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Novo funding imobiliário será colocado à prova na era dos juros de quase 15%

Com demanda por imóveis forte e disponibilidade imediata de recursos para financiamento, a preocupação do setor de crédito imobiliário passou a ser a transição para um novo modelo de funding que começará a ganhar relevância a partir de 2027, em um momento de juros de mercado mais elevados do que os observados quando as regras foram desenhadas e previsões pouco otimistas de cortes.

Dados divulgados nesta terça-feira (28) pela Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) mostram que as concessões de crédito imobiliário somaram R$ 180,9 bilhões no primeiro semestre de 2026, alta de 23% em relação aos R$ 147,1 bilhões registrados no mesmo período do ano passado. Ao todo, cerca de 850 mil imóveis foram financiados entre janeiro e junho.

O resultado ficou acima das expectativas da própria entidade, que está revisando suas projeções para 2026 e deve anunciar novos números na próxima semana.

Contudo, para além dos resultados, a associação falou sobre desafios que poderão surgir na próxima etapa da expansão do crédito habitacional. “A poupança permanece central para o financiamento imobiliário, mas vem sendo cada vez mais complementada por instrumentos de captação a mercado”, afirmou o presidente da Abecip, Michel Cury.

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Crédito cresce, mas funding passa por transformação

Como já é amplamente discutido, parte da transformação do financiamento do setor imobiliário está relacionada ao esvaziamento da sua principal fonte de recursos na história: a poupança – cujos recursos são parcialmente direcionados pelos bancos para operações habitacionais. A poupança acumulou perdas líquidas de R$ 273 bilhões nos últimos cinco anos e registrou saques líquidos de R$ 31 bilhões apenas no primeiro semestre de 2026.

Ao mesmo tempo, a carteira de crédito imobiliário continuou crescendo. Segundo a Abecip, a carteira imobiliária vinculada ao sistema alcançou R$ 601 bilhões e já equivale a 121% dos recursos da poupança destinados ao financiamento habitacional, ante 78% em 2020.

Na prática, isso significa que o mercado vem dependendo cada vez mais de recursos captados junto a investidores por meio de instrumentos como Letras de Crédito Imobiliário (LCIs), Letras Imobiliárias Garantidas (LIGs) e Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs).

“Esse indicador não representa falta de recursos. Ele mostra que a carteira cresceu mais do que a parcela tradicionalmente direcionada pela poupança”, disse Cury durante a coletiva.

O que é o novo modelo de funding que começa a valer em 2027?

A mudança foi desenhada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e pelo Banco Central justamente para preparar o financiamento imobiliário para um cenário em que a poupança deixa de ser suficiente para sustentar sozinha o crescimento do setor.

A lógica do novo modelo é reservar os recursos mais baratos provenientes da poupança para os financiamentos enquadrados no Sistema Financeiro da Habitação (SFH), atualmente destinado a imóveis de até R$ 2,25 milhões. Já as operações acima desse limite tendem a depender cada vez mais de funding captado diretamente no mercado.

Durante a sessão de perguntas, Cury afirmou que essa transição já está sendo acompanhada de perto pela entidade.

“O que a gente tem feito é acompanhar essa transição para o novo modelo de funding que passa a valer em 2027”, disse. Segundo ele, os imóveis enquadrados no SFH continuarão contando com suporte dos recursos direcionados da poupança, enquanto operações de valor mais elevado precisarão buscar financiamento em instrumentos de mercado.

A mudança é considerada estratégica para garantir novas fontes de recursos para o crédito imobiliário e reduzir a dependência de um instrumento que vem apresentando saída líquida de recursos nos últimos anos.

Por que os juros de mercado entraram no radar?

Se a necessidade de novas fontes de funding já era conhecida pelo setor, o que mudou foi a expectativa em relação ao ambiente de juros.

Ao longo da coletiva, Cury fez questão de destacar que a Selic, embora relevante, não é a principal referência para o financiamento imobiliário. Como se trata de operações de longo prazo, os bancos observam principalmente as curvas de juros de médio e longo prazo usadas para captar recursos no mercado.

Entre janeiro e julho, as taxas prefixadas de um, quatro e dez anos avançaram de patamares próximos de 12,9%, 13% e 13,5% respectivamente, para cerca de 14,1%, 14,6% e 14,7%. A elevação, segundo explicou Cury, encarece o custo marginal do funding imobiliário e se torna especialmente relevante em um momento de transição para um modelo mais dependente de recursos captados no mercado, ou seja, esse movimento aumenta o custo marginal de captação das instituições financeiras e pode pressionar as condições futuras do crédito imobiliário.

“Não existe uma transmissão automática e imediata da curva de juros para as taxas do consumidor. O que a gente observa é uma elevação do custo marginal”, afirmou Cury.

Apesar disso, a entidade afirma não identificar uma restrição atual ao crédito. Os financiamentos para aquisição de imóveis com recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) cresceram 12% no primeiro semestre, enquanto as concessões totais avançaram 23%.

“A gente não vê uma redução da disponibilidade de crédito”, afirmou o executivo ao ser questionado sobre os impactos dos juros e o aumento dos estoques imobiliários.

O desafio do teto de 12%

Foi justamente ao discutir o novo modelo que surgiu um dos principais alertas da coletiva. Questionado sobre a compatibilidade entre o novo sistema e o atual cenário de mercado, Cury reconheceu que o teto de juros de 12% previsto no desenho do modelo passou a ser uma preocupação para o setor.

“Esse é o principal tema de monitoramento no segundo semestre. A gente está vendo uma curva pré que vai além do teto”, afirmou.

À medida que o setor passa a depender mais de funding captado no mercado, o custo desses recursos torna-se cada vez mais relevante. Caso as captações ocorram a taxas elevadas por um período prolongado, o equilíbrio econômico das operações pode se tornar mais desafiador.

Segundo Cury, a Abecip mantém diálogo com o Banco Central e o Ministério da Fazenda para acompanhar os efeitos da transição e discutir eventuais ajustes necessários. “Estamos construindo um novo modelo de funding com a intenção de que seja perene”, afirmou.

Crescimento continua, mas setor adota cautela

Apesar dos números fortes do primeiro semestre, a Abecip evita um discurso excessivamente otimista. Segundo Cury, o setor continua sustentado por fundamentos como crescimento da renda, mercado de trabalho resiliente e expansão das linhas apoiadas pelo FGTS. Ao mesmo tempo, a elevação dos juros de longo prazo e a implementação do novo modelo de funding exigem acompanhamento constante.

“Temos que ter muita cautela aqui e acompanhar de perto o que deve acontecer ao longo do segundo semestre”, afirmou.

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Estoques de imóveis dispara 44% em SP, mas Abecip rejeita risco de excesso de oferta

Apartamento de um dormitórioVendas continuam avançando

Os dados apresentados pela entidade mostram que a expansão dos estoques não ocorreu em um ambiente de desaceleração da demanda.

No Brasil, as vendas de imóveis cresceram 4% na comparação entre o primeiro trimestre de 2026 e o mesmo período de 2025, para 111 mil unidades vendidas. Em São Paulo, a alta foi ainda maior, de 9%, para 103 mil unidades, considerando os dados acumulados entre janeiro e maio.

Os lançamentos também mantiveram trajetória positiva na capital paulista, crescendo 11% na mesma base de comparação, para 53 mil unidades, apesar de o volume nacional ter caído 5%, para 98 mil unidades, após um forte avanço observado no ano passado.

Ao mesmo tempo, o crédito imobiliário avançou 23% no primeiro semestre, financiando cerca de 680 mil imóveis, considerando concessões de construção e aquisição.

Abecip não vê excesso de oferta, mas diz que crescimento nos distratos em SP liga um alerta

Para Michel Cury, presidente da Abecip, o indicador de estoque deve ser acompanhado, mas rejeitou maiores conclusões. “O estoque tem um crescimento, especialmente em São Paulo, mas não é razoável classificá-lo automaticamente como excesso de oferta”, afirmou.

Segundo Cury, o mercado passa por ajustes naturais entre o ritmo de lançamentos e o de absorção das unidades. Já a taxa média de distratos sobre vendas dos últimos 12 meses passou de aproximadamente 4,5% em 2024 para 4,8% neste ano.

Para Cury, o movimento merece acompanhamento, mas ainda não caracteriza deterioração relevante do mercado. “Quando olhamos para a parte dos distratos, notem que tem um ligeiro aumento aqui no ano de 2026. É uma pequena elevação. Não tem uma conclusão imediata aqui de deterioração. O indicador precisa ficar em alerta. É um tema que precisa ficar em acompanhamento”, afirmou durante a apresentação.

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O que explica o aumento dos estoques?

Embora a Abecip não tenha detalhado a composição dos estoques por segmento, os dados apresentados sugerem que a oferta vem crescendo mais rapidamente do que a absorção do mercado.

Essa dinâmica aparece especialmente em São Paulo, onde os lançamentos avançaram 11%, as vendas cresceram 9% e os estoques saltaram 44%.

Uma das hipóteses levantadas é que incorporadoras continuam apostando em uma demanda sustentada pelos bons indicadores de emprego e renda, além da expansão dos financiamentos habitacionais com recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e do Minha Casa, Minha Vida.

No primeiro semestre, os financiamentos via FGTS cresceram 22% e somaram R$ 77,6 bilhões, enquanto as operações de aquisição de imóveis com recursos da poupança avançaram 12%.

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Mercado continua otimista, mas monitora juros

Apesar da leitura positiva sobre a demanda, o setor reconhece que a trajetória dos juros continua sendo um fator de atenção. A Abecip destacou que as curvas de juros de médio e longo prazo subiram ao longo do primeiro semestre, elevando os custos de captação das instituições financeiras. Mesmo assim, a entidade não vê impactos relevantes sobre a disponibilidade de crédito neste momento.

“A gente não vê uma redução da disponibilidade de crédito”, afirmou Cury ao responder uma pergunta sobre a relação entre custos de financiamento e aumento dos estoques.

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Crédito imobiliário cresce 23% no semestre enquanto Abecip revê previsões para 2026

Do outro lado da Marginal: os bairros que ainda devem valorizar com a Linha 6-Laranja

SBPE puxa crescimento no semestre

Os financiamentos com recursos do SBPE para aquisição e construção somaram R$ 93,7 bilhões entre janeiro e junho, avanço de 29% sobre os R$ 72,9 bilhões registrados no mesmo período de 2025.

O destaque ficou com o crédito para construção, que saltou de R$ 12,8 bilhões para R$ 26,5 bilhões, alta de 107% na comparação semestral. Apesar do crescimento expressivo, Cury afirmou que o resultado reflete em grande parte uma base de comparação mais fraca observada no início de 2025.

“A gente teve um primeiro semestre de 2025 com um volume muito mais baixo de financiamento à produção. A base de comparação é mais baixa e ela normaliza para patamares parecidos com os observados entre 2021 e 2024”, afirmou durante a coletiva.

Já o crédito para aquisição de imóveis atingiu R$ 67,2 bilhões no semestre, crescimento de 12% ante igual período do ano passado. Mais de 160 mil imóveis foram financiados nessa modalidade, sendo 70% das operações relacionadas a imóveis usados.

FGTS ganha força

As operações financiadas por meio do FGTS avançaram 22% no primeiro semestre, alcançando R$ 77,6 bilhões. O volume financiou mais de 350 mil imóveis e foi impulsionado principalmente pelo programa Minha Casa, Minha Vida.

O segmento é o principal responsável pela revisão das projeções para 2026, devido à ampliação do orçamento do fundo aprovada pelo Conselho Curador do FGTS para a habitação, além do reforço de recursos provenientes do Fundo Social, abastecido por receitas do pré-sal.

Segundo Filipe Pontual, diretor-executivo da Abecip, embora a execução final normalmente fique abaixo do orçamento autorizado, a maior disponibilidade de recursos ajuda a explicar o desempenho mais forte das operações ligadas ao Minha Casa, Minha Vida e pode sustentar um crescimento maior do que o previsto inicialmente para essa modalidade em 2026.

Mercado imobiliário segue aquecido

Os dados apresentados pela entidade mostram que a expansão do crédito ocorreu em um ambiente ainda favorável para o setor imobiliário.

No Brasil, os lançamentos cresceram 34% e as vendas avançaram 4% na comparação entre o primeiro trimestre de 2026 e o primeiro trimestre de 2025, de acordo com levantamento da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).

Na cidade de São Paulo, onde a comparação considera o período de janeiro a maio, os lançamentos cresceram 11% e as vendas avançaram 9% na comparação com os mesmos meses de 2025.

Os estoques também aumentaram. No Brasil, a alta foi de 8%, enquanto na capital paulista chegou a 44%. A Abecip, porém, evitou associar automaticamente esse movimento a um excesso de oferta.

“O estoque tem um crescimento, especialmente em São Paulo, mas não é razoável classificá-lo automaticamente como excesso de oferta”, afirmou Cury.

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Revisão de projeções deve sair na próxima semana

Apesar do desempenho acima do esperado, a entidade avalia que ainda é cedo para revisar integralmente as estimativas sem considerar o comportamento do segundo semestre.

Segundo Cury, o salto observado no crédito para construção tem forte influência da base de comparação deprimida de 2025, o que reduz a probabilidade de repetição do mesmo ritmo de crescimento na segunda metade deste ano. Por outro lado, o FGTS vem apresentando aceleração superior à prevista inicialmente.

A Abecip também avalia o comportamento das operações com recursos livres, que recuaram 8% no primeiro semestre, para definir os novos números.

A entidade mantém uma visão cautelosa para o restante do ano, diante da elevação das taxas de juros de mercado utilizadas como referência para captação de recursos de longo prazo. “O financiamento imobiliário mantém uma trajetória positiva, mas a continuidade desse crescimento dependerá de uma base de funding mais ampla e diversificada”, afirmou Cury.

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Com Lances de R$ 32 mil a R$ 1,4 milhão, Santander Faz Leilão de Imóveis com Descontos Acima de 60%

Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.

O Santander abriu um leilão de imóveis com 204 imóveis à venda.

Os lances iniciais do leilão de imóveis do Santander são de R$ 32 mil, ao passo que os imóveis mais caros pedem lances acima de R$ 1,3 milhão.

No total, os mais de 200 imóveis colocados à venda contemplam casas, apartamentos e terrenos em 23 estados, do Acre ao Tocantins.

Do total de propriedades do leilão, 56 ficam em São Paulo. Na capital, um apartamento de 328 metros quadrados tem lance inicial de R$ 1,1 milhão (29% de deságio).

Em São Bernardo do Campo, uma casa de 391 metros quadrados começa em R$ 967,1 mil (28% de deságio). Em Praia Grande, uma casa de 58 metros quadrados pode ser arrematada por R$ 196,6 mil (24% de deságio).

Os imóveis vêm livres de débitos de condomínio e IPTU até a data do leilão.

Para quem precisar de crédito, o financiamento pode ser parcelado em até 420 vezes, e o uso do FGTS é permitido, conforme as condições do edital.

O deságio mais expressivo está em um apartamento de 318 metros quadrados no Rio de Janeiro, com lance inicial de R$ 489,9 mil — 59% abaixo do valor de avaliação.

Na Bahia, uma casa de 38 metros quadrados em Camaçari entra com o menor lance do lote: R$ 32 mil, com deságio de 33%.

O evento é organizado pela SOLD, empresa do Grupo Superbid, e os lances encerram no dia 28 de julho.

Os imóveis mais caros do leilão de imóveis do Santander

  • Casa em condomínio, 351 m², João Pessoa (PB) — lance inicial de R$ 1,39 milhão (30% de deságio)
  • Casa, 228 m², Canoas (RS) — R$ 1,21 milhão (30% de deságio)
  • Casa em condomínio, 202 m², Guarujá (SP) — R$ 1,21 milhão (30% de deságio)
  • Apartamento, 328 m², São Paulo (SP) — R$ 1,13 milhão (29% de deságio)
  • Casa, 447 m², Jandira (SP) — R$ 1,12 milhão (30% de deságio)
  • Lote, 3.040 m², Porto Nacional (TO) — R$ 1,04 milhão (30% de deságio)
  • Casa, 391 m², São Bernardo do Campo (SP) — R$ 967,1 mil (28% de deságio)
  • Casa em condomínio, 199 m², Tatuí (SP) — R$ 914,8 mil (29% de deságio)
  • Casa, 229 m², Lucas do Rio Verde (MT) — R$ 867 mil (30% de deságio)
  • Casa, 451 m², Ipojuca (PE) — R$ 856,2 mil (51% de deságio)

Os imóveis mais baratos

  • Casa em condomínio, 38 m², Camaçari (BA) — lance inicial de R$ 32 mil (33% de deságio)
  • Casa, 113 m², Rio de Janeiro (RJ) — R$ 44,3 mil (69% de deságio)
  • Casa, 48 m², Rio Largo (AL) — R$ 48,6 mil (37% de deságio)
  • Lote, 597 m², Pérola (PR) — R$ 52,8 mil (53% de deságio)
  • Apartamento, 43 m², Caldas Novas (GO) — R$ 54 mil (30% de deságio)
  • Casa, 118 m², Barra de Guabiraba (PE) — R$ 56,3 mil (51% de deságio)
  • Apartamento, 41 m², São Lourenço da Mata (PE) — R$ 58,4 mil (50% de deságio)
  • Casa, 55 m², Cabeceiras do Piauí (PI) — R$ 64,4 mil (51% de deságio)
  • Lote, 775 m², Pérola (PR) — R$ 72 mil (53% de deságio)
  • Casa, 32 m², Rio Bonito do Iguaçu (PR) — R$ 75,2 mil (47% de deságio)

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Selic ainda elevada muda o jogo dos FIIs? veja quais segmentos saem na frente

Expert XP, maior evento de investimentos do mundo, que reuniu Alessandro Vedrossi, Head de Real Estate da Valora Investimentos, Rodrigo Abbud, Head de Real Estate do Patria Brasil, Pedro Carraz, gestor de fundos imobiliários de tijolo da XP, e Marx Gonçalves, Head de Fundos Listados no Research da XP, para discutir as perspectivas da indústria em um novo ciclo de juros.

Para Vedrossi, a principal diferença entre fundos de papel e de tijolo está no papel que cada um desempenha dentro da carteira do investidor. “Na minha cabeça, fundo de papel é um ativo para pensar mais em carrego e menos em ganho de capital. Já o fundo de tijolo está muito mais próximo de um investimento de equity, com menos carrego e maior potencial de valorização da cota”, disse.

Segundo o gestor, esse perfil fez toda a diferença no cenário atual. “Os fundos indexados ao CDI foram imbatíveis. Com o CDI nesse patamar, o cliente precisa ter uma exposição a esse tipo de ativo.”

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CDI domina no curto prazo, mas IPCA também pode oferecer oportunidades

Vedrossi comenta que os FIIs indexados ao CDI conseguiram entregar um comportamento incomum para o mercado financeiro. “Eles ofereceram maior retorno e menor volatilidade, o que é um contrassenso, porque normalmente quem entrega mais retorno também deveria apresentar mais volatilidade.”

Na sequência aparecem os fundos atrelados à inflação, que, segundo ele, registraram uma volatilidade maior do que os indexados ao CDI, mas ainda inferior à observada nos fundos de tijolo.

Apesar do momento favorável para os recebíveis pós-fixados, Vedrossi avalia que a originação de novos créditos se tornou mais desafiadora. “Não está fácil conceder crédito indexado ao CDI. Não é simples para um incorporador carregar um financiamento com um CDI desse tamanho.”

O gestor afirma que a dificuldade também aparece nas operações indexadas ao IPCA. “Hoje todo mundo quer receber IPCA mais 9% ou 10%, mas eu não consigo estruturar operações pagando IPCA mais 12%.”

Logística favorece renda; escritórios concentram potencial de valorização

Mesmo em um cenário macroeconômico desafiador, Abbud afirma que os fundamentos operacionais dos imóveis continuam apresentando desempenho consistente. “O contraponto do cenário macro é o bom comportamento do nosso cenário micro.”

Para investidores focados na geração de dividendos, uma das preferência do gestor é clara: “Eu iria para o mercado logístico. É um segmento que preserva valor, distribui um yield interessante e ainda tem projeção de crescimento dos dividendos.”

Já quem busca maior potencial de valorização patrimonial pode olhar para outro segmento. “Onde os aluguéis continuam mais distorcidos é nos escritórios. Entre 2024 e 2025 vimos um primeiro movimento de redução da vacância. Hoje vejo os escritórios muito mais como uma tese de ganho de capital para o futuro.”

Por sua vez, Carraz destacou que os fundamentos dos mercados de logística e lajes corporativas seguem surpreendendo positivamente. “Estamos [em Galpões] vendo aluguéis acima de R$ 35 por metro quadrado, chegando a R$ 40 em Guarulhos, depois de muitos anos próximos de R$ 20.”

Nas lajes corporativas, o movimento também é evidente. “A Chucri Zaidan saiu de uma vacância próxima de 20% para algo em torno de 12%. É impressionante como esses dois mercados evoluíram [Logística e Escritórios].”

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No longo prazo, diversificação e escala devem impulsionar a indústria

Para Carraz, a volatilidade recente não muda a principal característica dos fundos imobiliários. “O fundo imobiliário é um veículo eficiente para investir no mercado imobiliário. É um investimento de longo prazo, um hedge natural contra a inflação, com potencial de valorização ao longo do tempo.”

Diante disso, segundo ele, embora o cenário para 2026 ainda gere cautela, o investidor precisa ampliar o horizonte de análise. “A percepção para 2026 pode estar entre média e ruim, mas precisamos olhar para os próximos cinco ou dez anos.”

Carraz observa que a indústria brasileira ainda possui amplo espaço para expansão. “Nos Estados Unidos existem veículos listados para praticamente tudo. Aqui ainda temos uma indústria muito pequena. As palavras da vez são tamanho, liquidez e diversificação. Esperamos que esse mercado amadureça e permita o desenvolvimento de novos segmentos.”

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Sede histórica dos Correios construída em 1878, no Rio, será leiloada; veja

A antiga sede integra um conjunto de imóveis que os Correios vêm colocando no mercado dentro da estratégia de reorganização patrimonial. De acordo com a empresa, a intenção é reduzir gastos com manutenção de ativos que já não são utilizados e direcionar os recursos obtidos para investimentos na operação, como parte do plano de reequilíbrio financeiro da estatal.

O edital do leilão estabelece que o comprador será responsável por regularizar pendências registrais do imóvel. Entre elas estão a averbação da área construída e a correção de divergências entre o cadastro imobiliário municipal e o registro em cartório. Apesar disso, o documento informa que o prédio será entregue livre de débitos tributários.

Além do valor histórico, o imóvel ocupa uma localização estratégica no Centro do Rio, próximo ao Paço Imperial, ao Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) e à Praça XV. Por estar inserido em área de preservação, qualquer intervenção ou adaptação do edifício dependerá da autorização dos órgãos responsáveis pela proteção do patrimônio histórico.

Pelas regras do leilão, o imóvel será inicialmente oferecido pelo valor de avaliação. Na ausência de propostas, o preço poderá ser reduzido em duas etapas até atingir o valor mínimo previsto no edital. O vencedor terá prazo de até 60 dias para concluir o pagamento.

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Veja os Bairros com Metro Quadrado Mais Caro de São Paulo, Rio de Janeiro, Vitória e BH

Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.

Embora o metro quadrado com os preços mais altos na venda fique no litoral catarinense, há um amplo protagonismo de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo no mercado imobiliário. As capitais dos quatro estados aparecem no ranking de valores nacional. Aliás, Vitória tem despontado como uma das cidades com a maior valorização nos últimos tempos.

Atualmente, a cidade de São Paulo possui o segundo metro quadrado mais caro do país, em termos de preço médio de locação, a R$ 64,98, segundo dados do Índice FipeZAP, calculado pela Fipe em parceria com o Grupo OLX (Zap/VivaReal).

O município fica atrás apenas de Barueri (SP), onde fica Alphaville e, portanto, possui alguma distorção e um mercado imobiliário com teor distinto. Por lá, a média do metro quadrado fica em R$ 72,24.

Na capital paulista, o bairro de Pinheiros registra o metro quadrado com preço mais alto, a R$ 98,90 por mês, na média. Assim, a região supera o Itaim Bibi e Moema, que completam o pódio do ranking.

Álvaro Marco Coelho da Fonseca, co-CEO da Coelho da Fonseca, uma das maiores e mais tradicionais imobiliárias de alto padrão, destaca que os bairros possuem resiliência e seguem se valorizando na esteira da proximidade com o centro financeiro e comercial da cidade.

“O Itaim é um dos bairros mais valorizados por estar exatamente onde passa a Avenida Faria Lima. É o principal eixo financeiro, onde estão as maiores empresas, os bancos, é onde o dinheiro gira. Esse centro, muitos anos atrás, ficava na Avenida Paulista, mas hoje é na Faria Lima”, relata, em entrevista à Forbes.

“Já Pinheiros se tornou um bairro bacana e que continua se consolidando, também é bastante próximo da Faria Lima. A própria Rua dos Pinheiros se tornou uma rua muito moderna e jovem, tem atraído os melhores bares e restaurantes, equiparado-se à Oscar Freire”, completa.

Abaixo, veja os rankings dos bairros com o preço do metro quadrado mais alto em São Paulo e nas demais regiões do Sudeste, em termos de locação, conforme dados do Índice FipeZAP atualizados ao fim de junho.

São Paulo (SP)

Pinheiros — R$ 98,9/m²
Itaim Bibi — R$ 93,3/m²
Moema — R$ 84,6/m²
Jardins — R$ 82,7/m²
Paraíso — R$ 81,9/m²

Rio de Janeiro (RJ)

Leblon — R$ 122,5/m²
Ipanema — R$ 117,4/m²
Lagoa — R$ 87,7/m²
Botafogo — R$ 74,9/m²
Barra da Tijuca — R$ 74,8/m²

Belo Horizonte (MG)

Santo Agostinho — R$ 73,7/m²
Savassi — R$ 69,4/m²
Belvedere — R$ 67,4/m²
Lourdes — R$ 65,7/m²
Funcionários — R$ 62,1/m²

Vitória (ES)

Barro Vermelho — R$ 65,2/m²
Mata da Praia — R$ 62,4/m²
Enseada do Suá — R$ 61,1/m²
Santa Lúcia — R$ 61,0/m²
Santa Helena — R$ 56,0/m²

Onde se paga mais para comprar um imóvel em SP, RJ, MG e ES

Afora o mercado de aluguel, compras e vendas no Sudeste também apresentam valores expressivos.

Itapema (SC) e Balneário Camboriú (SC) são as localidades com o metro quadrado mais caro do Brasil, de R$ 15,3 mil e R$ 15,2 mil, respectivamente.

No entanto, Vitória (ES) aparece logo em seguida, com preços também na casa dos R$ 15,2 mil.

Na capital paulista, o preço médio do metro quadrado para compra fica em R$ 12,05 mil, sendo a terceira capital mais cara do país (atrás de Vitória e Florianópolis) e a sétima cidade mais cara (aparecem antes Barueri e Itajaí).

Olhando para os bairros mais caros de SP, da mesma forma, Itaim Bibi e Pinheiros encabeçam o ranking. Todavia, desta vez a ordem se inverte, e o bairro da Zona Sul paulistana lidera com o metro quadrado custando R$ 19,84 mil.

Ana Maria Castelo, coordenadora de Projetos da Construção no Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (IBRE/FGV), comenta que São Paulo se caracteriza por ser uma cidade “mais espraiada” em relação às demais capitais, tanto em termos de infraestrutura quanto em termos de serviços e opções de lazer.

“Ainda assim, há algum nível de concentração, e isso se reflete nos lugares mais buscados e valorizados”, diz, em entrevista à Forbes.

Ademais, frisa que as localidades já consolidadas como bairros nobres tendem a sustentar uma valorização permanente e uma percepção de valor mais alta e, consequentemente, de demanda.

Abaixo, veja os maiores preços por metro quadrado por bairro de São Paulo, Rio de Janeiro, Vitória e Belo Horizonte, segundo os dados do Índice FipeZAP.

São Paulo (SP)

Itaim Bibi — R$ 19.840/m²
Pinheiros — R$ 18.298/m²
Jardins — R$ 17.693/m²
Moema — R$ 16.281/m²
Vila Mariana — R$ 14.759/m²

Rio de Janeiro (RJ)

Leblon — R$ 27.838/m²
Ipanema — R$ 25.866/m²
Lagoa — R$ 17.394/m²
Barra da Tijuca — R$ 14.308/m²
Copacabana — R$ 13.308/m²

Belo Horizonte (MG)

Savassi — R$ 18.092/m²
Lourdes — R$ 16.712/m²
Santo Agostinho — R$ 16.426/m²
Funcionários — R$ 14.994/m²
Sion — R$ 11.984/m²

Vitória (ES)

Enseada do Suá — R$ 18.285/m²
Praia do Canto — R$ 18.209/m²
Mata da Praia — R$ 16.181/m²
Aeroporto — R$ 14.646/m²
Barro Vermelho — R$ 14.516/m²

O que explica o protagonismo do Sudeste

O Sudeste é, de longe, o motor econômico do Brasil, com grande concentração populacional.

Sozinha, a região tem um Produto Interno Bruto (PIB) estimado em R$ 5,80 trilhões, o que, segundo o Sistema de Contas Regionais do IBGE, representa 53,3% de toda a riqueza gerada no país.

As demais regiões possuem representatividade entre 5% e 16%.

São Paulo enquanto estado responde por R$ 3,44 trilhões, ou 31,5% do PIB nacional, seguido pelo Rio de Janeiro com R$ 1,17 trilhão (10,7%). A concentração produtiva também tem base demográfica sólida, dado que o Sudeste soma mais de 84 milhões de habitantes.

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Pela Primeira Vez na História, Miami É uma Cidade Mais Cara do Que Nova York

Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.

Miami se tornou, pela primeira vez na história, uma cidade mais cara do que Nova York. Ao menos é o que diz o U.S. Bureau of Economic Analysis, uma agência do Departamento de Comércio dos Estados Unidos.

Os números da instituição indicam que o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) do Sul da Flórida subiu 36% desde 2019. É a maior valorização do índice entre todas as demais regiões metropolitanas dos Estados Unidos.

O relatório ainda indica que o custo total da moradia — incluindo outras despesas — na região metropolitana formada por Miami, Fort Lauderdale e Palm Beach fica 5% acima do de Nova York.

Vale lembrar que o custo do seguro residencial em Miami é substancialmente superior, custando US$ 8,3 mil ao ano, na média, considerando que é uma localidade com riscos mais altos de furacões, inundações e outros eventos climáticos.

O relatório “Wealth Report 2026” da consultoria imobiliária britânica Knight Frank considera que Miami é uma das maiores vencedoras da reorganização global da riqueza dos últimos anos.

Durante muitos anos, Miami era vista principalmente como um mercado abastecido por compradores estrangeiros em busca de casas de férias, mas, nos últimos anos, a cidade passou a atrair famílias de alta renda, executivos, empreendedores, investidores e gestores de fundos que transferem efetivamente sua base de operações para o sul da Flórida.

Knigh Frank mostra que os mercados mais aquecidos da Flórida registraram uma das mudanças de preços mais drásticas dos últimos cinco anos, tendo Miami como principal polo. Por lá, os imóveis premium tiveram salto de 67% nos preços.
Knight FrankKnight Frank mostra que os mercados mais aquecidos da Flórida registraram uma das mudanças de preços mais drásticas dos últimos cinco anos, tendo Miami como principal polo. Por lá, os imóveis premium tiveram salto de 67% nos preços.

Esse movimento contou com marcos relevantes, com a chegada de grandes nomes do mercado financeiro e da tecnologia, como Ken Griffin, do Citadel, e Peter Thiel, cofundador do PayPal, da Palantir Technologies e do Founders Fund.

“Miami consolidou-se como o principal destino dos EUA para investimentos residenciais estrangeiros, registrando US$ 3 bilhões em vendas do segmento super-prime em 2025, além de US$ 2,4 bilhões na vizinha Palm Beach”, diz o relatório.

A Knight Frank aponta que o mercado de imóveis de luxo acompanhou essa tendência, e uma venda em South Beach ultrapassou a marca de US$ 53,8 mil (R$ 273 mil) por metro quadrado no final de 2025 — um patamar que pareceria improvável há apenas dois anos.

“South Beach voltou a avançar no segmento mais exclusivo. Hoje, cinco empreendimentos residenciais vinculados a hotéis cinco estrelas estão em desenvolvimento na extremidade sul de Miami Beach, recolocando a região no epicentro do verdadeiro ultraluxo residencial voltado ao estilo resort na América do Norte.”

O boom dos estrangeiros

O volume de estrangeiros visando investimentos imobiliários e residências para uso próprio não arrefeceu, no entanto — foi justamente o contrário.

Dados da Miami Realtors apontam que compradores internacionais responderam por 49% das vendas de imóveis novos, pré-construção e conversões de condomínio no sul da Flórida em um período de 18 meses encerrado em junho de 2025, com dados de mais de 9 mil unidades em 37 empreendimentos.

Desse total analisado, cerca de 86% dos compradores eram estrangeiros, principalmente latino-americanos, com participação dominante em regiões como Downtown Miami, Coconut Grove e West Palm Beach.

O levantamento também aponta que compradores globais movimentaram US$ 56 bilhões em imóveis já existentes nos EUA entre abril de 2024 e março de 2025, alta de mais de 30% ante o período anterior.

A Elite International Realty, imobiliária privada especializada em imóveis de luxo e novos empreendimentos no sul da Flórida, fundada em 1994, mostrou um pico de visitas nas últimas semanas.

O movimento veio na esteira da Copa do Mundo, que trouxe mais estrangeiros à região, onde algumas partidas foram disputadas.

Assim, a média de atendimentos da companhia saiu de 10 a 12 por semana para mais de 20. Esse tipo de movimento é natural, com novos moradores e investidores aproveitando grandes eventos para olhar ativos e fechar negócios.

Esse aquecimento sazonal do mercado é visto também em eventos como o GP de Fórmula 1, a Art Basel e o próprio Miami Open.

“As pessoas compram imóveis, mas investem em cidades. Para entender o potencial de um mercado é preciso vivê-lo. Os grandes eventos criam essa oportunidade porque permitem que o investidor experimente a cidade, sua infraestrutura, seu estilo de vida e seu ambiente de negócios”, afirma Daniel Ickowicz, CEO da Elite International Realty. 

Quanto custa o metro quadrado em Miami

Segundo dados da Realtor, o preço do metro quadrado em Miami fica em US$ 5,4 mil, na média, ou R$ 27,6 mil no câmbio atual.

Na média, os imóveis em Miami têm sido vendidos por US$ 560 mil (R$ 2,8 milhões), em uma apreciação de 3,7% nos últimos três anos. As propriedades têm ficado 80 dias no mercado até que seja encontrado um comprador e o negócio seja fechado.

No caso do aluguel, o preço médio é de US$ 2,97 mil, representando R$ 15,1 mil no câmbio atual.

Realtor

Fort Lauderdale, conhecida como a “Veneza das Américas” e a 45 quilômetros ao norte de Miami, mostra um preço mediano efetivamente pago nas vendas também de US$ 560 mil. No entanto, o preço médio anunciado é de US$ 5.027 por metro quadrado (cerca de R$ 25,6 mil por m²).

Olhando para Nova York, o preço mediano pago nas vendas de imóveis é de US$ 732 mil (aproximadamente R$ 3,73 milhões), recuo anual de 1,08%, embora permaneça 13,49% superior ao de três anos atrás.

O preço médio anunciado é de US$ 16.036 por metro quadrado (cerca de R$ 81,6 mil por m²), queda de 5,35% em 12 meses e de 4,84% em três anos.

O pano de fundo que explica a alta nos preços

Alguns pontos foram catalisadores positivos para o mercado imobiliário de Miami, e também pressionaram os preços para cima na cidade litorânea.

Na esfera pública, o governador da Flórida, Ron DeSantis, sancionou um projeto de lei que poderá reduzir o imposto sobre propriedades para os residentes que têm por lá sua residência principal, o chamado “homestead exemption”.

A medida, tomada em junho, ainda deve ser submetida à votação dos eleitores em novembro, devendo angariar pelo menos 60% dos votos para entrar em vigor.

Hoje essa isenção é de US$ 50 mil. Pela proposta, ela subiria para US$ 150 mil já em janeiro de 2027 e chegaria a US$ 250 mil em janeiro de 2028.

Por outro lado, os cofres públicos podem sofrer com a medida, que deve gerar um impacto fiscal substancial, da ordem de centenas de milhões de dólares.

A migração também afeta os preços. O U.S. Census Bureau aponta que foram cerca de 120 mil novos residentes internacionais entre julho de 2023 e julho de 2024, em um ritmo de crescimento populacional mais que o dobro da média nacional dos Estados Unidos. Isso equivale a mais de 150 pessoas chegando por dia.

Além da migração física, a migração de capital também é um driver relevante.

O volume financeiro das aquisições estrangeiras no sul da Flórida chegou a US$ 4,4 bilhões no ano passado, representando um incremento de 42% ante o ano anterior. Os dados são da Associação de Corretores de Imóveis de Miami.

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Do outro lado da Marginal: os bairros que ainda devem valorizar com a Linha 6-Laranja

Perdizes, Pompeia e Água Branca já incorporaram boa parte do impacto da futura Linha 6-Laranja nos preços dos imóveis, regiões da chamada “zona noroeste” da cidade – encontro da Zona Oeste com a Zona Norte – ainda pode estar no início desse movimento.

Um levantamento da Real Price Labs, obtido com exclusividade pelo InfoMoney, indica que a valorização registrada nos arredores das estações Freguesia do Ó e João Paulo I ficou abaixo da observada nos bairros mais consolidados do corredor, sinalizando um potencial de alta nos próximos anos.

Entre os períodos de 2019-2021 e 2024-2026, o preço médio do metro quadrado transacionado subiu 19% na região da estação Freguesia do Ó e 16% nos arredores da estação João Paulo I. No mesmo intervalo, Perdizes avançou 31%, Sesc Pompeia 28% e Água Branca 25%.

Segundo André Araújo, CEO da Real Price, a diferença está relacionada ao estágio de maturação de cada mercado. “A questão é tempo. Se você olhar os números, elas têm uma diferença de percentual ainda e cabe uma majoração”, afirmou ao InfoMoney.

Na avaliação do executivo, o desempenho inferior dessas regiões não indica falta de demanda, mas sim que parte do potencial de valorização ainda não foi incorporado aos preços.

Do outro lado da Marginal

Para Araújo, existe uma mudança perceptível quando o corredor cruza o rio Tietê em direção à zona norte. Enquanto Perdizes, Pompeia e Água Branca são bairros já consolidados, com forte demanda e ampla presença de incorporadoras, a realidade muda nas regiões mais ao norte.

“Da Freguesia para cima, todas elas ainda têm uma chance de ter uma valorização em curto espaço de tempo”, disse.

Leia mais: Aluguel acumula alta de 5,24% no semestre e segue pressionando orçamento

Freguesia caiu no gosto das incorporadoras

Embora ainda esteja distante dos preços praticados em bairros da zona oeste, a Freguesia do Ó já aparece como um dos mercados mais movimentados da nova linha, mas com uma relação de custo-benefício mais favorável para famílias que buscam moradia própria.

Nos últimos anos, a região passou a receber uma quantidade crescente de lançamentos imobiliários. Um levantamento do Secovi-SP divulgado recentemente mostra que, entre janeiro de 2016 e abril de 2026, foram lançadas 82.377 unidades residenciais verticais em um raio de até um quilômetro da Linha 6-Laranja. A Freguesia do Ó respondeu por 8.840 unidades, tornando-se o quarto distrito com maior volume de lançamentos ao longo de todo o corredor, atrás apenas de Cambuci (13.599), Lapa (11.037) e Perdizes (9.867).

“Com a operação assistida já iniciada nas estações João Paulo I, Freguesia do Ó, Santa Marina, Água Branca, SESC-Pompeia e Perdizes, a tendência é que a integração entre mobilidade e desenvolvimento urbano continue impulsionando investimentos e atraindo novos moradores para o entorno da linha”, disse o Secovi-SP.

Nos arredores da estação Freguesia do Ó, o valor médio transacionado passou de R$ 2.992 para R$ 3.570 por metro quadrado entre os dois períodos analisados. Nos anúncios, o preço chegou a cerca de R$ 6.400 por metro quadrado.

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João Paulo I e Brasilândia: o longo prazo

Se existe uma aposta de longo prazo dentro da Linha 6, ela está nas regiões atendidas pela estação João Paulo I e pelo trecho da Brasilândia, que ficam em regiões onde a chegada da linha representa o maior ganho de acessibilidade – a Linha 6 é a primeira conexão metroviária da região, historicamente dependente do transporte por ônibus.

A estimativa é que o deslocamento entre Brasilândia e o centro da capital seja reduzido de cerca de uma hora e meia para aproximadamente 23 minutos, viabilizando uma aceleração na transformação urbana ao longo do eixo.

Segundo a Real Price, entre os períodos de 2019-2021 e 2024-2026, o preço do metro quadrado transacionado de apartamentos até 1km da estação João Paulo I foi de R$ 3.057 para R$ 3.557, enquanto o valor dos anúncios subiu de R$ 5.100 para R$ 6.400. O estudo ainda não traz dados sobre a região da estação Brasilândia.

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O Futuro do Mercado Imobiliário Já Chegou e Está em uma Pequena Cidade dos Estados Unidos

Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.

Asheville, na Carolina do Norte, é um destino turístico único que abriga menos de 100 mil habitantes. A cidade representa muitos outros pequenos municípios dos Estados Unidos em sua administração e operações, mas também apresenta paralelos com polos tecnológicos e culturais distintos e altamente requisitados, como Austin e Portland.

Devido à sua popularidade, Asheville vem sentindo o impacto da crise habitacional do país. A cidade é um mercado que necessita de residências personalizadas, projetos de adensamento urbano e lares mais acessíveis que se integrem à comunidade, tornando-se o berço perfeito para o futuro da habitação.

Segundo dados do HousingWeaver, da HR&A Advisors, um inquilino com renda mediana em Asheville leva 16,2 anos poupando 10% de seus ganhos para conseguir dar uma entrada de 20% em um imóvel padrão — um tempo muito superior à média nacional, que é de 12,8 anos.

Em 2025, o valor típico de uma propriedade na cidade era de US$ 467 mil (R$ 2,37 milhões) um salto de 51% em relação à média de US$ 309 mil (R$ 1,54 milhão) registrada em 2019.

Atualmente, os preços praticados no mercado residencial de Asheville são 6,2 vezes maiores que a renda familiar mediana geral e 9 vezes superiores aos rendimentos medianos das famílias que vivem de aluguel.

Assim como o restante do país, a cidade não está imune a riscos climáticos. Recentemente, o município foi atingido pelo furacão Helene, uma tempestade que causou mortes devido a inundações, deslizamentos de terra e ao colapso da infraestrutura local.

Esses desafios prepararam o terreno para um projeto emblemático que explora tais parâmetros imobiliários e oferece uma nova solução capaz de atuar de maneira proativa e preventiva.

O Projeto VISION House Asheville

A Green Builder Media e a Alair Homes, uma rede de construtoras e reformadoras de imóveis customizados, estão construindo a VISION House Asheville para investigar como a resiliência, o bem-estar e a viabilidade financeira a longo prazo podem redefinir o valor da casa própria em todo o país.

Este estudo de caso real focado em residências de alto desempenho demonstrará como conceber lares resilientes que proporcionem saúde, conforto e menores custos de manutenção, mantendo-se esteticamente sofisticados.

Os processos de design e construção desenvolvidos pela Alair Asheville | Red Tree estão sendo compartilhados como um guia para a rede da companhia — que conta com quase 100 construtoras locais no Canadá e nos EUA —, além de outros profissionais comprometidos com as melhores práticas de edificação.

“Após o furacão, tivemos uma queda de 38% nas novas licenças de construção. Era o nosso vigésimo ano no mercado e precisávamos descobrir como atender à demanda atual. Então, começamos a investir em construções sustentáveis, evoluindo para a qualidade do ar interno e, em seguida, para edifícios com balanço energético positivo”, diz — Brandon Bryant, sócio da Alair Asheville | Red Tree.

Asheville, na Carolina do Norte, representa muitas cidades em todo o país que estão crescendo e precisam de moradias sustentáveis, resilientes e acessíveis
KovacsAsheville, na Carolina do Norte, representa muitas cidades em todo o país que estão crescendo e precisam de moradias sustentáveis, resilientes e acessíveis

Os compradores de imóveis são atraídos pelo clima e pela natureza de Asheville. Pensando nisso, a residência foi projetada como uma versão moderna do estilo craftsman, contando com grandes janelas de correr e uma vidraça de canto que criam fortes detalhes arquitetônicos sem comprometer a área útil.

“O que me incomodava na construção ecológica é que as empresas simplesmente pegavam soluções prontas nas prateleiras e as rotulavam como ‘verdes’, mas era necessária uma abordagem holística”, explicou Bryant.

“Trouxemos de volta a varanda frontal para promover a conectividade, além de um pátio que integra os moradores à natureza, à terra e aos vizinhos, evitando o isolamento. Essa casa pode tornar as pessoas mais saudáveis apenas com elementos de design, sem gerar custos adicionais.”

Essas características sem custo extra são resultado direto da intencionalidade do projeto e da colaboração entre a construtora e a arquitetura.

Arquitetura voltada ao bem-estar

“Estamos começando a observar uma maior adoção da arquitetura focada no bem-estar”, pontuou Jared Moore, fundador e arquiteto principal do Creative Founder Design Studio, responsável pelo projeto em Asheville.

“Existem muitas maneiras de alcançar isso respeitando as exigências espaciais do imóvel e por meio de práticas arquitetônicas gerais. A propriedade fica em uma região serrana; ao alinhar a vista para as montanhas e integrar o ambiente interno com o externo, a sensação de conexão com a terra aumenta.”

A imersão na natureza, no entanto, não é a única forma de relaxar no local. Há também uma “sala de respiro” (exhale room), projetada como uma zona morta para Wi-Fi e equipamentos eletrônicos. Escondido atrás de uma estante de livros, o cômodo serve como um refúgio para os proprietários se desconectarem do resto do mundo.

Moore empregou estratégias ativas e passivas, como a orientação do imóvel para otimizar a iluminação natural, combinada a persianas automatizadas, contribuindo para um sono de melhor qualidade. A equipe optou por um projeto luminotécnico de baixa tensão para reduzir a exposição a campos eletromagnéticos.

  • Eficiência Térmica e Energética: A casa é voltada para o sul, permitindo que a varanda, protegida por um beiral generoso, evite o superaquecimento dos ambientes. A estrutura possui um isolamento térmico rigoroso (tight envelope), janelas com vidro triplo e um sistema de climatização (HVAC) dimensionado para minimizar a carga energética.
  • Geração e Gestão de Energia: A eletricidade é gerada por painéis solares, enviada para baterias de armazenamento e gerenciada por um medidor inteligente da Savant, que também se conecta a uma estação de recarga para veículos elétricos (EV).
  • Saúde e Purificação: A água e o ar nos ambientes internos serão geridos por sistemas focados em filtragem e saúde otimizada.

Quando concluída, no outono (do hemisfério norte) de 2027, a casa será colocada à venda por um valor acima da média praticada na cidade, porém seus custos de manutenção serão nulos. Essa ausência de despesas operacionais decorre da união do design inteligente com uma rigorosa seleção de produtos.

Produtos que Constroem o Futuro da Habitação

A VISION House tira proveito de produtos que são duráveis e resilientes para proteger os proprietários a longo prazo
Creative Founder Design StudioA VISION House tira proveito de produtos que são duráveis e resilientes para proteger os proprietários a longo prazo

As fabricantes de materiais de construção estão reconhecendo a necessidade de soluções de alto desempenho que entreguem saúde e bem-estar aos proprietários, além de inovações desenvolvidas especificamente para mitigar as crescentes ameaças climáticas.

Os revestimentos da Dal-Tile serão utilizados em diversas aplicações internas e externas. Fabricados nos EUA com níveis baixos ou nulos de sílica, eles oferecem alternativas saudáveis que assumem formatos ousados e texturizados, proporcionando até mesmo visuais artesanais semelhantes a papéis de parede.

“Há um esforço maior direcionado à qualidade do ar interior (IAQ) e uma sensibilidade sobre o que entra nos lares”, apontou Mike Profilio, vice-presidente de relacionamento com construtoras da Dal-Tile. “Existe uma preocupação latente em utilizar soluções duráveis que sejam livres de compostos orgânicos voláteis (VOCs).”

Esses diferenciais mantêm a relevância da cerâmica em um segmento que, às vezes, foca demasiadamente no menor preço. Embora os azulejos exijam um investimento inicial e mão de obra ligeiramente maiores do que seus substitutos diretos, eles continuam sendo escolhidos devido à sua vida útil prolongada, melhoria na qualidade do ar e alta resistência a incêndios e danos hídricos.

Josh Webb, gerente sênior de contas nacionais da companhia, relata que muitas incorporadoras de alto padrão estão mudando a métrica tradicional: em vez de focar no preço por metro quadrado, passaram a focar no valor por metro quadrado, priorizando parceiros com forte apelo sustentável.

Atenta à tendência do envelhecimento no próprio lar (aging in place), a Dal-Tile lançou a linha Stepwise, um piso 50% mais antiderrapante que mantém o padrão estético. Profilio ressalta que essa inovação é crucial para áreas molhadas, como o entorno de piscinas ou banheiros amplos com grandes chuveiros abertos (walk-in showers).

Além disso, para combater mofo e bolor, a linha Defend conta com tecnologia antimicrobiana integrada ao esmalte, bloqueando 99% da proliferação de bactérias.

Outros parceiros de inovação do projeto:

  • Revestimento Externo (James Hardie): As fachadas em fibrocimento foram escolhidas por serem incombustíveis, resistentes à umidade e pragas, além de suportarem extremos climáticos. O design intercala as linhas Artisan Lap Siding e Panel, combinando apelo arquitetônico com uma estética vertical moderna. A estrutura conta ainda com a barreira climática Tyvek, da DuPont, garantindo isolamento contra vento, chuva e infiltrações.
  • Metais e Louças (KOHLER): Distribuídos por toda a casa, os equipamentos possuem a certificação WaterSense, atestando a sustentabilidade e a eficiência hídrica.
  • Gestão Hídrica (Phyn e Aquor): O imóvel utiliza o sistema inteligente da Phyn para detectar vazamentos em estágio inicial por meio de ondas de pressão em alta definição, capaz de cortar o fornecimento de água automaticamente e disparar alarmes. Nas áreas externas, o sistema frost-free (à prova de congelamento) da Aquor elimina gotejamentos e simplifica a manutenção.
  • Gestão de Energia (JinkoSolar, Savant e Daikin): Módulos fotovoltaicos escuros EAGLE Residential capturarão a energia solar, operando em sincronia com o hub de automação e controle geral da Savant. Para o conforto térmico, o sistema HVAC de alta performance da Daikin reduzirá o consumo, limitará as oscilações de temperatura e controlará a umidade de forma ultra silenciosa.
  • Sonorização Oculta (Sonos): Para o entretenimento imersivo, alto-falantes totalmente integrados e camuflados no gesso das paredes e dos tetos entregarão um som de alta definição e design invisível.

Levando o Futuro do Mercado Imobiliário aos Consumidores

Com design meticuloso e parceiros estratégicos, a VISION House Asheville abrange os múltiplos pilares da moradia do futuro. Contudo, apresentar esse modelo ao mercado exige métricas palpáveis.

Quando o imóvel entrar em plena operação, os dados gerados por seus sistemas inteligentes e sensores serão monitorados. A Alair Homes | Red Tree reunirá os principais insights — compilando tanto os acertos quanto as falhas observadas ao longo da construção e operação — para tornar a indústria mais inteligente e preparada para as demandas habitacionais de amanhã.

Para garantir a responsabilidade ambiental ponta a ponta, a pegada de carbono de toda a obra será calculada e devidamente compensada através do COGNITION Carbon Offsets Marketplace, da Green Builder Media.

O público poderá conhecer a casa do futuro por meio de uma série de programações previstas para o outono de 2027. O roteiro incluirá um jantar beneficente conduzido por um chef local vencedor do prestigiado prêmio James Beard, além de ser o principal destaque da feira imobiliária Asheville Parade of Homes.

Reportagem publicada originalmente em Forbes.com

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