Simone Santos, sócia-diretora da Binswanger Brazil.

O movimento também aparece em outros empreendimentos de alto padrão. O Cyrela Oscar Freire Corporate, que chegou ao mercado paulistano em agosto, terá sua locação contabilizada no terceiro trimestre.

Antes mesmo da entrega, o Nubank já havia contratado espaços no edifício, enquanto a própria Cyrela definiu que ocupará parte das áreas.

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Empresas antecipam contratos diante da oferta limitada

Entre abril e junho, a locação do Biosquare pela Amazon foi a maior contratação de escritórios registrada em São Paulo. Na sequência, aparecem a Claro Brasil, que alugou 9.590 metros quadrados no Quota Corporate, e a Braskem, com 8.951 metros quadrados contratados no Alto das Nações, segundo a Binswanger.

A movimentação elevou a presença da Amazon no mercado corporativo paulistano. Ao final do segundo trimestre, a companhia havia se tornado a quarta maior ocupante de escritórios da cidade, com aproximadamente 56 mil metros quadrados.

A pré-locação ganha relevância justamente porque empreendimentos entregues com parte relevante das áreas já contratadas têm impacto menor sobre a taxa de vacância. Na prática, parte da demanda é absorvida antes mesmo de o novo estoque chegar oficialmente ao mercado.

Esse comportamento ajuda a explicar a combinação entre novas entregas e uma taxa de espaços vagos ainda reduzida. De acordo com a pesquisa da Binswanger, a vacância dos escritórios em São Paulo ficou em 12,1% no segundo trimestre, o menor nível da série histórica.

Ao mesmo tempo, o preço pedido pelos proprietários continuou avançando e atingiu R$ 138,20 por metro quadrado, também um recorde para o mercado paulistano. O cenário reforça a disputa por imóveis de maior qualidade e localizados em regiões consideradas estratégicas pelas empresas.

Mercado corporativo muda após pandemia

O desempenho do mercado contrasta com as expectativas que surgiram durante a pandemia de Covid-19, quando havia projeções de uma devolução significativa de escritórios diante da expansão do trabalho remoto, diz a Binswanger.

Com a retomada das atividades presenciais e a adoção de modelos híbridos, porém, a demanda passou a se concentrar em imóveis capazes de oferecer localização, infraestrutura e padrão construtivo adequados às novas necessidades das companhias

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Como Sorocaba, Barueri e Ribeirão Preto viraram motores do mercado imobiliário de SP

Recife, Fortaleza e cidades médias ampliam disputa por novos lançamentos

No segmento econômico, voltado a famílias com renda entre R$ 2 mil e R$ 12 mil e imóveis de R$ 115 mil a R$ 575 mil, São Paulo manteve a segunda colocação nacional, atrás apenas de Fortaleza.

Já no médio padrão, destinado a famílias com renda entre R$ 12 mil e R$ 24 mil e imóveis de R$ 575 mil a R$ 811 mil, a capital liderou o ranking pelo terceiro trimestre consecutivo.

No alto padrão, voltado a famílias com renda superior a R$ 24 mil e imóveis acima de R$ 811 mil, a cidade ficou na segunda posição, atrás apenas de Brasília.

O interior avança

Embora a capital continue liderando os segmentos de maior renda, alguns dos movimentos mais expressivos desta edição ocorreram fora dela.

No mercado de alto padrão, Sorocaba avançou 20 posições e entrou no Top 20 nacional. Ribeirão Preto subiu 12 colocações, alcançando a 17ª posição e também passando a integrar o grupo das 20 cidades mais atrativas do país. Campinas (15ª) e Jundiaí (19ª) já figuravam entre as líderes e mantiveram espaço no ranking.

Com isso, o interior paulista passou a ocupar quatro das 20 primeiras posições do ranking nacional de alto padrão, reforçando a consolidação de mercados regionais capazes de absorver novos empreendimentos.

No médio padrão, Barueri foi um dos destaques ao avançar da 20ª para a 14ª posição. Ribeirão Preto aparece logo atrás, em 15º lugar. Segundo os organizadores do IDI, a cidade acumula um salto de 46 posições nos últimos 12 meses, impulsionada pelo bom desempenho comercial de lançamentos mais antigos.

No segmento econômico, Sorocaba subiu sete posições e chegou ao 12º lugar, enquanto Jundiaí avançou para a 13ª posição. Fora do Top 20, Indaiatuba, Presidente Prudente e São José do Rio Preto também registraram avanços relevantes no trimestre.

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Um mercado do tamanho de um estado

Os resultados do índice refletem uma transformação em curso há décadas no estado de São Paulo. A população do interior paulista mais que dobrou nos últimos 40 anos, passando de cerca de 16 milhões para 33 milhões de habitantes. No mesmo período, a capital cresceu de 8,5 milhões para 11,6 milhões de moradores.

O avanço também se reflete na habitação. Entre 1980 e 2020, o número de domicílios no interior saltou de 5,5 milhões para 11,2 milhões. Na cidade de São Paulo, o total passou de 2,8 milhões para 4,5 milhões.

“O interior paulista construiu outra capital”, afirma Frederico Marcondes Cesar, vice-presidente do Interior do Secovi-SP, em entrevista ao InfoMoney.

Segundo ele, infraestrutura, mobilidade, universidades, mão de obra qualificada e atração de empresas ajudam a explicar o desempenho observado nas cidades do interior.

“Hoje cresce todo o interior paulista. Há uma pujança ligada ao agronegócio, às universidades e à atividade industrial. No raio de 100 quilômetros da capital, as pessoas conseguem morar, instalar empresas e permanecer próximas dos grandes centros consumidores”, diz.

Para Marcondes, a pandemia acelerou o movimento de migração para cidades nesse cinturão ao redor da capital, ampliando a demanda por moradia em diferentes faixas de renda e fortalecendo os mercados locais.

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Lançamentos confirmam a tendência

Os dados do Secovi-SP mostram que o movimento identificado pelo IDI não está restrito à demanda. A produção imobiliária também vem acompanhando essa mudança.

Cidades com mais lançamentos residenciais em 2025 (fora da capital)

Cidade Unidades lançadas
Sorocaba 8.310
Indaiatuba 4.899
São José dos Campos 4.749
Campinas 4.526
São José do Rio Preto 3.894
Barueri 3.575
Guarulhos 3.212
Ribeirão Preto 3.144
Fonte: Secovi-SP

Sorocaba liderou os lançamentos residenciais no interior paulista em 2025, com 8.310 unidades, quase o dobro do registrado por cidades tradicionais como Campinas e Ribeirão Preto.

Maiores crescimentos de lançamentos entre 2024 e 2025

Cidade Crescimento
Sorocaba +86%
Indaiatuba +71%
São José dos Campos +69%
São José do Rio Preto +43%
Mogi das Cruzes +35%
Fonte: Secovi-SP

Os números reforçam a leitura do IDI. Sorocaba, que entrou no Top 20 nacional do alto padrão, também foi a cidade com maior volume de lançamentos fora da capital. Já Indaiatuba e São José dos Campos registraram expansão próxima de 70%, enquanto São José do Rio Preto cresceu mais de 40%.

Barueri também chama atenção. Além do avanço no ranking de demanda do médio padrão, a cidade lançou 3.575 unidades em 2025 e acumulou quase 9 mil lançamentos nos últimos três anos.

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Dentro da capital

Se o interior apresentou movimentos relevantes, o recorte da cidade de São Paulo revela um mercado mais estável.

No segmento econômico, a Zona Oeste manteve a liderança pelo quarto trimestre consecutivo, seguida pelas zonas Leste e Sul. Norte e Centro continuaram nas últimas posições.

O mesmo ocorreu no médio padrão. A Zona Oeste permaneceu na liderança, à frente das zonas Sul e Leste, repetindo a configuração observada no trimestre anterior.

No alto padrão, a hierarquia está ainda mais consolidada. A Zona Sul lidera o ranking, seguida pela Zona Oeste. Leste, Centro e Norte completam a classificação. A ordem permanece inalterada há quatro trimestres consecutivos.

Segundo o levantamento, a liderança da Zona Sul é sustentada por indicadores ligados à demanda e à velocidade de vendas dos lançamentos, enquanto a Zona Oeste continua se beneficiando do dinamismo econômico e do forte desempenho comercial dos empreendimentos.

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Recife, Fortaleza e cidades médias ampliam disputa por novos lançamentos

segmento econômico contempla famílias com renda mensal entre R$ 2 mil e R$ 12 mil e imóveis entre R$ 115 mil e R$ 575 mil. O médio padrão considera renda familiar entre R$ 12 mil e R$ 24 mil e imóveis entre R$ 575 mil e R$ 811 mil. Já o alto padrão engloba famílias com renda superior a R$ 24 mil e imóveis a partir de R$ 811 mil.

Embora os primeiros lugares dos rankings permaneçam relativamente estáveis, os dados sugerem um aumento do número de cidades capazes de disputar investimentos imobiliários em diferentes faixas de renda.

“A demanda no Brasil hoje é descentralizada, com oportunidades reais fora dos eixos tradicionais de capitais”, afirma Gabriela Torres, gerente executiva de Dados e Inteligência do Ecossistema Sienge.

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Fortaleza

Fortaleza manteve a liderança nacional no padrão econômico e apresentou avanço simultâneo em dois segmentos, permanecendo entre os principais mercados de médio padrão e retornando ao Top 3 do segmento de alto padrão, da 6ª para a 3ª colocação.

Para os organizadores do índice, o desempenho de Fortaleza reflete uma combinação de fatores econômicos, urbanos e empresariais. Segundo Clausens Duarte, vice-presidente de Habitação de Interesse Social da CBIC, o avanço da capital cearense está ligado à diversificação de sua economia, impulsionada por setores como tecnologia, infraestrutura digital, data centers, energias renováveis e hidrogênio verde.

“Fortaleza não aparece apenas como um mercado que vende bem. A demanda permanece forte, e isso amplia a capacidade de sustentar novos projetos”, afirma Duarte.

Segundo Duarte, a expansão dessas atividades contribui para a geração de empregos qualificados e para o fortalecimento da renda local. “Essas atividades criam empregos qualificados e elevam a renda disponível. O efeito se espalha pelo setor de serviços, predominante nas grandes cidades, fazendo o dinheiro circular e chegando ao mercado imobiliário pela procura direta por moradia e pela confiança necessária para assumir compromissos de longo prazo”, diz.

Recife registrou um dos desempenhos mais consistentes desta edição. A capital pernambucana passou da 9ª para a 5ª posição no segmento econômico, da 15ª para a 4ª colocação no médio padrão e da 14ª para a 7ª posição no alto padrão.

Mesma tendência, explicações diferentes

Apesar do avanço conjunto das duas capitais, os fatores que explicam o desempenho de cada mercado não são os mesmos.

Em Recife, a melhora no segmento econômico foi impulsionada pela procura ativa por imóveis. No médio padrão, o principal motor foi a aceleração das vendas de lançamentos com mais de 12 meses. Já no alto padrão, o crescimento voltou a ser sustentado pela demanda direta por imóveis.

Fortaleza, por sua vez, avançou no alto padrão em razão da forte aceleração da procura ativa por imóveis. Já Maceió, outro destaque do trimestre, saltou da 65ª para a 43ª posição do ranking de alto padrão impulsionada pela melhora na velocidade de vendas de imóveis já disponíveis no mercado.

“Mais do que um movimento homogêneo do Nordeste, o que vemos é uma região com mercados diferentes se fortalecendo por razões diferentes”, afirma Torres.

Na avaliação da executiva, isso amplia o número de mercados que precisam ser monitorados por incorporadoras na definição de novos lançamentos e na escolha do perfil dos empreendimentos.

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Lideranças estáveis

Embora Recife e Fortaleza tenham concentrado as principais movimentações do trimestre, os líderes nacionais permaneceram praticamente inalterados.

Fortaleza manteve a primeira posição no ranking de padrão econômico pelo quarto trimestre consecutivo. São Paulo continuou na liderança do segmento de médio padrão pelo terceiro trimestre seguido. Já Brasília permaneceu na primeira posição entre os empreendimentos de alto padrão.

Segundo o relatório, a estabilidade dos líderes sugere a manutenção dos fundamentos consolidados de demanda, renda e absorção dos lançamentos, mesmo em um ambiente de juros elevados.

Oferta x demanda

A leitura ganha relevância em um momento em que a oferta cresce mais rapidamente do que as vendas. Dados da CBIC mostram que, entre o quarto trimestre de 2024 e o mesmo período de 2025, os lançamentos aumentaram 6,4%, enquanto as vendas avançaram 1,9%, elevando a oferta disponível de imóveis em 8%. Mais recentemente também houve um salto nos estoques de imóveis em São Paulo.

Para José Carlos Martins, membro do conselho consultivo da CBIC, o cenário exige mais precisão das incorporadoras na escolha dos mercados onde irão atuar.

“O mercado continua aquecido, mas o crescimento da oferta exige decisões cada vez mais assertivas. Não basta lançar mais empreendimentos; é preciso identificar onde existe demanda consistente, qual público está comprando e quais características o produto precisa ter para atender esse mercado”, afirma.

Além das capitais

O levantamento também mostra movimentos relevantes em cidades fora dos grandes centros tradicionais.

Petrolina avançou 31 posições no ranking de médio padrão. Sinop ganhou 31 posições no segmento econômico. Niterói protagonizou um dos maiores saltos do trimestre no alto padrão, saindo da 70ª para a 23ª colocação. Barueri continuou avançando apoiada no desempenho comercial de lançamentos mais maduros.

Torres explicou que cada cidade teve seus próprios motivos para os avanços. Niterói foi impulsionada pela aceleração nas vendas de novos lançamentos. Petrolina e Sinop tiveram desempenho associado à demanda direta por imóveis. Barueri avançou com a melhora nas vendas de lançamentos com mais de 12 meses, enquanto Chapecó ganhou posições devido à aceleração nas vendas de novos empreendimentos.

Para a executiva, os dados não apontam necessariamente para uma migração uniforme da demanda para cidades menores, mas para o fortalecimento de mercados regionais que possuem características e motores de crescimento próprios.

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IA muda busca por imóveis e transforma pesquisa por filtros em conversa com cliente

Inovação, tecnologia, startupimóvel para alugar ou comprar. Os filtros foram sendo refinados, tornando a busca cada vez mais assertiva, com limitações de bairro, quartos, preço etc. Mas agora a adoção de novas tecnologias como a Inteligência Artificial promete tornar a odisseia pelo imóvel ideal um pouco mais fácil.  

Uma simples “conversa” com a IA, parecida com a realizada com um corretor real, já permite ao consumidor descrever de forma mais detalhada o imóvel que procura com frases como “quero um apartamento silencioso, perto do metrô e com boa iluminação”, em vez de só selecionar características técnicas. A mudança, que já vem sendo adotada por grandes plataformas imobiliárias no Brasil e no exterior, promete alterar mais uma vez a forma como compradores, locatários e corretores interagem.

Isso é o que demonstra um levantamento realizado pelo DataZAP, braço de inteligência do Grupo OLX, indicando que 8 em cada 10 usuários já utilizam ou enxergam valor na Inteligência Artificial durante a busca por imóveis.

A pesquisa ouviu 1.166 usuários dos portais do grupo como OLX, ZAP Imóveis e Viva Real entre maio e junho deste ano e aponta que a tecnologia é vista principalmente como uma ferramenta para facilitar a descoberta de imóveis compatíveis com o perfil do consumidor.

Segundo o estudo, 80% dos locatários e 77% dos compradores afirmam que a IA agrega valor justamente na etapa de descoberta e curadoria das opções disponíveis, reduzindo o tempo gasto com pesquisas pouco eficientes.

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Para a diretora de Produto (CPO) do Grupo OLX, Lilian Ferraz, a tecnologia ajuda a resolver um dos principais desafios enfrentados por quem procura um imóvel: o excesso de informações. “A Inteligência Artificial foi criada para tornar o primeiro passo da jornada de compra ou locação mais leve e acolhedor. Em vez de navegar por milhares de anúncios, o usuário conversa com a plataforma e recebe sugestões muito mais aderentes ao seu perfil”, explica.

Corrida tecnológica

O avanço da IA nas buscas imobiliárias não é uma iniciativa isolada. Em março deste ano, o QuintoAndar passou a disponibilizar uma experiência integrada ao ChatGPT, permitindo que usuários pesquisem imóveis em linguagem natural diretamente dentro da plataforma da OpenAI. A empresa já havia lançado uma busca conversacional em seu aplicativo no ano anterior, acompanhando uma tendência que também vem sendo adotada por plataformas internacionais como Zillow, Realtor.com e Rightmove.

Mais negócios

Os resultados começam a aparecer também do ponto de vista comercial. Segundo o levantamento do Grupo OLX, usuários que utilizam a busca conversacional na plataforma realizam o dobro de contatos com anunciantes em comparação com aqueles que utilizam apenas os filtros tradicionais.

Na avaliação da empresa, isso acontece porque a Inteligência Artificial reduz o número de imóveis incompatíveis apresentados ao consumidor, tornando a seleção mais assertiva e aumentando as chances de que os contatos evoluam para uma negociação.

Atendimento 24 horas

A Inteligência Artificial também começa a modificar outra etapa importante da jornada imobiliária: o atendimento aos interessados. De acordo com o Grupo OLX, cerca de 60% dos contatos com corretores acontecem fora do horário comercial, justamente quando muitos profissionais não conseguem responder imediatamente.

Para reduzir esse intervalo, a empresa desenvolveu a assistente virtual Izi, capaz de responder dúvidas sobre os imóveis anunciados, prestar informações básicas e até sugerir horários para visitas por meio do WhatsApp.

Segundo a companhia, o tempo médio de resposta caiu de até três dias para poucos segundos, enquanto aproximadamente 25% dos contatos realizados pela ferramenta evoluem para visitas aos imóveis.

Entre os consumidores entrevistados, 32% dos locatários e 25% dos compradores afirmaram que o atendimento é uma das etapas em que a Inteligência Artificial mais agrega valor durante a jornada de compra ou locação.

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Corretor continua essencial

Embora a Inteligência Artificial esteja assumindo tarefas repetitivas e acelerando o processo de busca, o papel dos corretores permanece relevante nas etapas mais complexas da negociação. Enquanto a tecnologia facilita a pesquisa, responde dúvidas iniciais e identifica imóveis compatíveis com o perfil do consumidor, decisões como visitas, negociação de preços, análise documental e fechamento dos contratos continuam dependendo da atuação humana.

Para Lilian Ferraz, a tendência é que a IA funcione como uma ferramenta para reduzir atritos durante a jornada, permitindo que compradores, locatários e corretores concentrem esforços nas etapas que realmente exigem interação pessoal. “O estudo reforça que a IA deixou de ser apenas uma inovação tecnológica para se tornar um recurso capaz de facilitar toda a jornada de compra e locação de imóveis, tornando o processo mais simples, rápido e personalizado”, disse.

O avanço dessas ferramentas indica que o mercado imobiliário digital entra em uma nova etapa, na qual a disputa entre as plataformas passa menos pela quantidade de anúncios disponíveis e mais pela capacidade de entender o que o consumidor procura e entregar resultados personalizados em poucos segundos.

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Wellness Acessível? Conheça Três Projetos Imobiliários nos EUA Que Não Chegam na Casa do Milhão

Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.

Imóveis voltados ao wellness há muito tempo estão associados aos americanos mais ricos.

Mas, assim como os itens de conforto tradicionalmente aparecem primeiro em veículos de luxo antes de chegar a modelos mais acessíveis, o mercado imobiliário focado em wellness deixou de se restringir a condomínios residenciais exclusivos e passou a oferecer empreendimentos com preços mais acessíveis.

Mas quão razoáveis são esses preços? Em um dos empreendimentos, os valores iniciais estão na faixa dos US$ 300 mil (cerca de R$ 1,53 milhão), enquanto, em outro, começam na casa dos US$ 400 mil (cerca de R$ 2,04 milhões).

Eles são dois de um trio de comunidades no sudeste da Flórida que mostram que um projeto voltado ao wellness não precisa custar US$ 1 milhão (cerca de R$ 5,1 milhões) ou mais, nem ser reservado a uma pequena parcela da população.

No House of Wellness, no bairro de Brickell, em Miami; no Oasis Hallandale, em Hallandale Beach; e no Sunbridge, na região de St. Cloud-Lake Nona, próxima a Orlando, os moradores podem usufruir das mais recentes tecnologias e práticas desenvolvidas para promover saúde e wellness, além de contribuir para ampliar os anos de vida e o período de vida saudável dos residentes.

House of Wellness

A North Development, parceria entre a Oak Capital e a peruana Edifica, voltada ao segmento de luxo acessível em cidades de alta demanda, criou esta torre residencial de 34 andares, localizada na 152 SW 9th Street.

O empreendimento conta com 665 residências. Seus 22 mil pés quadrados de áreas dedicadas ao bem-estar holístico, equivalentes a aproximadamente 2.044 metros quadrados, são estruturados em torno de cinco pilares: bem-estar físico; mental e emocional; social; intelectual; e nutricional. Entre os recursos oferecidos estão uma ampla academia e espaços de convivência.

Segundo Ricardo Dunin, sócio-fundador da North Development, “os compradores podem integrar saúde, recuperação e um design pensado para o wellness ao seu ambiente de vida cotidiano”.

O wellness está incorporado à operação do edifício por meio do Integrated Wellness Method, método criado pela incorporadora.

A abordagem inclui avaliações físicas e programas orientados para a integração entre corpo e mente na programação cotidiana do edifício, além de manter profissionais especializados em bem-estar no local.

Os preços das residências do House of Wellness começam na faixa dos US$ 400 mil mais altos (cerca de R$ 2,04 milhões), oferecendo uma alternativa residencial focada na saúde que pode ser acessível a um amplo espectro de compradores.

Sunbridge

Localizado a sudeste de Orlando e abrangendo o sudeste do condado de Orange e o norte do condado de Osceola, o Sunbridge é uma comunidade planejada de aproximadamente 109,3 milhões de metros quadrados, próxima à região de Lake Nona, a cerca de 12 a 20 minutos ao sul do Aeroporto Internacional de Orlando.

O projeto da Tavistock Development Company é descrito como uma “naturehood”, conceito que conecta áreas residenciais a 52,6 milhões de metros quadrados de terras preservadas. O endereço do Basecamp Information Center é 6197 Cyrils Drive, no subúrbio de St. Cloud, em Orlando. No local, potenciais compradores descobrem que os preços das residências no Sunbridge começam em US$ 300 mil (cerca de R$ 1,53 milhão).

Um dos fundadores do Sunbridge foi o cientista e autor Doug Tallamy, que estabeleceu como missão do empreendimento utilizar paisagismo com espécies nativas e design sustentável para restaurar a biodiversidade. A comunidade representa a primeira parceria entre incorporadoras imobiliárias e conservacionistas com o objetivo de promover a conservação em larga escala.

“Acreditamos que o acesso ao ar livre, seja por meio de trilhas, água ou espaços abertos, desempenha um papel importante no wellness”, afirma Clint Beaty, vice-presidente sênior de operações da Tavistock Development Company.

Oasis Hallandale

Com endereço na 1110 East Hallandale Beach Blvd., no norte do subúrbio de Hallandale Beach, em Miami, o empreendimento de uso misto ocupa aproximadamente 40,5 mil metros quadrados, e conta com duas torres de 25 andares que oferecem cerca de 500 unidades residenciais, além de áreas comerciais e de escritórios. Localizado no coração de Hallandale Beach, o projeto fica próximo aos parques South City Beach Park, North City Beach Park e ao Gulfstream Park.

O Oasis Fit, centro de wellness e fitness do empreendimento, oferece treinamento físico de alto desempenho, enquanto o Biocell Lab disponibiliza meia dúzia de serviços de biohacking, entre eles crioterapia, câmara hiperbárica, sauna infravermelha e o sistema de treinamento de força ARX Omni, além de tecnologias como a terapia Pulse XL.

Outro sistema de exercícios, o Vasper, oferece uma sessão de 21 minutos de exercícios de baixo impacto que combina compressão, resfriamento por líquido e treinamento intervalado realizado em bicicletas reclinadas.

Esses tratamentos de recuperação física e otimização de desempenho, baseados em tecnologia e fundamentos científicos, são supervisionados por profissionais certificados e têm como objetivo promover a saúde integral e o desempenho atlético.

As residências do Oasis Hallandale têm preços a partir de aproximadamente US$ 750 mil (cerca de R$ 3,83 milhões).

Reportagem publicada originalmente em Forbes.com

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Fundador da Wise Up, Flavio Augusto, compra imóvel de R$128 mi nas Bahamas; conheça

  • LEIA MAIS: Economia da experiência inaugura nova fase do mercado imobiliário
  • O novo imóvel de Augusto possui cerca de 1.400 metros quadrados de área construída, com projeto desenhador pelo escritório sul-africano SAOTA. No site oficial do complexo imobiliário, a região da ilha de New Providence, nas Bahamas é descrita como uma oportunidade de manter imóveis em ambiente tributário favorável, um governo estável e um clima subtropical agradável.

    São 240 hectares que variam de terrenos para construção de casas personalizadas ao longo do campo de golfe de campeonato, à residências modernas à beira da marina e vilas espaçosas.

    Foto: Divulgação Albany
    Foto: Divulgação Albany

    O condomínio ainda reúne complexo esportivo, restaurantes, escola internacional e aeroporto para aeronaves particulares.

    Para o dono da Wise Up, que já viveu em sete países e investe há quase 20 anos no mercado imobiliário internacional, a compra nas Bahamas mostra um movimento cada vez mais comum entre os investidores de alta renda: a busca por ativos imobiliários em mercados estáveis e com exposição internacional.

    No caso das Bahamas, o país reúne vantagens como a proximidade com os Estados Unidos, segurança e infraestrutura voltada ao público de alta renda.

    Atualmente, Flávio Augusto mantém ativos imobiliários no Brasil, Estados Unidos, Portugal e Bahamas.

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    Shopee avança em MG com projeto logístico de R$ 400 milhões

    A Shopee fechou a locação de um galpão de aproximadamente 110 mil metros quadrados na terceira fase do BRZ040 Logistics Park, em Ribeirão das Neves (MG), segundo fontes a par do assunto. Com isso, a empresa entra no maior complexo logístico da Região Metropolitana de Belo Horizonte, ampliando sua estratégia de expansão da malha de distribuição no Brasil.

    O empreendimento é desenvolvido pela Barzel Properties e, quando totalmente concluído, deverá reunir cerca de 220 mil metros quadrados de área locável, em um projeto estimado em aproximadamente R$ 1,1 bilhão.

    De acordo com as informações obtidas por fontes, o contrato firmado com a Shopee contempla um modelo built-to-suit (BTS), no qual o imóvel é desenvolvido de acordo com as necessidades operacionais da empresa.

    O galpão ocupado pela empresa asiática integra a terceira fase do BRZ040 Logistics Park e recebeu investimentos de aproximadamente R$ 400 milhões.

    As obras dessa etapa, diz uma fonte, já foram iniciadas e a previsão é que sejam concluídas até o fim do segundo semestre deste ano.

    Leia Mais: Selic coloca FIIs mais arriscados na berlinda; veja o que derrubou alguns fundos

    Procuradas pelo InfoMoney, Shopee e a Barzel Properties não se pronunciaram sobre a operação até a publicação desta matéria.

    Complexo já abriga operação da Amazon

    O BRZ040 Logistics Park já conta com operações de grandes empresas, sendo um dos principais polos logísticos de Minas Gerais. A chegada da Shopee amplia a lista de inquilinos do empreendimento, que já possui a Amazon entre seus ocupantes.

    Localizado às margens da BR-040, o condomínio oferece módulos Triple A e acesso estratégico à Região Metropolitana de Belo Horizonte.

    A terceira fase do projeto representa um dos principais vetores de expansão do parque logístico.

    Com isso, o avanço da ocupação acompanha o bom momento do setor logístico brasileiro, marcado por baixos níveis de vacância e pela continuidade da demanda de empresas de comércio eletrônico por ativos próximos aos grandes centros consumidores.

    Mercado Livre e Shopee puxam 9 das 10 maiores locações de galpões logísticos no 2T26

    O mercado brasileiro de galpões logísticos e industriais segue operando em ritmo acelerado. Levantamento da Binswanger Brazil mostra que 70% dos empreendimentos de padrão A e A+ previstos para entrega no terceiro trimestre já estão pré-locados, o maior patamar registrado pela consultoria. No segundo trimestre, Shopee e Mercado Livre responderam por nove das dez maiores locações.

    Na avaliação de Simone Santos, sócia-diretora da consultoria, empresas interessadas em novos espaços precisarão ampliar o horizonte de planejamento para garantir imóveis com localização e características desejadas.

    “Ocupantes que não se planejarem com, pelo menos, 18 meses de antecedência não conseguirão encontrar espaços. O planejamento de alugar um galpão requer cada vez mais tempo”, afirmou a executiva.

    De acordo com a Binswanger, a vacância dos galpões industriais e logísticos de alto padrão caiu para 5,5% no segundo trimestre, o menor nível já registrado pela consultoria.

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    Shopee vem realizando parcerias com fundos imobiliários

    A nova operação em Ribeirão das Neves também se soma a uma série de contratos firmados pela Shopee com fundos imobiliários nos últimos meses, à medida que a companhia acelera a expansão de sua infraestrutura logística no Brasil.

    Em julho, o TRBL11 (Tellus Rio Bravo Renda Logística) anunciou a locação integral de um galpão em Contagem (MG) para a plataforma de comércio eletrônico.

    O contrato, firmado por meio da SHPX Logística, tem prazo de 60 meses e passou a fazer da Shopee responsável por 34,4% da receita imobiliária contratada do fundo.

    Fora isso, o TRXF11 (TRX Real Estate) também comunicou o início das obras de um novo centro logístico em Londrina (PR), que será desenvolvido sob medida para a Shopee em um modelo built-to-suit (BTS).

    O investimento previsto é de aproximadamente R$ 135,5 milhões, e o imóvel será ocupado por meio de um contrato atípico com prazo de 120 meses. A entrega do empreendimento está prevista para julho de 2027.

    Para Anita Scal, diretora de Fundos Imobiliários da Rio Bravo, o crescimento da Shopee acompanha uma tendência observada em todo o segmento logístico.

    “A gente tem visto uma demanda muito grande por galpões novos, principalmente bem localizados. A Shopee tem expandido bastante e o Mercado Livre também. O Mercado Livre ainda continua sendo maior em número de áreas locadas, mas a Shopee vem aumentando a presença”, afirma.

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    Anúncios online e facilidade do Pix abrem portas para golpes de falso aluguel

    IGP-M: O que é e como é calculada a chamada inflação do aluguel?

    O episódio não é isolado. Conselhos Regionais de Corretores de Imóveis (Crecis) e entidades do setor em todo o país vêm alertando para o aumento da sofisticação das fraudes imobiliárias. Segundo o CRECI-SP, criminosos utilizam falsas intermediações, anúncios clonados, documentos adulterados e pedidos de pagamento antecipado para dar aparência de legalidade a negociações inexistentes.

    Para Gyselle Campos Rodrigues, diretora comercial da imobiliária URBS Aluga, os criminosos passaram a explorar justamente a confiança que o ambiente digital transmite aos consumidores. “Hoje eles copiam fotos de imóveis reais, reproduzem anúncios, criam sites muito parecidos com os de imobiliárias e chegam a se apresentar como proprietários ou corretores. Por isso, a aparência de profissionalismo já não é suficiente para garantir que uma negociação seja verdadeira”, afirma.

    Sinal de alerta

    Uma das estratégias mais utilizadas pelos golpistas é anunciar imóveis por valores muito abaixo dos praticados na mesma região. A falsa oportunidade normalmente vem acompanhada de um discurso de urgência, alegando que existem outros interessados e que o imóvel será alugado rapidamente caso o pagamento não seja realizado imediatamente.

    Entre os principais sinais de risco estão pedidos de Pix antes da assinatura do contrato, atendimento realizado exclusivamente por aplicativos de mensagens e dificuldade para comprovar quem é o proprietário ou o corretor responsável pela negociação.

    “Se houver pressão para realizar uma transferência imediata, sem tempo para conferir documentos e informações, o consumidor deve desconfiar. Uma negociação segura acontece com transparência e sem pressa”, afirma Gyselle.

    Visitar o imóvel não elimina risco

    Conhecer pessoalmente o apartamento ou a casa continua sendo importante, mas já não basta para garantir que a negociação seja legítima. O Creci-GO alerta que criminosos chegam a copiar chaves durante visitas, anunciam imóveis reais em plataformas digitais por preços muito abaixo do mercado e exigem depósitos antecipados, desaparecendo após receber o dinheiro.

    Por isso, além da visita, especialistas recomendam confirmar quem é o proprietário, verificar se o corretor possui registro profissional e confirmar se ele realmente está autorizado a intermediar aquela locação.

    Nos casos de apartamentos, outra medida simples pode evitar prejuízos, como procurar a administração do condomínio para confirmar se o imóvel está realmente disponível para aluguel e se o profissional responsável pela negociação possui autorização do proprietário.

    Como verificar se a negociação é verdadeira

    Antes de efetuar qualquer pagamento, o consumidor deve adotar alguns cuidados:

    • verificar se a imobiliária possui registro no Creci, CNPJ, endereço físico e canais oficiais de atendimento;
    • pesquisar a reputação da empresa e avaliações de outros clientes;
    • conferir cuidadosamente o contrato e a documentação do imóvel;
    • confirmar as informações diretamente pelos canais oficiais da imobiliária, e não apenas pelo telefone informado no anúncio.
    • confirmar se o corretor possui inscrição ativa no Conselho Regional de Corretores de Imóveis e também se quem conduz a negociação possui autorização formal do proprietário para oferecer o imóvel.

    Leia Mais: Inadimplência do aluguel recua em junho, mas pequenos negócios seguem sob pressão

    Caiu no golpe? Saiba como agir

    Caso a fraude seja descoberta após a transferência, a orientação é agir imediatamente. O primeiro passo é registrar um boletim de ocorrência e comunicar a instituição financeira responsável pela transferência para tentar bloquear ou rastrear os valores enviados.

    Também é fundamental preservar anúncios, comprovantes de pagamento, contratos, conversas, áudios e demais documentos relacionados à negociação, que poderão auxiliar na investigação policial.

    Segundo Gyselle, quanto mais rapidamente essas providências forem adotadas, maiores são as chances de contribuir para a identificação dos responsáveis e, eventualmente, recuperar parte dos recursos.

    Para a especialista, a atuação de uma imobiliária profissional não se resume à apresentação do imóvel. Segundo ela, a intermediação envolve análise documental, conferência das informações, orientação jurídica e acompanhamento da relação entre proprietário e inquilino durante toda a locação.

    “Alugar um imóvel envolve patrimônio, moradia e tranquilidade. Muitas pessoas acabam assumindo riscos em busca de um preço aparentemente melhor, mas essa economia pode resultar em prejuízo financeiro e muita dor de cabeça”, disse.

    Na avaliação da diretora, negociar com profissionais habilitados continua sendo a principal forma de reduzir os riscos, porque ele agrega segurança. “Antes de fechar qualquer negócio, pesquise a empresa, confirme as informações e negocie com profissionais habilitados.”

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    Mercado imobiliário vai bem, mas os FIIs nem sempre acompanham; entenda por quê

    Apesar dos fundamentos do mercado imobiliário mostrarem sinais consistentes de recuperação, o desempenho dos fundos imobiliários na Bolsa nem sempre acompanha esse movimento no curto prazo. Para Fernando Didziakas, sócio-fundador e diretor da Buildings, é fundamental que o investidor diferencie a evolução do mercado imobiliário da precificação dos FIIs.

    Segundo o executivo, indicadores como queda da vacância, valorização dos aluguéis e aumento da demanda refletem a saúde dos ativos imobiliários, mas o comportamento das cotas também depende de fatores financeiros e macroeconômicos, como juros, fluxo de capital e percepção de risco dos investidores.

    “Quando a gente fala de mercado imobiliário, está falando dos fundamentos do investimento. Mas, quando você compra uma cota de um fundo imobiliário, existem outros fatores que influenciam esse investimento além da qualidade do imóvel”, afirmou no programa do Liga de FIIs, doInfoMoney.

    Didziakas comenta que, ao analisar um fundo imobiliário, o investidor precisa considerar aspectos como o momento de entrada e saída, o cenário econômico e as condições do mercado financeiro, e não apenas a qualidade dos ativos que compõem o portfólio.

    Leia Mais: Selic coloca FIIs mais arriscados na berlinda; veja o que derrubou alguns fundos

    Setor imobiliário continua sendo um mercado de longo prazo

    Segundo o diretor da Buildings, o mercado imobiliário permanece como uma das classes de ativos mais resilientes do mundo. Ele lembra que grandes investidores institucionais mantêm participação relevante em imóveis justamente pela capacidade desse mercado de preservar valor ao longo do tempo.

    “É um mercado milenar, que existe desde que a sociedade existe. As pessoas sempre vão precisar de imóveis para morar, trabalhar e produzir. É um dos mercados mais robustos que existem”, disse.

    Didziakas também reforça que a valorização dos imóveis tende a ocorrer em horizontes mais longos, característica que muitas vezes contrasta com a volatilidade observada diariamente nas cotas dos fundos imobiliários negociados na Bolsa.

    “A cota é reprecificada a cada segundo. Ela reage ao que acontece na economia, aos juros e até ao cenário internacional. Isso gera ansiedade no investidor, mas não significa que os fundamentos do mercado imobiliário tenham piorado”, explicou.

    Fundamentos seguem positivos

    Para o executivo, os indicadores do mercado imobiliário corporativo apontam para uma continuidade da recuperação observada nos últimos anos, especialmente em segmentos como escritórios e logística.

    Por isso, ele defende que o investidor avalie os fundamentos dos imóveis separadamente do comportamento de curto prazo das cotas negociadas na Bolsa.

    “O mercado imobiliário segue dando sinais muito positivos. O importante é conseguir desatrelar os fundamentos dos ativos da dinâmica do mercado financeiro, porque são duas coisas diferentes”, concluiu.

    Leia Mais: FII TRXF11 quer captar até R$ 5 bi para comprar imóveis ligados ao Grupo Cyrela

    Confira o episódio completo na edição desta semana do Liga de FIIs. O programa vai ao ar todas as quartas-feiras, às 18h, no canal do InfoMoney no Youtube. Você também pode rever todas as edições passadas. 

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    Como o Retrofit Valorizou Imóveis em Mais de 120% em São Paulo

    Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.

    A etimologia da palavra retrofit remonta ao período entre 1940 e 1950. A palavra é uma mescla entre retroactive e refit, e tem seus primeiros usos na indústria bélica. Durante a Segunda Guerra Mundial, retrofitar se tornou uma necessidade, dado que os aviões e navios ficavam obsoletos antes mesmo de suas construções terminarem. Portanto, era necessário colocar atributos novos em um arcabouço antigo.

    Não muito tempo depois, o conceito de retrofit foi extrapolado para a construção civil e arquitetura. Segundo a editora americana Merriam-Webster, retrofit é “adaptar para um novo propósito ou necessidade; modificar”.

    No fim da primeira década do século XXI, um dos prédios mais emblemáticos do Ocidente passou por um retrofit. O Empire State Building, entre 2009 e 2013, passou por reformas que custaram US$ 550 milhões e integraram um pacote chamado de Empire State Rebuilding.

    Destes, US$ 106 milhões estavam relacionados à parte de energia — uma prioridade no projeto, que veio a gerar uma economia de US$ 4,4 milhões por ano, com redução de 38% no uso de energia e prevenção de 105 mil toneladas métricas de CO2 ao longo de 15 segundo a Urban Land Institute (ULI).

    Os retrofits, de fato, são mais usuais em cidades como Nova York. Nos grandes centros urbanos e nas big cities estão os maiores estoques de edifícios antigos e historicamente relevantes, que demandam uma modernização planejada e que preserve os traços originais.

    A predileção por esse tipo de projeto, obviamente, também serve à questão econômica.

    O Empire State Building se tornou um dos principais casos de retrofit em edifícios comerciais
    Empire State BuildingO Empire State Building se tornou um dos principais casos de retrofit em edifícios comerciais

    Em áreas centrais de grandes cidades, os preços dos terrenos são ascendentes e demolir algo e construir de novo raramente compensa financeiramente comparado a reformar o que já existe.

    Ao mesmo tempo, reformas bem executadas impulsionam o preço dos imóveis.

    O Relatório “Renovate, Retrofit, Reuse: Uncovering the Hidden Value in America’s Existing Building Stock”, publicado pelo American Institute of Architects (AIA), aponta que 94% dos proprietários acreditam que seus edifícios passaram a valer mais após um retrofit sustentável.

    À época do levantamento, há sete anos, os retrofits e adaptações também já representavam 43% de todo o faturamento dos escritórios de arquitetura dos Estados Unidos.

    A 7,7 mil quilômetros de distância dos arranha-céus de Nova York, os retrofits deram novos ares e novas cores a edifícios antigos em São Paulo.

    No aspecto econômico, proprietários e investidores enxergam valorizações na casa dos três dígitos percentuais com projetos bem-sucedidos.

    Ao mesmo tempo, os retrofits são causa e consequência da valorização de regiões inteiras — e um vetor relevante para que o Centro da cidade de São Paulo se tornasse a região que mais valorizou na última meia década.

    Retrofit bem-sucedido pode mais do que dobrar o preço de um imóvel

    Gustavo Saraiva é engenheiro civil e cofundador da Dupllex, uma empresa que é especializada em retrofitar imóveis específicos: coberturas, do inglês penthouse.

    Em entrevista à Forbes, Saraiva relata que a média de valorização dos projetos ultrapassa os 120%.

    A cobertura retrofitada na Rua Haddock Lobo tem 338 m², três suítes e área externa com jacuzzi
    DupllexA cobertura retrofitada na Rua Haddock Lobo tem 338 m², três suítes e área externa com jacuzzi

    “Às vezes pegamos um apartamento que ficou parado durante quatro ou cinco anos e fazemos a compra. No terceiro ou quarto mês da reforma, já conseguimos revender o apartamento. A média de valorização fica entre 120% e 130% do valor de compra.”

    Mais do que modernizar os imóveis, a Dupllex mexe nas arestas principais, mas ainda preservando o arcabouço do imóvel.

    Nesse sentido, a companhia visa mudanças que vão de estrutura de hidráulica, elétrica e automação, até redesenhar o uso dos espaços de um imóvel, adaptando-o para os tempos e costumes contemporâneos.

    “Se você olhar uma cobertura antiga de 40 ou 50 anos no Jardins [bairro de São Paulo], você tem aquela churrasqueira que fica lá na ponta da área externa, depois uma escada para subir ao pavimento superior, algo totalmente compartimentado. Propomos uma remodelação disso, fazemos uma modelagem completa. A gente mexe em posição de piscina, posição de escada. A ideia é fazer uma integração completa dos ambientes para transformar esse apartamento nas configurações de uso dos dias de hoje”.

    Saraiva ainda defende que a companhia acaba indo “na contramão das incorporadoras”, visto que moderniza os edifícios e causa valorização dos imóveis sem trazer um impacto estrutural aos bairros.

    “Em Pinheiros, por exemplo, se você anda em um quadrilátero de duas ou três quadras, você tem seguramente de 15 a 20 prédios sendo construídos. Isso vai ‘roubando’ muito a configuração do bairro. Você deixa de ter posto de gasolina, padaria e farmácia para dar vazão a prédios novos. Eu acho que o nosso trabalho vai um pouco na contramão disso”, diz.

    “A gente está pegando o que é antigo e transformando e já preparando isso para novas famílias, sem que a gente tenha uma interferência negativa nos bairros”, completa.

    A joia na Haddock Lobo

    A tese da companhia sobre os bairros de São Paulo também leva em conta que um retrofit é mais bem aceito por moradores de algumas regiões em detrimento de outras.

    Como projeto mais emblemático do portfólio, Saraiva cita uma cobertura reformada na Rua Haddock Lobo, uma via no bairro dos Jardins conhecida por abrigar lojas sofisticadas e restaurantes renomados. É por lá que fica o célebre Figueira Rubaiyat.

    O projeto reorganizou a planta do imóvel para integrar melhor os ambientes da cobertura
    O projeto reorganizou a planta do imóvel para integrar melhor os ambientes da cobertura

    Segundo o executivo, a cobertura não venderia facilmente se fosse exatamente como é em outro bairro.

    “O prédio tem 60 anos, é super bem cuidado, muito bonito e em uma ótima localização. Só que se você pegar esse prédio e jogar no Itaim Bibi, provavelmente iríamos demorar muito para vender o apartamento. Acho que as pessoas, por exemplo, no Itaim Bibi ou Vila Nova Conceição, buscam prédios um pouco mais novos”, comenta.

    “Temos que ter uma inteligência de saber qual que é o produto certo para aquele bairro buscando sempre liquidez”, completa, citando que liquidez acaba sendo um fator ainda mais relevante em um cenário de juros básicos de dois dígitos.

    A cobertura que passou por retrofit tem 338 metros quadrados, com três suítes, duas vagas de garagem, espaço gourmet e uma área externa com jacuzzi.

    A cobertura foi vendida por R$ 10,08 milhões — portanto, cada metro quadrado custou R$ 29,8 mil ao comprador.

    Com sete décadas de história, Edifício Virginia abraça a modernidade

    Localizado na Rua Martins Fontes, número 197, o Edifício Virginia já tem 97% das suas unidades vendidas. O prédio traz a assinatura de José Augusto Bellucci, um dos arquitetos preferidos da família Matarazzo.

    Com mais de 70 anos de história, o edifício é retrofitado pela Somauma, que atua no desenvolvimento imobiliário e incorporação focada em retrofit de prédios vazios ou subutilizados.

    O projeto restaurou a fachada modernista e remodelou apartamentos de 26 m² a 182 m²
    SomaumaO projeto restaurou a fachada modernista e remodelou apartamentos de 26 m² a 182 m²

    O projeto inclui a restauração da fachada modernista do prédio, em conjunto com uma remodelação dos apartamentos — cujas metragens vão de 26 a 182 metros quadrados. Além disso, a restauração inclui academia, lavanderia e bicicletário.

    No térreo, lojas serão reabertas para a calçada e será criada uma galeria conectando as ruas Martins Fontes e Álvaro de Carvalho. O edifício também deve ganhar um bosque de espécies nativas na cobertura e um restaurante com vista para cidade, aberto ao público.

    Marcelo Falcão, Arquiteto Urbanista e cofundador da Somauma, relata que as unidades do Virginia foram lançadas na faixa dos R$ 11 mil, mas as revendas superam os R$ 16 mil.

    Anúncios online mostram preços de imóveis que vão dos R$ 520 mil aos R$ 2,56 milhões no Edifício Virginia.

    No total, a Somauma tem seis anos de história e cinco projetos no portfólio.

    Falcão relata que as políticas públicas da capital paulista impulsionaram os retrofits, ajudando a equilibrar a equação financeira, visto que os custos das reformas não são necessariamente baixos — o custo médio da Somauma fica na casa dos R$ 6,5 mil por metro quadrado, apenas na construção, sem considerar custos adicionais.

    “Em geral, são empresas menores que fazem retrofits. Gigantes do mercado não querem fazer. Por conta disso, o acesso ao crédito é mais difícil e os custos são elevados”, diz.

    “As políticas públicas ajudaram a equilibrar essa conta”, completa.

    Em São Paulo, o Programa Requalifica Centro (Lei nº 17.577) foi o primeiro grande marco legal voltado a tornar economicamente viável a requalificação de edifícios antigos na região central. A legislação promoveu simplificação do licenciamento, flexibilização de regras urbanísticas, isenção de taxas municipais e possibilidade de mudança de uso — permitindo, por exemplo, transformar antigos escritórios em apartamentos.

    As revendas das unidades já superam R$ 16 mil por metro quadrado, segundo a Somauma
    SomaumaAs revendas das unidades já superam R$ 16 mil por metro quadrado, segundo a Somauma

    Em 2022 essa lei foi regulamentada e, ainda no mesmo ano, a gestão da capital paulista fez a criação da Área de Intervenção Urbana (AIU) do Setor Central (Lei nº 17.844), que ampliou a estratégia de revitalização, integrando retrofit, habitação, mobilidade e recuperação patrimonial, além de abrir caminho para novos instrumentos financeiros.

    Segundo Falcão, desde então os projetos têm crescido, mas ainda há espaço para muito mais — inclusive fora da maior cidade da América Latina.

    “É um mercado muito novo, ainda há muito espaço, só no Centro Expandido há muita coisa. A cidade [São Paulo] não tem para onde crescer. O Rio de Janeiro também tem olhado para isso. O Brasil todo está discutindo este tema”, diz, em entrevista, enquanto voltava de uma reunião em Salvador, na Bahia, justamente para discutir o tema dos retrofits.

    “Bons projetos conversam com o entorno”

    Pedro Coimbra, arquiteto carioca que hoje transita entre o Rio e São Paulo, defende que os projetos bem-sucedidos são os que respeitam os arredores.

    Criador do Museu Darcy Ribeiro e com participações na CASACOR Rio e CASACOR São Paulo, ele diz à Forbes que a grande vantagem do retrofit é trazer uma novidade para a fachada e bairro, e ao mesmo tempo respeitar o que há ao lado.

    “Um bom projeto de retrofit, penso eu, que seja um projeto que olhe para o entorno e converse com a cidade. Trazendo unidade, identidade e estética para o dia a dia das pessoas que passam por perto. Além de podermos sempre trazer elementos arquitetônicos característicos da cidade e do país”, comenta.

    “Um retrofit não significa apenas mudar a fachada, mas também preservar a história trazendo elementos novos e de conservação”, adiciona.

    Boom dos preços no Centro de São Paulo

    Na esteira das políticas públicas de incentivos e do olhar da indústria para esse tipo de projeto, os retrofits foram uma das grandes molas propulsoras que fizeram do Centro de São Paulo a região mais valorizada desde 2021.

    Segundo dados da Dataland, startup brasileira de inteligência de dados, a região central apresentou uma apreciação de 67% nos últimos cinco anos.

    Por lá, o metro quadrado saiu de R$ 10 mil em 2021 para mais de R$ 16,8 mil no segundo trimestre deste ano.

    As cinco regiões que mais valorizaram em São Paulo desde 2021

    1. Centro — 67,4%
    2. Leste — 48,4%
    3. Norte — 42,1%
    4. Oeste — 31,4%
    5. Sul — 20,4%

    Segundo Audrey Ponzoni, diretor de Inteligência comercial na Lello Condomínios, o boom dos retrofits aumentou drasticamente a liquidez e os preços na região.

    “A venda foi bastante acelerada e esse movimento começou a puxar o valor dos terrenos de volta para cima”, diz, em entrevista à Forbes.

    Além disso, o retrofit também ganha atratividade com a melhora do entorno.

    Os números da Segurança Pública de São Paulo (SSP) indicam que a região do Centro de São Paulo registrou no ano de 2025 o menor número de roubos desde 2001, início da série histórica.

    Ponzoni avalia que com mais policiamento e o sistema de monitoramento com câmeras da prefeitura, as pessoas “se encorajaram a se mudar para o Centro” — seja em um apartamento antigo, seja em um retrofit.

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