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Imóveis Prime em São Paulo Rendem Dez Vezes Mais Que a Média e Atraem Capital Estrangeiro

Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.

Imóveis de mais de R$ 3 milhões listados em São Paulo estão performando cerca de dez vezes acima da média da cidade e, desde 2023, apresentam um preço com crescimento anual composto (CAGR) de 21,7%. Os dados são de levantamento da Global Citizen Solutions (GCS), enviado à Forbes.

A Global Citizen Solutions, uma consultoria internacional em planejamento de cidadania e residência para famílias, empresários e investidores, ainda sinaliza que esse panorama dos imóveis em São Paulo tem impulsionado fluxos de investimento desvinculados de programas de residência.

Segundo a instituição, a capital paulista tem captado capital institucional direto, estruturalmente desvinculado dessas políticas.

“Esse volume expressivo no segmento prime evidencia um tipo de capital genuinamente distinto da camada responsiva a políticas de imigração que monitoramos historicamente nos mercados globais”, analisa Patricia Casaburi, fundadora e CEO da Global Citizen Solutions.

“O que observamos agora em São Paulo é um fluxo movido estritamente pelos fundamentos do ativo, buscando diversificação, retorno e resiliência inflacionária, operando de forma totalmente autônoma em relação aos canais de mobilidade global”, completa.

Na prática, os dados reforçam a tese de que o mercado imobiliário — seja em São Paulo, seja em outros locais do mundo — segue funcionando como hedge para a inflação e se mantém relevante em portfólios de investidores institucionais e de ultrarricos.

Como exemplo, o maior fundo de pensão do Canadá, o CPP Investments, comprometeu R$ 1,7 bilhão em parceria com a Cyrela para um portfólio de imóveis de luxo em São Paulo, cujo Valor Geral de Vendas (VGV) projetado é de R$ 6 bilhões.

A transação, estruturada por uma joint venture entre ambas as partes, foi um dos maiores aportes recentes de capital estrangeiro no mercado residencial brasileiro.

No resto do mundo, Dubai, Tóquio e Atenas despontam

O estudo indica que os maiores crescimentos de preços nos últimos cinco anos ficaram com Dubai (+173,7%), Tóquio (+65,5%) e Atenas (+62,4%).

No caso da cidade nos Emirados Árabes Unidos, trata-se de uma ascensão atrelada à demanda internacional sustentada e ao regime de propriedade de baixa tributação.

Não há imposto sobre propriedades, nem imposto sobre ganhos de capital, e a propriedade plena (freehold) por estrangeiros se aplica em áreas designadas.

Isso, somado ao programa de Golden Visa, impulsionou esse movimento. A Global Citizen Solutions observa que isso é visível nos volumes recordes de transações no segmento prime do mercado, incluindo mais de 4,6 mil vendas concluídas que somam US$ 2,7 milhões ou mais.

Dubai terminou 2024 com uma população de 3,86 milhões e tem projeção de chegar a 5 milhões até 2030, segundo o Centro de Estatísticas de Dubai.

A consultoria aponta que Tóquio se beneficiou de um iene mais fraco, tornando os imóveis mais baratos para compradores estrangeiros. Na capital do Japão, o investimento imobiliário estrangeiro chegou a cerca de US$ 15,7 bilhões.

Apesar disso, o lançamento de novos condomínios caiu para o menor nível desde 1980 em todo o Japão.

Já a cidade da Grécia, que ocupa a terceira posição do ranking, soma investimentos estrangeiros de € 2,75 bilhões em 2024, alta de 28,9% ante o ano anterior.

De forma geral, os preços de imóveis estão relativamente baixos e se combinam com fundamentos que vêm melhorando desde a recuperação do país no pós-crise.

As 7 cidades analisadas com as maiores valorizações 2020-2024

  1. Dubai +173,7%
  2. Tóquio +65,5%
  3. Atenas +62,4%
  4. Sydney +22,9%
  5. Madri +17,7%
  6. Lisboa +16,4%
  7. Singapura +16,3%

Capital mais seletivo

O estudo sugere que o investimento direto estrangeiro (IDE) global está sob pressão, e que os fluxos brutos subiram 4% em 2024, chegando a US$ 1,5 trilhão.

No entanto, esse crescimento foi puxado por movimentos financeiros voláteis em países europeus usados como conduto. Quando esses fluxos são excluídos, a medida ajustada da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), cai 11%, marcando o segundo ano consecutivo de queda real.

Na prática, o capital global está mais seletivo, não mais abundante. Isso torna ainda mais relevante identificar quais mercados continuam atraindo atenção.

No setor imobiliário, o valor total das transações globais chegou a US$ 873 bilhões em 2025, alta de 12% em relação ao ano anterior — mas com concentração em oportunidades mais específicas e tickets maiores.

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Linha 6-Laranha vai deixar Perdizes, Pompeia e Água Branca mais caros? Entenda

A chegada da Linha 6-Laranja do metrô aos bairros de Perdizes, Pompeia e Água Branca produziu um resultado visível no mercado imobiliário, com uma valorização na casa dos 30% nos arredores das novas estações. Mas isso é tudo? O preço do metro quadrado na região vai ficar ainda mais caro ou o “efeito metrô” já está precificado?

“Se você for tirar uma foto do que está acontecendo, sim, chegamos num valor máximo, mas a avaliação é foto e não filme. O mais correto é dizer que a região vive hoje um ‘platô de preço’, e não um teto definitivo de valorização”, explica André Araújo, CEO da Real Price.

Para entender os efeitos da Linha Laranja no mercado imobiliário residencial, a Real Price elaborou o estudo “O valor da proximidade”, que foi compartilhado com o exclusividade com o InfoMoney. O levantamento analisou 1,36 milhão de transações imobiliárias registradas na cidade de São Paulo entre 2006 e 2026.

Segundo ele, apartamentos localizados até 500 metros de uma estação da Linha 6 já apresentam um prêmio médio de 10,8% em relação a imóveis equivalentes situados a mais de 1,5 quilômetro do corredor. À medida que a distância até uma estação nova aumenta, a valorização diminui, caindo para cerca de 6,7% nos anéis seguintes.

As comparações presentes na pesquisa sempre trazem dados da Linha 4- Amarela, que está madura há 15 anos e é referência de um corredor consolidado no seu teto.

Prêmio de preço/m² por anel de distância — apartamentos (Fonte: Real Price)

Segundo a Real Price, o mercado imobiliário começou a reagir à Linha 6-Laranja muito antes da inauguração das estações. O elemento que reforça a tese de antecipação é a estabilidade do prêmio ao longo do tempo, sem aceleração significativa às vésperas da inauguração.

Na prática, a indicação é que boa parte dos ganhos relacionados à chegada do metrô foi capturada ao longo dos anos de obra.

Prêmio do anel 0–500m de uma nova estação, ano a ano, em apartamentos (Fonte: Real Price)

O trecho mais consolidado da Linha 6- Laranja

Entre as seis estações inauguradas neste mês, os maiores avanços ocorreram justamente no trecho mais consolidado da linha. Entre os triênios de 2019 a 2021 e 2024 a 2026 o valor médio do metro quadrado negociado subiu 31% nos imóveis localizados a até 1 km da estação Perdizes; 28% na região da estação Sesc Pompeia e 25% nos arredores da futura estação Água Branca.

O estilo de vida “Perdizes”

Embora a Linha 6 tenha sido um fator relevante, ela não explica sozinha a forte valorização observada em Perdizes. Para Araújo, o bairro vem passando por uma mudança estrutural que ampliou sua atratividade tanto para moradores quanto para investidores. “O bairro ficou mais na moda entre o público jovem e principalmente entre investidores buscando Airbnb”, disse.

Segundo o executivo, a região se consolidou como um ecossistema que combina moradia, gastronomia, entretenimento e turismo urbano, impulsionado por equipamentos como a arena multiuso do Palmeiras – hoje Nubank Parque –, o Shopping Bourbon e o Sesc Pompeia.

A nova estação de metrô reforça esse movimento, porque facilita o acesso dos visitantes e aumenta a sensação de mobilidade. “O mais importante de tudo isso não é o que é, mas a sensação que dá estar lá“, afirmou.

Entre os triênios de 2019 a 2021 e de 2024 a 2026 o preço do metro quadrado transacionado em apartamentos nos arredores da estação Perdizes, localizada na confluência entre a Av. Sumaré e as ruas Apinajés e Apiacás, subiu de R$ 5.089 para R$ 6.675, segundo dados de ITBI, que é o imposto pago em toda compra e venda de imóvel. A variação foi de 31% no intervalo.

Já comparando valores anunciados na plataforma FipeZap, o metro quadrado foi de R$ 8 mil para R$ 10 mil, uma variação de 25%.

Vale explicar que a diferença de valores entre o que é anunciado e, de fato, transacionado tem dois motivos. O primeiro: o preço pedido é sempre maior que o preço fechado em uma venda, ou seja, o anúncio embute a margem de negociação; o segundo: o ITBI é calculado sobre a área construída do IPTU (que inclui garagem e áreas comuns), enquanto o anúncio usa a área útil, que geralmente é menor, o que eleva o preço do metro quadrado. Por isso o comparável entre as fontes é o diferencial de valorização, não o nível absoluto.

Leia mais: Selic caiu: agora é a hora de fazer um financiamento imobiliário?

Água Branca em transformação

Se Perdizes parece estar entre os mercados mais maduros do corredor, a região da estação Água Branca, na Avenida Santa Marina, apresenta características diferentes.

A região não está sendo beneficiada apenas pela chegada da Linha 6, mas também por um amplo processo de transformação urbana que vem convertendo antigas áreas industriais em novos empreendimentos residenciais e comerciais.

O próprio estudo alerta que não é possível atribuir toda a valorização do corredor exclusivamente ao metrô, especialmente em áreas como Água Branca e Barra Funda, que passam por mudanças urbanísticas paralelas.

Por isso, especialistas do setor tendem a enxergar Água Branca como um caso mais complexo. Embora parte relevante da valorização ligada ao transporte já tenha acontecido, o bairro ainda pode se beneficiar de novos ciclos de desenvolvimento imobiliário.

Entre os triênios de 2019 a 2021 e de 2024 a 2026 o preço do metro quadrado transacionado em apartamentos nos arredores da estação Água Branca subiu de R$ 5.069 para R$ 6.316, segundo dados de ITBI, que é o imposto pago em toda compra e venda de imóvel. A variação foi de 25% no intervalo.

Já comparando valores anunciados na plataforma FipeZap, o metro quadrado foi de R$ 8.800 para R$ 11.040 mil, aumento de 25% também.

E a Pompeia?

A região atendida pela estação Sesc Pompeia, no cruzamento entre a Av. Pompeia e a Rua Venâncio Aires, ocupa uma posição intermediária. O bairro já possuía forte demanda residencial, ampla oferta de serviços e uma localização consolidada antes da chegada da Linha 6. Ao mesmo tempo, ganhou uma melhoria importante em termos de mobilidade urbana.

O resultado foi uma valorização de 28% no período analisado, segunda maior entre as seis estações inauguradas. Entre os triênios de 2019 a 2021 e de 2024 a 2026 o preço do metro quadrado transacionado em apartamentos nos arredores da estação SESC Pompeia subiu de R$ 5.141 para R$ 6.562, segundo dados de ITBI.

Já na comparação de anúncios, o preço do metro quadrado foi de R$ 8.400 para R$ 10.548, alta de 26%.

Para analistas do mercado, a Pompeia parece ter absorvido grande parte dos benefícios diretos associados ao metrô, mas ainda sem atingir o nível de maturidade observado em regiões mais antigas e consolidadas da cidade.

Leia mais: Metro quadrado dos imóveis novos no Rio dispara quase 70% em um ano; por quê?

O que ainda pode sustentar novas altas

Embora considere que o impacto imediato da Linha 6 já esteja amplamente refletido nos preços de Perdizes, Pompeia e Água Branca, Araújo não crava nenhum fim do ciclo de valorização. O argumento é a história da Linha 4-Amarela.

O estudo relembra que, enquanto a Linha 6 apresenta atualmente um prêmio de proximidade de 10,8%, a Linha 4 registra um diferencial de 24,9% para imóveis localizados próximos às estações.

A diferença sugere que corredores de transporte costumam ganhar valor não apenas durante a construção, mas também ao longo dos anos de operação, à medida que a infraestrutura se consolida, novos negócios chegam à região e a demanda aumenta.

A Linha 6, ao que tudo indica, já entrou no preço dos imóveis de Perdizes, Pompeia e Água Branca quando a análise olha para o passado. Contudo, é impossível precificar a evolução futura desses bairros e a maneira como a nova linha poderá transformar sua dinâmica econômica nos próximos anos.

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Escritórios de Alto Padrão em São Paulo Têm Primeiro Saldo Negativo em Mais de um Ano

Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.

O mercado de escritórios de São Paulo registrou, no segundo trimestre de 2026, uma absorção líquida negativa de 4.170 m², sendo a primeira vez que o indicador fica no vermelho desde o início de 2025, interrompendo uma sequência de resultados positivos. Os dados constam de um levantamento enviado com exclusividade à Forbes pela Cushman & Wakefield, empresa global de serviços imobiliários corporativos com mais de 400 escritórios ao redor do mundo.

O ponto é que a absorção líquida foi negativa por conta da “desocupação de uma grande empresa do setor financeiro”, segundo a Cushman & Wakefield.

Foi justamente no segundo trimestre de 2026 que o Banco Master devolveu seus escritórios na região, implicando em uma desocupação massiva.

No total, foram cerca de 14 mil m² devolvidos no edifício-sede do banco que era de Daniel Vorcaro, o Auri Plaza.

Afora isso, áreas menores também foram devolvidas no Pátio Victor Malzoni e no B32, totalizando cerca de 30 mil m² com os três imóveis em conjunto.

Ou seja, sozinho, o Banco Master impactou o resultado consolidado do trimestre.

Cushman & Wakefield

Apesar disso, a Cushman & Wakefield mostra que a demanda por ativos de alta qualidade se manteve presente em diferentes regiões do mercado.

Como exemplo, a Chucri Zaidan liderou a absorção líquida no período, com 7.628 m², seguida pela Berrini (5.704 m²), Faria Lima (4.042 m²) e Chácara Santo Antônio (3.729 m²).

A Vila Olímpia, onde estava a maior parte das lajes corporativas ocupadas pelo Master, registrou absorção líquida negativa de 14.269 m², e foi seguida por Marginal Pinheiros (-6.024 m²) e Pinheiros (-4.302 m²).

A JK, após liderar a absorção no trimestre anterior, apresentou resultado próximo da estabilidade, com saldo negativo de 678 m².

Para a pesquisa, a Cushman & Wakefield monitora trimestralmente o estoque de edifícios de escritórios classe A e A+ nas 12 principais regiões do CBD (Central Business District, a região de escritórios mais nobre e concentrada de uma cidade) de São Paulo.

São considerados prédios na Faria Lima, JK, Chucri Zaidan, Berrini, Vila Olímpia, Pinheiros, Marginal Pinheiros, Chácara Santo Antônio, Paulista, Itaim, Rebouças e Jardins.

No total, a companhia analisa 137 edifícios e 3.081.560 m².

Entre abril e junho não foram registradas novas entregas de empreendimentos nas regiões analisadas, mantendo o inventário total estável. Ou seja, as variações observadas na vacância e absorção líquida decorreram exclusivamente dos movimentos de ocupação e devolução registrados ao longo do período.

Os dados vem meio à maré de otimismo com imóveis corporativos na região da Faria Lima. Como noticiado pela Forbes, as lajes corporativas da região têm custado frequentemente mais de R$ 300 por metro quadrado, preço que anteriormente era reservado apenas ao topo do mercado dos imóveis Triple A.

Preços de imóveis de escritórios em São Paulo

Conforme o levantamento, o preço médio pedido de locação encerrou o segundo trimestre de 2026 em R$ 148,25 por metro quadrado ao mês, revertendo uma retração vista no trimestre anterior e retomando a trajetória de valorização do mercado.

A Faria Lima segue como região mais valorizada, com preço médio pedido de R$ 293,08 por metro quadrado. A região teve estabilidade ante o primeiro trimestre de 2026.

Cushman & Wakefield

Enquanto isso, a Vila Olímpia registrou a maior valorização do período, atingindo R$ 194,80 por metro quadrado, na média, entre abril e junho.

Pinheiros também apresentou crescimento expressivo, alcançando R$ 267,61 por metro quadrado.

De modo geral, a valorização permanece concentrada nas regiões de escritórios mais consolidadas de São Paulo, enquanto os demais mercados seguem trajetória de maior estabilidade.

Vacância registra leve aumento

O levantamento mostra ainda que a taxa de vacância encerrou o segundo trimestre de 2026 em 11,4%, registrando leve aumento em relação ao trimestre anterior.

Da mesma forma, o indicador sofre efeito das devoluções massivas ocorridas em abril pelo Banco Master.

Entre as principais regiões, a Chucri Zaidan manteve a trajetória de redução e terminou junho com 12,25%.

A Faria Lima apresentou melhora e chegou a 8,97%, ao passo que a Berrini reduziu sua taxa para 9,39%. A Chácara Santo Antônio registrou nova queda, a 22,68%.

Em contrapartida, a Vila Olímpia elevou sua vacância para 22,1%, refletindo o volume de devoluções registrado no período.

Também mostraram aumentos a Marginal Pinheiros (30,54%) e Pinheiros (6,61%).

Pipeline mostra novas entregas no segundo semestre de 2026

Após um segundo trimestre sem entregas de empreendimentos, o mercado de escritórios de alto padrão de São Paulo deve passar por uma nova fase de expansão da oferta no segundo semestre de 2026.

O pipeline mapeado soma 384,5 mil metros quadrados em construção, com projetos previstos principalmente nas regiões da Chucri Zaidan, Chácara Santo Antônio, Itaim, Rebouças, Pinheiros e Faria Lima.

Segundo a Cushman & Wakefield, esse novo estoque tende a elevar a concorrência entre edifícios corporativos de alto padrão e estimular a migração de empresas para imóveis mais modernos e eficientes.

Apesar do aumento da oferta previsto para os próximos meses, o impacto sobre a taxa de vacância pode ser limitado. Isso porque parte significativa dos empreendimentos em desenvolvimento já conta com contratos de pré-locação, reduzindo o risco de entrada de grandes volumes de áreas vagas no mercado e reforçando a atratividade dos ativos de maior qualidade.

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Holdings patrimoniais impulsionam nova fase do mercado de luxo em Itapema

revelada pelo Índice FipeZAP, começa a ganhar uma explicação que vai além da valorização imobiliária. A cidade catarinense de apenas 52 quilômetros quadrados de extensão passou a atrair um novo perfil de comprador: holdings patrimoniais e family offices, estruturas utilizadas por famílias de alta renda para organizar investimentos, sucessão e gestão do patrimônio.

O movimento indica uma mudança relevante no mercado de imóveis de alto padrão. Se antes a compra era feita predominantemente por pessoas físicas, agora cresce a participação de investidores que enxergam os empreendimentos como ativos de longo prazo dentro de uma estratégia patrimonial mais ampla.

“O mercado amadureceu. Hoje, cerca de 90% dos compradores de imóveis de luxo em Itapema, como o Edify One, utilizam holdings patrimoniais ou family offices para realizar a aquisição. O imóvel deixou de ser apenas um bem de consumo e passou a integrar a estratégia financeira das famílias”, afirma Luiz Feitosa, sócio da incorporadora Edify.

A mudança já vem ocorrendo nos últimos meses, o que levou Itapema assumir a liderança nacional do preço médio dos imóveis residenciais, de R$ 15.526 por metro quadrado, encerrando uma hegemonia histórica de Balneário Camboriú. A inversão, segundo o especialista que atua há mais de 30 anos no mercado imobiliário catarinense, não significa perda de força da cidade vizinha, mas a entrada de Itapema em uma nova etapa do ciclo imobiliário.

“Balneário Camboriú continua sendo um mercado extremamente sólido, mas atingiu um estágio de maior maturidade e de limitações físicas para crescimento. Enquanto isso, Itapema ainda tem disponibilidade de terrenos para grandes projetos urbanos, com potencial amplo de valorização. Esses  fatores passaram a atrair esses investidores institucionais e famílias de alta renda”, explica Feitosa.

Leia Mais: Itapema supera Balneário Camboriú e tem o metro quadrado mais caro do Brasil

Cenário

No relatório “Global Family Office Report 2025”, divulgado pelo banco UBS, 30% das estruturas mundiais de gestão de fortunas planejam aumentar os seus investimentos e o Brasil pode se tornar alvo do capital institucional global entre mercados emergentes. O volume de intenção de aportes coloca o mercado brasileiro à frente da Índia (15%) e do México (15%) na disputa por essa liquidez internacional. Do total de entrevistados, 44% das carteiras das famílias que estão entre as mais ricas do mundo são destinadas a investimentos alternativos. O setor imobiliário, de forma isolada, captura 11% do volume total de alocação.

No país, o litoral catarinense se transformou em um centro desses negócios de proteção patrimonial. Em Itapema, transações já chegam a superar a casa dos R$ 50 milhões. E os compradores, segundo Feitosa, “não são mais CPF, mas sim CNPJs.”

Dados da consultoria Deloitte em seu último relatório focado em family offices revelaram que os escritórios familiares no mundo já gerenciam mais de US$ 3,1 trilhões (2024), cifra que deve saltar 73% até 2030, atingindo US$ 5,4 trilhões.

Reforma tributária

No cenário brasileiro, a corrida pelo litoral de Santa Catarina tem ainda mais urgência diante da Reforma Tributária e a iminente elevação do Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD). Famílias da agroindústria, magnatas da nova economia digital, celebridades, grandes executivos e empresários aceleraram a abertura de holdings patrimoniais para alocar capital com segurança sucessória, de acordo com o especialista.

Assim, a ostentação dá lugar à discrição e à governança, e o imóvel em localizações nobres de frente para o mar funciona como um “cofre”, que protege o capital contra flutuações cambiais e inflacionárias.

Segundo Feitosa, essa preocupação aparece de forma recorrente nas negociações. “Os clientes estão cada vez mais preocupados em organizar seu patrimônio pensando nas próximas gerações. O imóvel de alto padrão passou a fazer parte dessa estratégia porque combina proteção patrimonial, geração de renda e potencial de valorização.”

Outro fator que impulsiona esse movimento é o próprio ambiente econômico. Mesmo com juros ainda elevados, investidores de alta renda continuam destinando parte relevante dos recursos para ativos reais capazes de preservar patrimônio ao longo do tempo. “Quem compra esse tipo de imóvel hoje está pensando em décadas, não apenas na valorização dos próximos meses”, afirma Feitosa.

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O Que Está Acontecendo em Singapura, Que Tem Cada Vez Mais Bilionários e Menos Terrenos

Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.

O mercado imobiliário de Singapura vem tomando manchetes nos últimos meses, na esteira de aquisições de bilionários, escassez permanente e preços consequentemente em alta. O cenário é resultado de uma dinâmica de mercado própria e muito singular.

Isso se dá pelo fato de que se trata de um país bastante pequeno, mas com um mercado imobiliário relativamente sofisticado e que redefine o conceito de restrição de oferta. No total, a área de Singapura tem apenas cerca de 730 quilômetros quadrados. Para efeito de comparação, esse tamanho equivale a aproximadamente 60 vezes o tamanho do Parque Ibirapuera, em São Paulo (SP). É uma área que também não é muito maior do que a cidade de Nova York.

É para esse perímetro não tão amplo que vários milionários e ultrarricos têm ido nos últimos anos. O número de family offices tem crescido substancialmente. É por lá, aliás, que reside a maior gestora de ativos reais da Ásia, a CapitaLand, com S$ 125 bilhões em ativos sob gestão — que representam pouco menos de R$ 500 bilhões no câmbio atual.

Assim, por lá os preços de imóveis têm subido com alguma consistência nos últimos anos, e especialmente na última meia década.

O mercado de luxo, que já é naturalmente restrito e escasso em qualquer lugar do mundo, se torna ainda mais exclusivo, dado que a oferta de imóveis e terrenos é extremamente limitada por questões tanto regulatórias quanto geográficas.

No mercado residencial privado de Singapura, a apreciação acumulada em 2025 foi de 3,4%, segundo o índice de preços da URA (Urban Redevelopment Authority). Segundo a JLL, isso representou um crescimento total de 42,3% nos preços de imóveis privados entre o primeiro trimestre de 2020 e o quarto trimestre de 2025.

Os lances por terrenos no âmbito do programa GLS (Government Land Sales), por sua vez, mostram uma dinâmica ainda mais agressiva.

Segundo dados da PropNex com base em registros da URA, a taxa média de terrenos residenciais nos primeiros cinco meses de 2026 chegou a aproximadamente R$ 64,7 mil por metro quadrado de área edificável (plot ratio) — quase 13% acima da média do ano anterior, que por sua vez era 10% superior à de 2024.

Esse panorama levou incorporadores como CDL, Sunway MCL e CSC Land a oferecer prêmios recordes por terrenos em River Valley e Newton, nas partes mais nobres da cidade-Estado — em suma, é uma confiança ampla de que o comprador final dos imóveis está disposto a pagar preços altos.

River Green tem Paisagismo 100% com árvores nativas, unindo biodiversidade e vida urbana no coração do Distrito 9 de Singapura. O projeto contempla uma torre de 36 andares erguida diretamente sobre a estação Great World MRT
River Green/River ValleyRiver Green tem Paisagismo 100% com árvores nativas, unindo biodiversidade e vida urbana no coração do Distrito 9 de Singapura. O projeto contempla uma torre de 36 andares erguida diretamente sobre a estação Great World MRT

O GLS, vale destacar, é o programa do governo de Singapura que libera terrenos públicos para que incorporadoras privadas desenvolvam empreendimentos residenciais, comerciais e de uso misto.

O motivo: 90% das terras de Singapura são do Estado.

Desta forma, os terrenos disponíveis para que sejam levantados prédios que abrigarão apartamentos de alto padrão são pouquíssimos — o que tem pressionado os preços para cima.

As ofertas dos bilionários

Os bilionários e incorporadoras — que eventualmente são a mesma parte interessada — têm avançado sobre uma gama restrita de terrenos em movimentos recentes.

Conforme reportado pela Forbes, no último mês a Sunway MCL, incorporadora de Singapura controlada pelo bilionário malaio Jeffrey Cheah, e sua parceira CSC Land Group, apresentaram a maior proposta por um terreno residencial de alto padrão próximo ao principal distrito financeiro da cidade-Estado.

As empresas ofereceram S$ 751 milhões (US$ 581 milhões, ou R$ 2,98 bilhões) pela concessão de 99 anos de um terreno em River Valley Green, região localizada entre o corredor comercial da Orchard Road e o distrito financeiro central de Singapura.

O lote possui 11.516 metros quadrados, e a proposta corresponde a S$ 1.730 por pé quadrado (R$ 75.400 por metro quadrado) de área computável, representando um prêmio de aproximadamente 22% em relação ao preço pago, em fevereiro de 2025, pela GuocoLand, empresa controlada pelo bilionário malaio Quek Leng Chan, por um terreno vizinho.

No mesmo mês, em junho, a City Developments Ltd. (CDL), incorporadora controlada pelo bilionário Kwek Leng Beng e sua família, venceu a disputa por um dos terrenos residenciais mais cobiçados de Singapura.

Em parceria com a Hong Realty, a companhia apresentou a maior oferta por um lote de alto padrão localizado em Peck Hay Road, no bairro de Newton, próximo ao corredor comercial da Orchard Road. As empresas ofereceram S$ 542,4 milhões (R$ 2,712 bilhões) pela concessão de 99 anos do terreno.

Os dois casos evidenciam o apetite dos incorporadores por terrenos na região Core Central Region (CCR), que se fortaleceu consideravelmente nos últimos 18 meses. Terrenos GLS na CCR atraíram uma média de 5,7 lances nesse período, contra uma média de três lances em 2024.

A confiança tem sido renovada na esteira das fortes taxas de absorção em lançamentos recentes na CCR, incluindo o River Green, o Skye at Holland e o River Modern. Uma parte de River Valley Green era o último lote GLS disponível no entorno de River Valley.

O que explica a escassez extrema

De forma geral, os negócios firmados por players bilionários e grandes incorporadoras são fruto de uma dinâmica de mercado que combina alta escassez de terras e uma demanda crescente por imóveis de luxo e alto padrão.

Trocando por miúdos, é um mercado em que a demanda tem potencial de crescer a depender do momento — e tem crescido — ao passo que a oferta é permanentemente baixa.

Como o crescimento urbano ocorre por redesenvolvimento e novos lotes são liberados de forma controlada pelo governo, as áreas nobres se tornam ativos raros e altamente disputados.

Skye At Holland tem mais de 600 residências assinadas por um consórcio de quatro das maiores incorporadoras de Singapura
Skye At HollandSkye At Holland tem mais de 600 residências assinadas por um consórcio de quatro das maiores incorporadoras de Singapura

A maior competição está concentrada justamente na Core Central Region (CCR), que reúne bairros como Orchard Road, River Valley, Newton e Tanglin, onde estão os imóveis mais valorizados de Singapura.

A CCR é uma região imobiliária que integra uma tripartição feita pela Urban Redevelopment Authority (URA) para classificar o mercado residencial privado da cidade-Estado.

As outras duas regiões são a Rest of Central Region (RCR) e a Outside Central Region (OCR), das quais a primeira é a zona de transição entre o núcleo de luxo e os subúrbios, e a segunda é onde a maior parte da população vive.

Sendo o epicentro do mercado imobiliário de luxo de Singapura, a CCR concentra condomínios premium, imóveis de alto valor e uma grande parcela das propriedades freehold, de posse plena.

Terrenos como os de River Valley Green e Peck Hay Road são cobiçados porque oferecem localização estratégica próxima ao centro financeiro e ao principal corredor comercial do país.

No segmento mais exclusivo, os Good Class Bungalows (GCBs), há apenas cerca de 2,8 mil propriedades distribuídas em 39 áreas regulamentadas, sem novos terrenos liberados há décadas.

Ou seja, o ciclo que se intensificou entre 2025 e 2026 é de competição por ativos escassos, com um cenário em que as incorporadoras pagam pelo terreno e se mostram dispostas a desembolsar prêmios elevados pela possibilidade de lançar empreendimentos onde quase não há mais oportunidade de fazer isso.

O que explica a demanda em alta

O mercado de luxo de Singapura também tem sido impulsionado, em parte, pela entrada de capital internacional, especialmente de empresários e family offices, além de indivíduos de alta renda de outros países da Ásia.

Mesmo com medidas restritivas, como o aumento do imposto para compradores estrangeiros, a demanda permaneceu resiliente.

Singapura atraiu mais de 3,5 mil milionários no ano de 2024, segundo o Henley Private Wealth Migration Report, colocando o país entre os principais destinos mundiais de riqueza privada.

River Modern tem cerca de 70% das residências voltadas para o Rio Singapura, com vistas que se estendem até Orchard Road
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Ao mesmo tempo, o número de single family offices saltou de cerca de 400 em 2020 para mais de 2 mil no fim de 2024.

O país, vale lembrar, desbancou a Suíça como país mais competitivo do mundo neste ano, segundo o IMD World Competitiveness Ranking, elaborado pelo International Institute for Management Development (IMD).

A retomada dos juros a partir do fim de 2024, a busca global por proteção patrimonial e a estabilidade institucional de Singapura reforçaram o ciclo positivo. O mercado passou a depender menos de investidores especulativos estrangeiros e mais de compradores ultrarricos.

O que o UBS e a Knight Frank têm a dizer sobre Singapura

O Wealth Report deste ano, da consultoria imobiliária britânica Knight Frank, posiciona Singapura como um dos principais hubs globais de wealth management, citando-a repetidamente ao lado de Londres, Nova York e Dubai no contexto da mobilidade de capital de ultra-high-net-worth individuals (UHNWs, na sigla em inglês, pessoas com patrimônio acima de US$ 30 milhões).

Olhando para o Prime International Residential Index (PIRI 100) da consultoria, Singapura aparece em 13º lugar, com crescimento de preços de imóveis prime de 7,9% em 2025.

Na seção sobre family offices, o relatório identifica Singapura como um hub “necessário” na rivalidade com Hong Kong pela liderança na gestão de riqueza asiática.

O relatório descreve que Singapura desfrutou de um boom pós-pandemia, consolidando seu status de porto seguro e atraindo grande número de family offices. No entanto, ressalta que as restrições físicas, os altos custos de vida e o enrijecimento regulatório reduziram o momentum.

A visão da casa é de que os fluxos globais de capital tendem a se concentrar em hubs que combinam luxo com ambientes regulatórios favoráveis — e Singapura é listada como um deles, ao lado de Dubai, Miami e Londres.

O relatório também menciona que os aluguéis do topo do mercado imobiliário em Singapura subiram 48% nos últimos cinco anos, atrás apenas de Nova York (+63%) e Londres (+53%), refletindo a demanda de UHNWIs que optam por alugar antes de comprar para evitar incidências tributárias.

O banco suíço UBS, no relatório Global Wealth Report, também de 2026, frisa que Singapura é um dos mercados mais ricos do mundo em termos de riqueza per capita.

Olhando para a riqueza média por adulto, Singapura ocupa a 6ª posição global do ranking do UBS, com US$ 527.217, atrás de Suíça (US$ 910.382), Estados Unidos (US$ 696.277), Luxemburgo (US$ 654.732), Hong Kong RAE (US$ 648.267) e Austrália (US$ 616.306).

Em termos de riqueza mediana por adulto, Singapura aparece em 20º lugar, com US$ 96.434.

O relatório destaca que Singapura é um dos mercados onde a participação de ativos financeiros na riqueza bruta total é superior a 60%, o que a distingue de economias mais dependentes de ativos imobiliários.

Esse patamar, superior ao da maioria dos países europeus e da China continental (51,9%), reflete a sofisticação do mercado financeiro local e a cultura de investimento em portfólios diversificados.

O nível de dívida como proporção da riqueza bruta é de 11,8%, próximo ao da Alemanha (11%), EUA (10,9%) e China continental (10,6%), indicando uma alavancagem moderada e estruturalmente saudável.

Em crescimento de milionários, o relatório registra que o número de milionários em dólares em Singapura cresceu 2,2% em 2025, acrescentando 5.240 novos milionários ao longo do ano. O total de milionários em dólar residentes em Singapura é de 244 mil pessoas.

O contexto por trás do modelo de Singapura

O fato de o Estado deter a esmagadora maioria dos imóveis e gerar escassez é um dos pilares do modelo urbano do país. Essa política teve seu pontapé inicial após a independência da Cidade-Estado, que ocorreu em meados de 1965.

A medida que centraliza isso é a Land Acquisition Act, de 1966, que versa sobre a compra de terrenos privados para projetos considerados de interesse público.

Com isso, a maior parte dos imóveis em Singapura não é comercializada enquanto propriedade permanente, mas sim como um arrendamento por 99 anos (leasehold), no qual o comprador adquire apenas o direito de uso do imóvel e do terreno durante esse período de quase um século.

Depois do fim do contrato, a posse retorna ao governo, que pode redefinir o uso da área de acordo com as necessidades urbanísticas do país.

Esse sistema é a pedra fundamental da política habitacional da Cidade-Estado, sendo que os apartamentos desenvolvidos pelo Housing and Development Board (HDB) são sempre vendidos por meio desses contratos de longo prazo e abrigam mais de 80% da população.

Quanto custa o metro quadrado em Singapura, na média

O preço médio por pé quadrado de um condomínio em Singapura ficou em S$2.123,95, representando R$ 68.586 por metro quadrado na conversão.

Já o preço de landed properties — casas onde o comprador é dono tanto da construção quanto do terreno em que ela está construída — ficou em R$ 58.635 por metro quadrado, em contraste com os R$ 20.628 por metro quadrado dos apartamentos HDB no mercado de revenda, baseado em transações de 2025.

A propriedade privada média em Singapura custa atualmente cerca de S$ 19,5 mil (R$ 77 mil) por metro quadrado, segundo dados da Urban Redevelopment Authority (URA) e de portais de inteligência imobiliária e corretagem como PropertyGuru, SRX Property e SmartWealth.

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Em Meio à Crise Imobiliária na China, Preços dos Imóveis Recuam em 49 das 70 Maiores Cidades

Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.

Os preços dos imóveis na China recuaram 3,3% em junho de 2026 ante igual etapa do ano anterior, conforme divulgado pelo Departamento de Estatísticas do governo local na noite de terça-feira (14), no horário de Brasília. A leitura mostra uma perpetuação da crise no setor imobiliário chinês que tem se arrastado por anos.

Na leitura anterior, os preços dos imóveis na China haviam recuado 3,5% em maio de 2026 contra maio de 2025.

O dado oficial do governo da China é um índice que acompanha a evolução dos preços de imóveis residenciais por meio de transações envolvendo hipotecas convencionais e em conformidade, considerando exclusivamente casas unifamiliares.

A metodologia utilizada é a de vendas repetidas, comparando o preço da mesma propriedade em diferentes momentos, seja em uma nova venda ou em um refinanciamento.

Segundo cálculos do The Wall Street Journal com base neste índice, os preços nas 70 maiores cidades do dragão asiático apresentaram retração de 0,15% no mês de junho.

A leitura mostra uma desaceleração, dado que em maio a queda registrada pelos cálculos do WSJ foi de 0,2%.

Do total de 70 cidades analisadas, 49 mostraram queda em junho ante maio.

Olhando para o primeiro semestre fechado, a queda é de 3,5% nas principais cidades da China, comparando os preços dos imóveis com os primeiros seis meses de 2025.

O contexto da crise imobiliária na China

Os problemas no setor tiveram seu pontapé inicial entre 2020 e 2021, quando o governo chinês impôs às incorporadoras as chamadas “três linhas vermelhas”, firmando limites regulatórios de endividamento em relação a ativos, fluxo de caixa e crédito.

O intuito do Estado chinês era combater a bolha imobiliária que já representava mais de 20% do Produto Interno Bruto (PIB) do país.

Nesse panorama, os preços dos imóveis caíram mês a mês, embora o risco sistêmico tenha diminuído — mas não o suficiente para evitar problemas expressivos que tomaram as manchetes.

Um dos exemplos mais emblemáticos, à época, foi o calote da Evergrande, gigante chinesa do ramo de construção civil. O efeito dominó afetou outras incorporadoras como Country Garden, Kaisa Group, Fantasia Holdings, Sunac, Sinic Holdings e Modern Land.

Com o encolhimento do mercado imobiliário da China e os solavancos no setor, o consumo das famílias tem sido afetado, tal como tem gerado algum nível de desequilíbrio entre oferta e demanda.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) calcula que a dívida dos veículos de financiamento dos governos locais (LGFVs) fique entre 50 e 60 trilhões de yuans (R$ 37 trilhões a R$ 45 trilhões).

Essa métrica é referente apenas à dívida reconhecida, deixando de fora o endividamento direto adicional dos governos locais.

O governo da China rejeita a estimativa do FMI, alegando dupla contagem.

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Como Produtos Saudáveis Impulsionam o Futuro e a Economia do Setor Imobiliário

Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.

Algumas projeções indicam que o setor de saúde nos Estados Unidos crescerá para US$ 8,6 trilhões (R$ 43 trilhões) até 2033, representando 20% da economia do país. Isso ocorre paralelamente às mudanças demográficas nos EUA, à transformação das percepções sobre saúde e longevidade, e a um reconhecimento mais amplo do papel do ambiente construído em ambos os aspectos.

Doenças causadas por mofo e umidade custam à economia US$ 5,6 bilhões (R$ 28,5 bilhões) por ano. Os gastos médicos relacionados ao tratamento de asma decorrente de fungos nas residências ultrapassam US$ 3,6 bilhões (R$ 18,2 bilhões) anualmente. Além dessas condições respiratórias, produtos domésticos podem liberar compostos orgânicos voláteis, ou COVs, que trazem diversas consequências negativas para a saúde.

Outra frente na gestão da saúde ambiental é a restrição da exposição a campos eletromagnéticos (CEMs). Casas inteligentes com dispositivos conectados trazem novos desafios para minimizar a radiação eletromagnética, que, em alguns casos, pode causar problemas de sono, dores de cabeça e fadiga.

Para combater esses sintomas de forma proativa e ter uma vida mais sadia, os proprietários estão se informando e até mesmo ajudando a educar construtores, arquitetos e empreiteiros, que já começam a dar respostas a essa demanda.

Demanda por Produtos Saudáveis

Com o aumento de casos de moradores adoecendo devido a elementos presentes em seus lares ou no ambiente construído, cresce a exigência por transparência sobre os materiais utilizados nas habitações.

Esse movimento está provocando um afastamento de itens tradicionais — como espuma expansiva, pisos de PVC e materiais tratados com formaldeído —, abrindo espaço para que novas alternativas ocupem esse lugar.

Um marco que se destaca é o período pós-pandemia, quando uma parcela maior da população passou a se preocupar com a qualidade do ar interno e a buscar ventilação de alto desempenho, sistemas de filtragem para a casa inteira e monitores inteligentes de qualidade do ar.

Atualmente, as doenças respiratórias causadas por fungos também estão impulsionando o uso de matérias-primas mais naturais, respiráveis e resistentes ao mofo, como isolamento de lã ou concreto de cânhamo (hempcrete), além de tintas com níveis baixos ou nulos de COVs.

A consultoria McKinsey relata que saúde e bem-estar são a prioridade absoluta para 84% dos consumidores em relação ao que esperam de seus imóveis. Os compradores buscam maneiras de obter um sono melhor, melhoria na nutrição e bem-estar geral.

O relatório COGNITION Smart Data, da Green Builder Media, também mostra que o público prioriza características ligadas às três facetas do bem-estar — físico, mental e emocional —, procurando luz natural, ar fresco, água filtrada e áreas de convivência ao ar livre como atributos residenciais.

Os clientes estão interessados em janelas de alto desempenho integradas ao projeto arquitetônico para maximizar a iluminação e o fluxo de vento, assim como em sistemas embutidos de filtragem de água e varandas envidraçadas com vista para o exterior e fácil acesso à natureza.

O relatório aponta que o impacto financeiro para construtores e projetistas pode ser mínimo, pois o design focado no bem-estar não precisa ser complexo. Além disso, esses profissionais saem ganhando, uma vez que atributos passivos e integrados ao ecossistema têm forte apelo comercial.

Não apenas a demanda está crescendo, mas também a disposição do proprietário em pagar por essas comodidades. Segundo a COGNITION Smart Data, 27% dos compradores estão dispostos a desembolsar de US$ 5 mil a US$ 10 mil (R$ 25,4 mil a US$ 50,8 mil) a mais no ato da compra por recursos que tornem a casa saudável, desde que reduzam os custos de manutenção a longo prazo e melhorem a qualidade de vida. Outros 23% aceitam gastar US$ 10 mil ou mais.

A Demanda por Insumos Sustentáveis é Concentrada

Embora exista uma busca por opções salubres, Gareth Hayes, sócio sênior da consultoria de gestão Roland Berger, afirma que o foco recai majoritariamente sobre os imóveis de alto padrão.

“Bem-estar, luz natural e qualidade do ar interior ainda não decolaram”, disse ele. “Fora de hotéis e hospitais, onde a filtragem e a pureza do ar interno são exigências básicas para a funcionalidade do edifício, não vemos esse conceito engrenar. Em um empreendimento multifamiliar padrão, de preço de mercado, o apelo à saúde e ao bem-estar não está vencendo.”

Ainda que exista conectividade residencial por meio de equipamentos integrados a dispositivos vestíveis (wearables), a adoção continua limitada. Hayes acredita que os moradores não se sentem motivados a investir financeiramente apenas por uma questão de saúde, mas farão a transição se houver impacto no bolso.

“No segmento de casas unifamiliares, as empresas de cozinhas e banheiros, como Kohler e Moen, possuem investimentos em desenvolvimento”, acrescentou.

“Qual é o impacto da filtragem de água em toda a casa? Como você está infundindo a água no sistema do chuveiro? Como monitorar a saúde intestinal? Tudo isso é uma extensão do bem-estar pessoal conectada ao ecossistema de smart home. No entanto, ainda é relativamente cedo.”

O especialista comparou a tendência de saudabilidade ao movimento das construções ecológicas (green building), em que hoje quase um terço dos edifícios alcança certificações ambientais. No caso das certificações de saúde, ainda não há uma atividade forte voltada para exigências do código de obras — como a remoção total do formaldeído — que apresentem resultados normativos mais expressivos.

Além disso, como a procura ainda não ganhou escala, os materiais sustentáveis enfrentam um gargalo na cadeia de suprimentos devido à escassez de insumos. Esses entraves logísticos têm origem direta na coleta da matéria-prima.

“Se você observar o concreto ecológico, ele não consegue atender a toda a demanda porque não há material suficiente”, exemplificou.

“As empresas de concreto usinado representam 20% do mercado e têm capacidade de produzir um cimento mais sustentável, mas, se todos fizerem a transição, o sistema não dará conta. Em relação ao aço verde, a construção civil é o uso de maior valor agregado. Como o aço está presente em outros setores e a oferta é limitada, para onde ele irá? Para os automóveis, trens ou novas edificações? Não há volume suficiente para abastecer integralmente o mercado.”

Hayes também avalia que a inovação só ganhará força quando uma grande construtora ou uma legislação específica exigir a mudança.

“Se empresas como Pulte, Meritage e KB Home decidirem usar apenas janelas de vidro triplo, haverá inovação para sustentar isso, e o canal de distribuição descobrirá uma forma de fazer o produto chegar à ponta final”, completou.

Enquanto a regulação e o mercado de massa não resolvem a equação, algumas incorporadoras e fabricantes já estão tratando o tema como prioridade.

A Prática no Mercado Imobiliário

Na Flórida, Bekah Wagner, especialista em negócios imobiliários voltados para o bem-estar na Corcoran Reverie, tem prestado consultoria a empresas focadas em retrofits para tornar os edifícios mais sadios.

“Na cidade de Destin, a mentalidade e os métodos de construção convencionais estão ultrapassados”, relatou. “Temos graves problemas de mofo em razão da umidade, mas as construtoras insistem na madeira e no drywall. Também passei a analisar o impacto ambiental dos terrenos, visando frear o desmatamento — o que evita alagamentos — para, então, erguer empreendimentos de melhor qualidade sobre eles.”

A especialista atua ao lado de incorporadores e arquitetos para ajudá-los a entender a certificação WELL, um programa que avalia e mensura como os projetos e a gestão dos prédios impactam a qualidade de vida.

Em um projeto recente, os desenvolvedores alegavam ter o selo de “imóvel saudável” apenas por instalarem piscinas de imersão no gelo. Wagner orientou a equipe a evitar o greenwashing e a direcionar o foco para os recursos de design e de engenharia que atestassem o real compromisso do ativo com a saúde do morador.

“O empreendimento conta com três edifícios de apartamentos e duas townhouses (casas geminadas), e eu queria que o foco estivesse nos sistemas estruturais, não só nas comodidades da área comum”, explicou Wagner. “Privilegiei tintas e acabamentos com baixo teor de COVs, adicionei luzes dimerizáveis, baixa voltagem para ajustar o ritmo circadiano e blindagem contra CEMs nos dormitórios. Incluímos sistemas de filtragem de água. E estamos trabalhando com estruturas 100% em concreto, o mais recomendado para a topografia da região.”

Esse case reflete a grande oportunidade de investir na qualificação dos stakeholders envolvidos no ciclo construtivo, um desafio enfrentado por grande parte do mercado.

A Arbor Wood Co., empresa do portfólio da Cambium, forneceu o revestimento para este projeto Sera Sandy Ridge, que apresenta uma arquitetura profundamente enraizada na paisagem ao seu redor
Jennifer HughesA Arbor Wood Co., empresa do portfólio da Cambium, forneceu o revestimento para este projeto Sera Sandy Ridge, que apresenta uma arquitetura profundamente enraizada na paisagem ao seu redor

Supply Chain Responsiva

Para que produtos não-tóxicos sejam amplamente adotados, a transformação precisa ocorrer nas etapas logísticas, atrelada à originação da matéria-prima. Vários programas setoriais estão encampando esse desafio por meio de novas certificações de governança e produção.

Ben Christensen é o CEO do marketplace madeireiro Cambium, que atua na modernização da economia florestal salvando árvores, gerindo florestas de manejo sustentável e facilitando a compra legalizada da madeira.

“Nos EUA, cerca de 426 milhões de toneladas de madeira são desperdiçadas anualmente”, alertou. “Esse volume poderia ser reaproveitado para suprir mais da metade da demanda vigente. Temos uma escala gigantesca, mas reciclamos menos de 5% da produção hoje.”

Não é tarefa simples reinventar um nicho estagnado em processos analógicos. A Cambium trabalha no advocacy regulatório para a originação da madeira, ao mesmo tempo em que cria eficiência em uma cadeia ainda ineficiente, especialmente por lidar com um produto extraído do meio ambiente, e não de uma linha de montagem.

“Coletamos um volume denso de dados operacionais, de rastreabilidade, precificação e métricas ambientais”, detalhou Christensen. “Com esses quatro pilares, construímos o melhor banco de dados da indústria. Nosso trabalho é garantir a auditoria direto na fonte, entregando um portfólio verdadeiramente limpo. Os fabricantes respondem às agências certificadoras, e nós operamos a logística final de distribuição.”

Entidades setoriais também articulam medidas para forçar o compliance do varejo. A Associação Europeia de Varejistas de Bricolagem (EDRA) e a Rede Global de Melhorias Domésticas (GHIN) publicaram uma diretriz para impulsionar a economia circular, com a meta de que 35% dos plásticos usados em artigos de reforma residencial contenham material reciclado até 2035.

O programa global Make it Zero (Faça Zero) promete reduzir as emissões industriais no mercado de “faça você mesmo” (Do It Yourself) em 15%. Para isso, a iniciativa exigirá mandatos de compras, inclusão de plástico reciclado na rota de produção dos fornecedores e uso ampliado de insumos renováveis.

Ray Baker, diretor de sustentabilidade das duas entidades, explicou que a sinergia entre o mercado europeu (coberto pela EDRA) e o mercado global (pela GHIN) resulta em um ecossistema com 230 redes de home centers e 35 mil lojas em 79 países, movimentando US$ 2,6 bilhões (R$ 13,2 bilhões) em vendas, englobando gigantes como The Home Depot e Lowe’s.

Apesar da magnitude do conglomerado, atingir o net zero é complexo. Em boa parte dos casos, a indústria sequer mapeia os dados dos próprios produtos.

Alavancados por novas regulações, esses consórcios mapearam quatro eixos prioritários de descarbonização: plástico, siderurgia (aço), redução de carbono no chão de fábrica e tintas/revestimentos.

“O grande gargalo é como parametrizar essas metas e medir o impacto”, admitiu Baker. “A primeira etapa é engajar a base. Os grandes varejistas e os maiores atacadistas contam com consultorias robustas, mas a maioria não dispõe de capital ou técnicos qualificados. Então, como vamos apoiá-los na redução de emissões se não possuem infraestrutura interna?”

Às vezes, a inovação disruptiva mostra que não é preciso seguir a cartilha burocrática; as próprias empresas assumem o risco de liderar a pauta por entenderem que essa é a forma mais perene de proteger o capital investido.

P&D e o Design de Interiores

A Sekisui House, maior construtora de casas do mundo sediada no Japão, aplica metodologias estruturais bem diferentes do convencional wood frame americano. Em 2024, a companhia introduziu a filosofia construtiva asiática nos EUA com o lançamento de casas e loteamentos assinados pela grife SHAWOOD.

Os imóveis da SHAWOOD são concebidos com foco na experiência e na neuroarquitetura: controle avançado do ar, alvenaria de baixa toxicidade, amplitude espacial, incidência solar e conforto termoacústico. Os pilares de ventilação, luminosidade e design elevam a saúde física e mental das famílias, um diferencial de valor percebido na hora da compra.

“Transformamos a casa no lugar mais feliz para se estar, e parte dessa premissa passa por torná-la também a mais saudável”, destacou David Viger, CEO da subsidiária americana da Sekisui House. “O pilar mais crítico é o da fundação e da envoltória do projeto, onde as margens de erro precisam ser milimétricas. A maior patologia construtiva é a infiltração de água e de ar no sistema. Se entregamos um produto livre disso, o imóvel torna-se automaticamente imune a fungos.”

Viger reconhece que o motor desse sucesso é o pesado orçamento que os japoneses injetam no departamento de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D).

“Sem dúvidas, o P&D é a nossa principal vantagem competitiva. São mais de 60 anos de histórico que ajudaram não só o nosso balanço financeiro, mas toda a engenharia global”, elogiou. “Desconheço outra incorporadora do segmento que tenha alocado tanto capital em pesquisa residencial.”

A centralidade no cliente e a coleta constante de métricas indicam que a Sekisui House é proativa. Se o fornecedor não tiver o insumo com o padrão de pureza exigido para a obra, a própria holding assume a fabricação do componente, garantindo o padrão do catálogo.

Para a marca nipônica, a diretriz não é sobre reduzir despesas operacionais.

“Temos ciência de que nossos custos são mais altos para entregar essas tecnologias”, reconheceu Viger. “Apostamos que, se o cliente decodificar o valor intrínseco que acompanha o esqueleto do imóvel, a decisão de fechamento do negócio fica fácil. O mercado erra toda vez que prioriza o custo em detrimento da entrega de valor.”

Projetar ativos premium envolve um alto nível de fricção técnica. Boa parte dessas implementações fica embutida e camuflada dentro do contrapiso ou do gesso, mas a Sekisui House entende a governança socioambiental como um passivo obrigatório de sua atuação corporativa.

“O que torna a marca especial é que a SHAWOOD está anos-luz à frente dos concorrentes, migrando 100% de seus catálogos para compostos clean (limpos)”, avaliou Viger. “Não é o nicho mais fácil para se atuar, mas é o core business inegociável do grupo. Quem olha pelo retrovisor construtivo dificilmente vai encontrar algo desse calibre. Nosso horizonte de negócios é extremamente promissor.”

O movimento endossado pela gigante corporativa deu origem a uma casa-conceito que está sendo documentada pela Green Builder Media, cujo escopo servirá como benchmark técnico para capacitar a próxima geração de incorporadores a remodelar suas plantas arquitetônicas.

O Futuro dos Produtos Saudáveis

A configuração imobiliária está em transição, e as linhas de materiais não-tóxicos são o principal gatilho dessa curva evolutiva.

O Global Wellness Institute estima que o subnicho de Real Estate com foco em saúde vai ultrapassar o valuation de US$ 1,8 trilhão (R$ 9,1 trilhões) até 2030, um número que já direciona o fluxo de caixa das construtoras de capital aberto.

Simultaneamente, o mercado assiste à introdução de novos frameworks e agências de classificação que medem a qualidade dos suprimentos da indústria de base. O guia ESG Defining Principles (Princípios ESG Definidores), criado pela Green Builder Media, consolida métricas técnicas para avaliar a toxicidade das obras, classificando poluentes em referências abertas ao público. Plataformas colaborativas, como a Mindful Materials, também formatam parâmetros para auditar a especificação de commodities em portfólios de grande porte.

A tese macroeconômica é unânime: no longo prazo, a aliança entre tecnologia, regulação florestal e design de interiores irá pautar o consumidor, aquecendo a pressão compradora e asfixiando os gargalos iniciais da cadeia logística — garantindo um teto cada vez mais sustentável.

Reportagem publicada originalmente em Forbes.com

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Seguro Residencial Se Torna um dos Principais Obstáculos para a Compra de Imóvel Próprio

Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.

Os prêmios de seguro residencial já representaram uma parcela relativamente pequena do custo mensal de uma casa nos Estados Unidos.

Nos últimos anos, porém, esses valores passaram a crescer em ritmo superior tanto ao aumento da renda das famílias quanto à elevada inflação do país.

Segundo o Home Buying Institute, os prêmios de seguros dispararam 24% entre 2021 e 2024, muito acima da inflação de 11% no mesmo período.

O resultado é que, para compradores que são obrigados pelos credores a manter contas de garantia (escrow accounts), o aumento dos custos com seguro torna cada vez mais difícil a compra de um imóvel, ao elevar o valor das despesas mensais do financiamento.

Diversos fatores explicam a escalada dos custos dos seguros. A inflação impactou tanto os serviços da construção civil quanto os materiais de construção, elevando significativamente o custo para as seguradoras liquidarem sinistros.

A frequência e a intensidade cada vez maiores dos desastres naturais também levaram as seguradoras a reajustar suas tarifas. Além disso, essas empresas repassaram aos consumidores o aumento expressivo do custo do resseguro, contratado para cobrir eventos catastróficos.

Segundo o Home Buying Institute, o seguro representa atualmente um recorde histórico de aproximadamente 9% do valor médio das prestações mensais dos financiamentos imobiliários nos Estados Unidos.

As contas de garantia exigem reservas iniciais e depósitos mensais mais elevados, fazendo com que um em cada seis proprietários destine mais de 3% de sua renda apenas ao pagamento do seguro. Para muitos compradores, essa parcela pode determinar se a aquisição de um imóvel será financeiramente viável ou não.

Quem não consegue absorver essas despesas adicionais pode estar contribuindo, ao menos em parte, para o aumento do número de negociações canceladas ou de atrasos durante a etapa de conclusão da compra do imóvel.

O Estado do Sol

Os gastos com seguro no sul da Flórida, uma das regiões mais associadas à alta das tarifas de seguro, começaram a se estabilizar após vários anos de aumentos contínuos, afirma J.C. de Ona, presidente da divisão do Sudeste da Flórida do Centennial Bank, com sede em Coral Gables.

“Mas os prêmios continuam entre os mais altos do país”, afirma.

“Como resultado, o seguro passou a desempenhar um papel muito maior na equação da acessibilidade à moradia para os compradores de imóveis atualmente. O seguro pode ter um impacto significativo no custo total mensal da habitação. Em alguns casos, prêmios mais elevados podem afetar o poder de compra do consumidor, sua relação entre dívida e renda ou até mesmo sua elegibilidade para obter um financiamento imobiliário.”

De Ona explica que o processo de financiamento e de conclusão da compra também depende de o comprador conseguir uma cobertura de seguro adequada.

Antes que o financiamento seja liberado, os credores exigem que o comprador apresente comprovantes de cobertura que atendam às condições estabelecidas para a concessão do empréstimo.

“É importante que os compradores solicitem cotações de seguro logo no início do processo de compra do imóvel, em vez de deixar isso para a última hora”, recomenda de Ona. Ele acrescenta que, após a aquisição do imóvel, os proprietários devem revisar sua apólice anualmente com um corretor ou especialista em seguros de confiança.

Essa revisão é necessária para garantir que a cobertura continue adequada, atenda às exigências dos credores e permaneça com um preço competitivo.

Custo total

O rápido aumento dos prêmios de seguro transformou a experiência de compra de um imóvel, afirma Anthony M. Lopez, fundador e CEO da Your Insurance Agency, empresa sediada em Coral Gables. Antes, bastava que os compradores garantissem condições de arcar com as prestações do financiamento.

Hoje, muitos conseguem pagar o financiamento, mas não conseguem comprar o imóvel devido ao custo do seguro. Em resumo, a escalada dos prêmios de seguro passou a ser uma questão relacionada ao custo total de propriedade.

“Em mercados de alto risco, o seguro deixou de ser uma despesa rotineira”, afirma.

“Ele pode representar a diferença entre um financiamento ser aprovado ou negado, uma negociação avançar até a conclusão ou ser cancelada, ou ainda entre um proprietário conseguir permanecer no imóvel no longo prazo. Isso é especialmente difícil para aposentados, compradores de primeira viagem e famílias de classe média. Um proprietário pode ter planejado seu orçamento para pagar o financiamento, mas não para lidar com uma conta de seguro que dobra ou triplica após alguns ciclos de renovação.”

A principal lição, segundo de Ona, é que os compradores devem tratar o seguro como um componente essencial do orçamento desde o início da jornada de aquisição de um imóvel.

“Planejar com antecedência, pesquisar coberturas todos os anos e trabalhar com profissionais de seguros de boa reputação pode ajudar os proprietários a proteger tanto seu patrimônio quanto seu bem-estar financeiro no longo prazo”, conclui.

Reportagem publicada originalmente em Forbes.com

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Maior Gestora Imobiliária da Ásia com R$ 500 Bilhões, CapitaLand Encerra Área de Special Situations

Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.

A CapitaLand Investment, gestora sediada em Singapura, decidiu encerrar sua área de oportunidades especiais (special situations), dedicada a estudar e alocar em ativos de maior risco.

A equipe de special situations da CapitaLand tinha um total de cinco pessoas.

Gabriel Fong era quem liderava a equipe. Ele tinha passagens pelo Goldman Sachs, Morgan Stanley e Albamen, além de outras casas. No entanto, deixou a CapitaLand em meados de dezembro de 2025, ao ir para a Ares Asset Management como sócio e líder da área de crédito para a Ásia. Atualmente, a Ares forma, junto com a Apollo e Blackstone, o trio dos maiores players de crédito alternativo global.

Além dele, outros dois integrantes deixaram a equipe no mês anterior.

A decisão ocorre em meio às incertezas no segmento de special situations e transações relevantes no mercado imobiliário de Singapura.

Qual o tamanho da CapitaLand, gigante da Ásia

A gestora é o maior player da Ásia-Pacífico em termos de gestão de ativos reais. No Fund Manager Survey deste ano, a casa assumiu o primeiro lugar no ranking de ativos sob gestão (AuM, na sigla em inglês) da geografia, superando Charter Hall (Austrália) e GLP Capital Partners.

Segundo dados oficiais, são S$ 125 bilhões em ativos sob gestão — que representam pouco menos de R$ 500 bilhões no câmbio atual.

Além de imóveis e crédito imobiliário, a companhia atua com fundos listados, gestão de fundos privados, gestão comercial e gestão de hospedagem.

No campo de ativos listados, a casa faz a gestão de oito REITs e business trusts listados em bolsa, como o CapitaLand Integrated Commercial Trust (CICT) ou o CapitaLand Ascendas REIT (CLAR), com mais de US$ 20 bilhões e US$ 15 bilhões em ativos, respectivamente.

A CapitaLand possui atividades em mais de 45 países e soma mais de 9,5 mil colaboradores globalmente.

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Preços de imóveis na China caem em junho e mantêm ritmo de desaceleração

No primeiro semestre, os preços de imóveis nas 70 principais cidades recuaram 3,5% em relação ao mesmo período de 2025.

A fraqueza do setor também aparece em outros indicadores. O investimento imobiliário na China despencou 18% entre janeiro e junho na comparação anual, ampliando a queda frente ao recuo de 16,2% registrado no acumulado até maio.

O início de novas construções recuou 23,4% no primeiro semestre, após queda de 22,6% entre janeiro e maio.

Já as vendas de imóveis, em valor, caíram 13,7% no primeiro semestre ante igual período do ano anterior, desacelerando em relação ao recuo de 14,1% observado no acumulado até maio. Fonte: Dow Jones Newswires.

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