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Aplicativos e Sensores Dão Aos Proprietários Controle Inédito dos Imóveis

Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.

A tecnologia está capacitando os proprietários de imóveis a conhecerem e entenderem suas casas melhor do que nunca. Com o uso de sensores, conexões inteligentes, aplicativos e novos produtos, os dados fluem ao redor, por dentro e por fora das residências.

De produtos físicos a aplicativos, as inovações estão enviando e extraindo informações dos moradores. Isso os torna mais bem informados, oferece maior autonomia e transforma completamente a experiência de ser dono de um imóvel.

Consequentemente, esse movimento reformula como esses itens se integrarão de maneira definitiva aos lares.

Esse novo nível de gerenciamento é algo que os proprietários nunca haviam experimentado. Portanto, o momento atual é uma fase de aprendizado, que se mostra madura para o surgimento de novos participantes e inovações no mercado.

Impulsionando soluções de eficiência energética residencial

Uma das lições que os moradores aprenderam é que as estatísticas permitem uma análise inteligente de suas propriedades. Assim, podem selecionar projetos que tornem as habitações mais eficientes, o que também resulta em economia financeira.

A GoodLeap, uma fintech que oferece financiamento no ponto de venda para melhorias residenciais sustentáveis, relata que cerca de 21 mil proprietários iniciaram uma segunda reforma no período de 12 meses.

Desde a sua fundação, a empresa registrou dois ou mais projetos financiados por 156.633 clientes. Entre 60% e 71% deles escolhem uma categoria de obra diferente na segunda vez, sugerindo que estão aprimorando aspectos variados de suas propriedades ao longo do tempo, em vez de fazerem tudo de uma só vez.

As métricas da GoodLeap mostram que os projetos focados na envoltória dos edifícios (a estrutura externa e isolamento) apresentaram o crescimento mais rápido. Por exemplo, a instalação de portas e janelas com eficiência energética nas casas teve um salto de nove vezes, junto com um aumento de seis vezes em isolamento térmico e proteção contra intempéries desde 2022.

O aquecimento eficiente de água (incluindo aquecedores com bomba de calor) cresceu mais de seis vezes durante o mesmo período. Já os sistemas de climatização (HVAC) e projetos de bomba de calor, que são os maiores responsáveis pelo consumo de energia de uma residência, quase triplicaram apenas em 2025.

O levantamento COGNITION Smart Data, da Green Builder Media, aponta que 73,4% dos consumidores comprariam uma casa totalmente elétrica em 2026, um salto em relação aos 36,7% registrados em 2025 — o que representa um aumento de 100% na demanda. Essa alta evidencia como as informações estão tornando os donos de imóveis mais conscientes.

Outro produto no qual os residentes estão investindo para eletrificar suas casas são os fogões por indução.

“Existe uma grande demanda reprimida de pessoas apostando na eletrificação de seus lares”, afirma Sam Calisch, cofundador e CEO da Copper. “Criamos a empresa para facilitar o acesso do público a essas tecnologias. Pegamos um eletrodoméstico, adicionamos uma bateria que só precisa ser conectada na tomada e o projetamos para aproveitar a infraestrutura já existente de um fogão a gás.”

Embora o fogão possua um preço mais elevado, os custos de instalação são menores porque não é necessário refazer a fiação da cozinha. Por exemplo, nos locais onde a Copper vende em grande escala para condomínios, a companhia gera economia ao descarbonizar o edifício e, simultaneamente, elimina a manutenção de tubulações de gás antigas e com vazamentos. Além disso, os novos equipamentos ajudam a evitar riscos à saúde e possíveis processos judiciais decorrentes desses problemas.

“Fornecemos fogões da Copper para um prédio em Los Angeles, o que gerou uma poupança de US$ 800.000 (cerca de R$ 4.080.000) por evitar atualizações elétricas”, contou Calisch sobre os equipamentos que reduzem o trabalho e as despesas no processo de montagem. “Seria necessário instalar uma rede de 240 watts para um eletrodoméstico convencional. Considerando a cozinha, a tomada, o aumento da carga, e um novo quadro de distribuição, os gastos saltam de US$ 1.000 (aproximadamente R$ 5.100) para até US$ 10.000 (cerca de R$ 51.000). Tudo isso envolve lidar com empreiteiros, orçamentos, complexidades e a passagem de novos cabos.”

Mais uma vez, isso proporciona ao morador um comando maior de diversas maneiras. O fogão por indução da Copper também oferece resiliência à casa, pois pode utilizar sua bateria para realizar o deslocamento diário de carga, ajudando a suprir as necessidades da rede elétrica.

Proprietários empoderados por dados residenciais

Os donos de imóveis não estão apenas ficando mais perspicazes ao iniciar novas reformas, mas também começaram a documentá-las para manter o domínio sobre os dados e as informações no futuro.

O aplicativo de gestão imobiliária Oply revela que quase um terço das obras inseridas pelos usuários na plataforma, nos últimos 90 dias, referem-se a trabalhos realizados anteriormente.

“Eles estão voltando no tempo e reconstruindo um histórico da casa que nunca existiu em lugar nenhum”, disse a CEO da Oply, Lindsey Chrismon. “E grande parte do restante sequer diz respeito a consertos; são pessoas registrando onde ficam os registros de água e gás, bem como os disjuntores elétricos, antes mesmo de ocorrer alguma falha. Eles estão redigindo o manual do proprietário que nunca acompanhou suas casas.”

Essa tecnologia possibilita que os moradores comecem a atuar de maneira proativa na administração de seus lares.

“A residência é o único grande ativo que não vem com um manual de instruções. Os proprietários cansaram de esperar. Eles mesmos estão elaborando esse registro, antecipando-se a qualquer problema”, destacou Chrismon.

Ao reconstituírem a trajetória da propriedade, eles criam um ativo útil para revenda, acionamento de garantias, comprovações para seguros e tranquilidade mental. Os compradores conseguem mapear a localização exata de registros e painéis antes que surja uma emergência.

Outra vantagem é que ter essas informações em mãos os empodera de forma inédita. A Oply demonstra que, quando os donos de imóveis recebem orientações exatas sobre o que fazer e quando, eles de fato as cumprem — as tarefas recomendadas pelo aplicativo são concluídas com o dobro de frequência em comparação com aquelas que eles mesmos estipulam.

No entanto, alguns desses aplicativos e produtos possuem um custo que muitos consumidores no mercado atual não estão dispostos a assumir, avalia Grant Farnsworth, presidente da The Farnsworth Group, empresa de pesquisa focada no segmento de reformas.

“Acredito ser essencial entender as limitações orçamentárias de vários clientes neste setor e o impacto que essas restrições podem causar ao fazer com que abdiquem da tecnologia em troca de um item mais barato”, ponderou.

Apesar disso, os proprietários não são os únicos que sairão ganhando.

Assumindo o controle do lar

As concessionárias de serviços públicos estão recorrendo cada vez mais aos cidadãos para ajudar a equilibrar a rede de energia. Um estudo recente da Smart Energy Consumer Collaborative revelou que 66% dos americanos estão dispostos a participar de programas de resposta à demanda, nos quais as famílias podem diminuir ou deslocar o consumo elétrico durante os horários de pico. Contudo, como essas iniciativas são recentes, no momento apenas 7% das residências participam efetivamente.

“Estamos vivenciando a evolução de um novo panorama energético”, declarou Preeti Bajaj, vice-presidente executiva de soluções residenciais da Schneider Electric. “Os consumidores desejam ter a capacidade de decidir quando resfriar o ambiente e a qual custo, ou se preferem usar energia solar e baterias para isso. Eles podem configurar o sistema para tolerar uma temperatura mais alta em casa no momento adequado e, em troca, serem recompensados pela concessionária. O público está muito mais consciente e interessado nessas modalidades de gerenciamento.”

A empresa de pesquisa Parks Associates informa que 20% dos lares equipados com termostatos inteligentes estão se cadastrando nesses programas de resposta à demanda.

Um grande catalisador para essas mudanças é a ascensão dos veículos elétricos (VEs), que podem dobrar a carga do sistema energético de uma habitação. Bajaj explicou que propriedades já construídas que incorporaram VEs estavam batendo 80% de sua capacidade elétrica, gerando a urgência de modernização dos quadros de distribuição.

Atingir a taxa máxima de capacidade colocou os moradores em uma posição difícil, receosos se conseguiriam carregar seus automóveis. Simultaneamente, as distribuidoras também ficaram apreensivas, pois necessitam enviar um volume maior de energia para essas casas.

Os proprietários querem administrar essas dinâmicas de modo inteligente. Por exemplo, ao conectarem o carro na tomada, desejam verificar se o ar-condicionado, a bomba da piscina ou a máquina de lavar estão operando, dando-lhes a chance de desligar esses aparelhos por três horas enquanto o veículo é abastecido. Alternativamente, o residente pode optar pelo uso de armazenamento em bateria, evitando um gasto excedente de US$ 10.000 (aproximadamente R$ 51.000) apenas com a troca do quadro de luz.

“Além disso, o sistema de distribuição prefere fornecer eletricidade de maneira estável”, acrescentou Bajaj. “Essa é a maior transformação em curso. Antigamente, era apenas uma equação linear. Agora, as habitações podem interagir com a matriz energética. Você pode colaborar e decidir de que forma participar, vivendo de forma mais confortável.”

A executiva aconselha que arquitetos e engenheiros incorporem a demanda energética durante o processo de concepção e edificação dos imóveis, pois esse aspecto não deve ser deixado para segundo plano.

Essa visão também é corroborada pelas tendências do varejo, as quais evidenciam que a busca por eletrodomésticos elétricos está em alta e ganhando força.

A Datavations, companhia de análise de dados voltada ao setor de reformas, examinou o desempenho das grandes redes varejistas e constatou que os modelos elétricos representam a maioria das vendas de aquecedores de água (cerca de 53%), alcançando o maior pico em dois anos no primeiro trimestre de 2024. A comercialização de aquecedores, tanto a gás quanto elétricos, cresceu por volta de 11% nesse mesmo intervalo, sinalizando que o segmento de gás não está encolhendo, mas a opção elétrica começa a se sobressair.

Atualmente, o interesse por equipamentos de aquecimento elétrico depende bastante da geografia. A Datavations indica que a procura se concentra fundamentalmente na região Sul e em grande parte do Nordeste dos Estados Unidos, com a Flórida atingindo 95% de adoção elétrica, acompanhada de perto pelo Maine, as Carolinas e o Tennessee. O gás ainda lidera na Califórnia, na região montanhosa do Oeste e no Meio-Oeste industrial.

Os residentes realizam essas escolhas fundamentadas amparados por portais que expõem e promovem as vantagens do baixo consumo — uma pequena decisão entre as inúmeras responsabilidades inerentes à posse de um imóvel.

Poder nas mãos do proprietário diminui os riscos

Quem possui um imóvel tem a obrigação de conservar e proteger o seu maior investimento financeiro. Novos aplicativos de gestão habitacional, como o Oply, entregam essas métricas diretamente aos usuários. Conforme o portfólio digital de uma casa é consolidado, os clientes conseguem não apenas reter capital, mas também se precaver contra eventuais contratempos.

“Se existirem duas residências idênticas e uma delas tiver todo o seu histórico documentado, os riscos para o novo comprador serão menores”, pontuou Wilhelm Lundborg, fundador e CEO da plataforma Homer. “Diminui a incerteza de adquirir um bem que já conta com recibos, documentações, plantas e cronogramas devidamente registrados. Isso é valor agregado.”

Todo o acervo armazenado digitalmente pode ser compartilhado com outros membros da família e com prestadores de serviço.

“É um excelente argumento em prol da digitalização – as estatísticas podem ser segmentadas, detalhadas e analisadas”, complementou Lundborg. “Isso destrava o potencial das métricas e conecta os pontos.”

Trata-se de uma ótima estratégia para que as construtoras promovam uma entrega sofisticada e completa de novos empreendimentos, disponibilizando de antemão todas as especificações de eletrodomésticos, garantias, certificados de eficiência e manuais.

Se o mercado habitacional ainda parece arriscado para alguns, um novo seguro oferecido pela Home Value Lock proporciona mais segurança aos compradores, congelando o valor de mercado da propriedade durante os três primeiros anos após a transação.

“Nós blindamos uma fatia do preço do imóvel contra desvalorizações do setor, oferecendo uma forma de mitigar riscos e preservar o patrimônio em um cenário imobiliário cada vez mais instável”, declarou Oliver Tickner, CEO da companhia.

A apólice coloca o segurado no controle, municiando-o com dados sobre a apreciação de mercado e a precificação dos terrenos vizinhos.

O futuro da propriedade de dados residenciais

O futuro das moradias está intimamente atrelado ao restante do panorama urbano. Data centers estão sendo erguidos por toda parte, demandando carga da rede elétrica e alterando a curva de consumo nos horários de pico.

“Caso exista inteligência residencial nos lares situados ao redor de um data center, é possível realizar o deslocamento desse pico”, explicou Bajaj, da Schneider. “Quando a demanda atingir seu ápice, os proprietários receberão um aviso informando sobre a alta exigência do sistema, indagando se desejam reduzir o consumo ou diminuir o uso do ar-condicionado em troca de um benefício financeiro. Se 50% da comunidade aderir à prática, haverá um aproveitamento eficiente da energia, fazendo com que as pessoas sintam que estão, de fato, no comando dessas decisões.”

Conforme pontuado por Farnsworth e respaldado pelo relatório da COGNITION Smart Data, o custo inicial desponta como um desafio universal para essa transição. Esse obstáculo configura uma janela de oportunidade para que os profissionais da construção civil compreendam a abordagem arquitetônica adequada, ofereçam incentivos e atuem em parceria com a indústria, visando elaborar soluções aprimoradas que reduzam essas despesas antecipadas.

O futuro se traduz em projetos residenciais superiores, dotados de mais inteligência e que concedem autonomia ampliada aos proprietários por meio de integração, clareza e análise de dados.

Reportagem publicada originalmente em Forbes.com

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Papel, tijolo ou híbrido? Veja os fundos imobiliários recomendados em agosto

IFIX) da B3 a terminar julho em queda de 0,32%, reduzindo o ganho acumulado no ano para 1,14%. Segue, portanto, bem abaixo do CDI, de 1,2% no mês e 8,3% no ano.

Leia também: Selic coloca FIIs mais arriscados na berlinda; veja o que derrubou alguns fundos

Diante das incertezas, mesmo com uma nova redução dos juros pelo Comitê de Política Monetária, a maioria dos analistas está adotando uma estratégia mais conservadora para agosto, conforme levantamento feito pelo InfoMoney com nove bancos, corretoras e consultorias.

“Os juros reais permanecem elevados, a inflação de serviços segue resiliente e ainda há vetores relevantes de pressão sobre os preços que podem entrar no radar”, diz o BB Investimentos em relatório. O banco cita ainda a proximidade das eleições, que tendem a aumentar a volatilidade e a atenção às discussões fiscais.

Entenda melhor: Fundos Imobiliários: tudo o que você precisa saber para investir

O BB optou por preferir fundos líderes de mercado, mesmo que com um retorno mais moderado no curto prazo, observando que as quedas das cotas criaram descontos em fundos de boa qualidade. A gestora prefere fundos diversificados, com alavancagem controlada e perfil defensivo em cenários de estresse, como fundos de papel de empresas de baixo risco e fundos de tijolos com bons ativos e previsibilidade de resultados.

Já o Itaú BBA prefere fundos de ativos financeiros, mesmo com o cenário de corte de juros, levando em conta que a projeção é que a Selic termine o ano em 13,75%, nível ainda elevado que favorece fundos imobiliários indexados ao CDI. Já os fundos atrelados ao IPCA tendem a se beneficiar de uma inflação de 5,1% neste ano e servir de proteção para riscos altistas. O banco também vê oportunidades em fundos de tijolos por conta dos descontos nas cotas bom retorno operacional.

Confira abaixo os fundos mais indicados em agosto.

Fundo Código Indicações Rend. Julho (%)
Kinea Rend. Imob KNCR11 6 +1,2
HSI Malls HSML11 5 +2,7
Bresco Logística BRCO11 4 +1,2
Mauá Capital Recebíveis MCCI11 4 +1,5
TRX Real Estate TRXF11 4 +0,9
Vinci Logística VILG11 4 -1,1
XP Malls XPML11 4 +1,2
Fonte: BB Investimentos, BTG Pactual, Genial Investimentos, Empíricus Research, Banco Inter, Itaú BBA, Santander Brasil, Terra Investimentos, XP Investimentos e Economática

Confira abaixo a avaliação dos fundos mais citados pelos analistas para agosto.

Kinea Rendimento Imobiliário (KNCR11)

Segundo a XP Investimentos, o fundo possui 78,8% do patrimônio alocado em 91 CRIs, 12,6% em LCIs e 8,7% em caixa. A carteira é praticamente 100% indexada ao CDI, com taxa média marcada a mercado de CDI mais 2,06% ao ano e prazo médio de 4,1 anos. Apresenta ainda baixo risco de crédito, com devedores majoritariamente de primeira linha e garantias robustas, como alienação fiduciária de imóveis prontos e de alta qualidade.

HSI Malls (HSML11)

Segundo o Itaú BBA, o fundo tem como pontos positivos posições majoritárias em sete dos oito empreendimentos em que participa. Os ativos também têm posições dominantes dentro das regiões em que estão localizados. Parte relevante da receita provém de aluguel mínimo, o que traz maior previsibilidade para a receita mensal. E apresenta indicadores operacionais melhores este ano do que no anterior.

Bresco Logística (BRCO11)

Segundo o BTG Pactual, o fundo combina alta exposição ao estado de São Paulo, especialmente em regiões próximas à capital, com imóveis de altíssimo padrão. Possui ainda contratos atípicos, que trazem previsibilidade à receita, potencial de geração de valor com expansões e boa liquidez no mercado secundário.

Mauá Capital Recebíveis (MCCI11)

A XP Investimentos destaca que o fundo tem 95% da carteira indexada à inflação com taxa média a mercado de IPCA mais 9,7% ao ano. Em julho, o fundo teve resultado líquido de R$ 0,98 por cota e distribuiu R$ 1,00 por cota, mantendo uma projeção mensal entre R$ 0,90 e R$ 1,00 para o segundo semestre deste ano. A XP considera que o nível atual de rendimento, com dividend yield anualizado de 12,7%, reforça a atratividade do fundo em relação aos pares.

TRX Real Estate (TRXF11)

O TRX Real Estate se consolidou como um dos fundos híbridos mais relevantes do setor e reúne hoje cerca de R$ 6 bilhões em patrimônio e mais de 300 mil cotistas, destaca o BB Investimentos. O fundo foi bastante ativo nos últimos meses, concluindo a compra de uma laje corporativa em São Paulo alugada ao Hospital Sírio Libanês, do Hotel Emiliano, no Rio de Janeiro, e oito galpões Self-Storage da Guarde Aqui, além de outras aquisições. O BB Investimentos vê essas movimentações e o desconto na cota em relação ao patrimônio, de cerca de 5%, como oportunidade tanto para renda quanto para ganho de capital.

Vinci Logística (VILG11)

O fundo é o preferido no segmento logístico pelo Santander Brasil, e está sendo negociado a um preço mais atrativo em relação aos pares, atualmente com um desconto de 15%. O Santander destaca o portfólio diversificado composto por 12 galpões, alta taxa de ocupação, atualmente de 100%, contratos de locação de longo prazo com 86% dos vencimentos após 2028, potencial reforço de caixa para novas aquisições vindos de desinvestimentos no fundo HGLG11, que representa 23% do patrimônio do fundo. O retorno em dividendos estimado está em 10,6%.

XP Malls (XPML11)

O fundo de shopping centers se destaca por reunir um portfólio já consolidado, que equilibra ativos direcionados ao público de alta renda e historicamente mais resilientes que devem sustentar a reciclagem da carteira e dar sustentação aos dividendos, diz o BB Investimentos. O fundo reduziu a alavancagem nos últimos meses e apresenta um nível de dividendos competitivo para o setor, com retorno em torno de 10,5% ao ano.  

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O playground dos milionários agora quer ser polo de tecnologia — e o m² já subiu 74%

O licor que Paris não consegue parar de beber — e os monges não querem vender

A clientela reflete a mudança demográfica dos imigrantes da cidade. O mercado imobiliário era anteriormente dominado por compradores europeus de meia-idade em busca de segundas residências, mas desde a pandemia as imobiliárias veem uma nova geração de compradores mais jovens interessados em adquirir um lugar onde possam viver e trabalhar o ano todo, de acordo com o relatório de mercado de 2025 da Pure Living Properties. Embora as nacionalidades dominantes dos compradores internacionais continuem sendo britânicos, escandinavos, alemães e holandeses, houve um aumento notável no interesse dos Estados Unidos, Canadá, Polônia e países do Golfo.

“Depois da pandemia, novos tipos de pessoas e investidores, hotéis, vieram para Marbella, o que aumentou a qualidade do lugar. Costumava ser apenas uma cidade bonita. Agora também é uma cidade”, disse Artur Loginov, CEO da imobiliária Drumelia. “Nestes últimos quatro, cinco anos, houve abertura de novas academias, restaurantes, hotéis, marcas mundialmente conhecidas que têm o padrão de Nova York ou Mônaco.”

Os incorporadores buscam transformar a cidade em uma base anual para fundadores e investidores globalmente conectados — um ponto de apoio na Europa que oferece sol e o tipo de conveniências e luxo acessível associado aos Emirados Árabes Unidos.

Uma característica recente do mercado imobiliário de Marbella — semelhante a Dubai e Miami — é o aumento das chamadas residências de marca, onde incorporadores fazem parcerias com atletas de alto perfil ou marcas de moda em projetos residenciais. O tenista Rafael Nadal fez parceria com o designer Giorgio Armani para desenvolver 33 mansões de ultra-luxo. Dolce & Gabbana, Fendi e Karl Lagerfeld lançaram empreendimentos residenciais. Residências com marca de hotel, oferecendo acesso a comodidades e serviços privados no estilo hoteleiro, também começaram a surgir.

Embora vários restaurantes de alto padrão tenham aberto recentemente, há uma “fila” de estabelecimentos esperando para abrir em Marbella, porque boas localizações estão cada vez mais difíceis de encontrar, segundo Mary Dunne, fundadora e sócia da imobiliária MPDunne Properties. A MPDunne está atualmente trabalhando com uma rede de restaurantes sediada em Dubai para encontrar um local em Marbella, mas encontrar um espaço é difícil. “Estamos longe de ser uma cidade em termos de tamanho, o espaço é limitado”, disse Dunne.

À medida que o perfil demográfico dos imigrantes se torna mais jovem, a infraestrutura para apoiá-los cresceu. “Cerca de 40 anos atrás, havia talvez onze escolas internacionais”, disse Richard Sutcliffe, diretor do English International College em Marbella. “Agora há mais de 50.”

Entre os clientes que matriculam seus filhos em escolas internacionais estão famílias “ultrarricas” que podem não viver em Marbella em tempo integral, mas contam com babás e motoristas para administrar a rotina diária de seus filhos, disse Sutcliffe. Houve um aumento notável de famílias chegando dos Estados Unidos, Dubai, Rússia e China, acrescentou.

“Em vez de atrair pessoas que estão prestes a se aposentar, o talento foi atraído”, disse Rasmussen, do The Pool. “Não acredito que existam muitos lugares no planeta que tenham esse talento. Acho que isso é uma mina de ouro.”

Rasmussen disse que, inicialmente, espera que muitos dos recém-chegados sejam empreendedores individuais do setor de tecnologia que não empregarão funcionários locais, mas que, à medida que se reunirem em espaços comuns, começarão a trabalhar juntos e construir projetos mais substanciais que terão um impacto maior na economia local. “Se algo nascer em Marbella ou na Costa del Sol, o impacto estará aqui”, disse ele. “Especialmente quando forem apresentados a empreendedores locais.”

Bob van Winden mudou-se para Marbella vindo de Dublin após a pandemia. Originalmente da Holanda, passou a maior parte de sua carreira em Dublin e na área da Baía de São Francisco, em empresas como Google e Stripe. Em 2024, ingressou na Bridge, uma plataforma de pagamentos startup construída com stablecoins. Foi adquirida pela Stripe em 2025.

Quando van Winden e sua família consideraram se mudar para a Espanha, reduziram as opções para Madri ou Marbella, escolhendo esta última por sua qualidade de vida, escolas internacionais e grande comunidade de expatriados, disse ele.

Van Winden acredita que um número crescente de empreendedores está se estabelecendo na região, e o capital está prontamente disponível, enquanto os avanços em IA significam que é mais fácil do que nunca iniciar uma empresa de tecnologia com apenas um punhado de funcionários. “Acho que todos esses ingredientes juntos criam um terreno realmente fértil para a inovação”, disse ele. “Depois que você tem a peça importante no lugar, desde que tenha uma boa conexão de Wi-Fi, você pode construir uma grande empresa agora.”

A prefeitura trabalhou com o The Pool em projetos voltados para atrair investimento estrangeiro. Rasmussen foi recentemente com o prefeito à China para promover Marbella como uma porta de entrada para a Europa.

As autoridades municipais também lançaram uma iniciativa, Marbellup, para ensinar os moradores a usar inteligência artificial, e em junho realizaram um evento para empresas de tecnologia, o Startup Olé.

Muitas cidades ao redor do mundo tentaram se posicionar como polos de tecnologia e tentaram convencer os chamados “nômades digitais” a se estabelecer e abrir negócios. Poucas tiveram sucesso.

Os lugares não se tornam polos empreendedores simplesmente por atrair startups, mas sim por criar um ecossistema no qual empreendedores, investidores, universidades, corporações e instituições públicas interagem e se reforçam mutuamente, segundo Josemaria Siota, diretor executivo do Centro de Empreendedorismo e Inovação da IESE Business School, em Barcelona.

“A característica definidora de um ecossistema bem-sucedido não é simplesmente a presença desses atores, mas a força das interações entre eles”, disse Siota.

A região de Marbella começou a “reunir muitos dos ingredientes certos”, disse ele, “mas ainda não se desenvolveu em um ecossistema totalmente maduro”.

Para muitos moradores locais, a rápida expansão de condomínios fechados, empreendimentos de luxo e capital internacional alterou o tecido social da cidade, deixando-os cada vez mais desconectados da Marbella que conheciam.

Juan Guerrero, 70 anos, vive em Marbella há 50 anos e lamenta as mudanças na cidade, que costumava ser uma pequena vila de pescadores salpicada de hortas. “Mas tudo isso mudou agora”, disse ele. “Não há mais hortas ou pescadores, e a cidade mudou completamente. Há pessoas em todos os lugares, mal se consegue andar, ruas inteiras foram vendidas para restaurantes, e as lojas locais fecharam as portas e foram substituídas por redes.”

Guerrero mora no centro antigo de Marbella e disse que, ao longo dos anos, as casas da região foram cada vez mais transformadas em restaurantes, lojas ou pequenos hotéis. De vez em quando, recebe uma carta de uma imobiliária oferecendo € 300 mil (US$ 343 mil) por sua casa. Ele não está disposto a vender, disse. “Especialmente porque está cada vez mais difícil encontrar moradia acessível.”

O preço da habitação para venda em Marbella disparou, com o preço médio por metro quadrado subindo aproximadamente 74% nos últimos cinco anos, passando de € 3.225 em junho de 2021 para € 5.608 em junho de 2026, segundo dados do Idealista. Em Marbella Pueblo, os preços subiram 21,8%, para € 5.403 por metro quadrado em junho, na comparação anual.

Nos últimos anos, Marbella viu relatos de violência relacionada a gangues, incluindo tiroteios em restaurantes e casas noturnas, bem como interceptações de drogas no mar. As autoridades ligaram alguns desses incidentes a redes criminosas transnacionais que atuam na região.

Antonio Garcia, um taxista na casa dos trinta anos, disse que existe “Marbella de dia e Marbella de noite”. Durante o dia, funciona normalmente; à noite, o tráfico de drogas e o crime se tornam mais visíveis. Ele tem um filho de dois anos e está considerando se mudar para um lugar menor para fugir da crescente insegurança em Marbella.

“A essência do que Marbella costumava ser se perdeu ao longo dos anos, com cada vez mais riqueza entrando e mudando a atmosfera”, disse ele. “No futuro, conforme meu filho crescer, estou pensando em me mudar para algum lugar mais familiar.”

© 2026 Bloomberg L.P.

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JPMorgan Investirá R$ 3,8 Trilhões em Habitação Visando o Sonho Americano da Casa Própria

Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.

O JPMorgan Chase anunciou que investirá uma cifra de US$ 750 bilhões (R$ 3,82 trilhões) em habitação até 2035. O valor representa um aumento de quase 40% em relação ao que o banco destinou ao setor na última década.

O valor integra uma iniciativa chamada de American Dream Initiative, um programa do JPMorgan que visa apoiar pequenos negócios, ampliar o acesso à saúde e promover outras prioridades econômicas nos Estados Unidos.

Com esses investimentos em habitação, o banco americano pretende financiar 1 milhão de unidades habitacionais de interesse social e ajudar 500 mil pessoas a comprar um imóvel.

Nesse sentido, o JPMorgan pretende aumentar em mais de 40% seu volume atual de concessão de financiamentos imobiliários e conceder empréstimos a 200 mil compradores de um primeiro imóvel.

A instituição já figura atualmente como a maior financiadora de projetos residenciais multifamiliares, além de ser o maior credor de hipotecas residenciais do país.

“Um mercado imobiliário acessível e resiliente é fundamental para impulsionar o crescimento econômico e ampliar as oportunidades”, afirma Michelle Herrick, chefe da área de Real Estate Comercial do JPMorgan.

“A casa própria sempre esteve no centro do Sonho Americano. Ser proprietário de um imóvel pode transformar vidas, proporcionando estabilidade, ajudando as famílias a construir patrimônio e fortalecendo o senso de comunidade”, diz Sean Grzebin, CEO da Chase Home Lending.

As mudanças políticas endossadas pelo JPMorgan

Em simultâneo, a gestão do banco comunicou que irá defender um conjunto de medidas para reduzir o que considera barreiras à construção de moradia.

Como exemplo, endossa a 21st Century ROAD to Housing Act, que trata de acessibilidade habitacional e simplificação de processos de construção. O banco já apoiava partes desse pacote, como a lei de aceleração de construção de casas e a lei de expansão da oferta de moradias.

Além disso, a gestão também deve apoiar a padronização de regras entre instituições de financiamento habitacional e programas federais, para baratear o crédito e ampliar a participação do capital privado no mercado secundário de hipotecas.

O JPMorgan também apoia mudanças no zoneamento para permitir mais construções em áreas residenciais, uso de terrenos ociosos, atualização de códigos de obras e redução de burocracia no licenciamento.

O banco também assumiu a presidência do Conselho Consultivo de Habitação da Câmara de Comércio dos EUA, grupo recém-formado para articular políticas habitacionais entre empresas, governos locais, estaduais e federal.

Os pontos não são unanimidade, no entanto.

A National Low Income Housing Coalition (NLIHC), embora tenha endossado partes do pacote, apontou preocupações específicas com a 21st Century ROAD to Housing Act, citando que a organização se opôs à expansão do programa Rental Assistance Demonstration (RAD), levantando preocupações sobre a fiscalização de proteções a inquilinos em propriedades convertidas por meio do RAD.

A entidade argumenta que o Departamento de Habitação e Desenvolvimento Urbano dos EUA precisa monitorar e fazer cumprir ativamente os direitos e proteções dos inquilinos existentes. A entidade também defende que outras provisões da lei potencialmente geram mais ônus para os inquilinos caso implementadas sem salvaguardas suficientes.

Ainda sobre o 21st Century ROAD to Housing Act, o conselho editorial do Wall Street Journal publicou em maio um editorial chamando a versão aprovada pela Câmara — por 396 a 13 — de um “fiasco habitacionial bipartidário”.

O argumento é de que a legislação fará mais para expandir a burocracia federal do que para aumentar a oferta de moradias. A tese é de que a raiz da escassez habitacional está no zoneamento e no licenciamento restritivos em nível estadual e local.

O editorial aponta que, apesar de reduzir burocracia em alguns programas já existentes, a lei cria diversas linhas de financiamento novas com contrapartidas que encarecem a construção.

Como o dinheiro do JPMorgan será dividido

O plano tem duas frentes principais: financiamento direto e apoio a políticas públicas.

No financiamento, o banco vai:

  • Usar dívida, capital próprio e subsídios para construir ou manter moradias, em parceria com construtoras, proprietários, ONGs e governos locais
  • Financiar 1 milhão de unidades para famílias com renda de até 120% da renda média da região, ao longo da próxima década
  • Ajudar 500 mil clientes a comprar imóveis, sendo 200 mil compradores de primeira casa
  • Aumentar em mais de 40% o volume de empréstimos hipotecários
  • Contratar 850 consultores de empréstimo imobiliário
  • Lançar ferramentas digitais e avaliar produtos de crédito para casas modulares e pré-fabricadas
  • Oferecer assistência para pagamento de entrada em parceria com outras organizações

O caso de São Francisco

Parte do plano tem como alvo a região da Bay Area, onde o JPMorganChase já financia projetos há anos. É por lá que está o edifício Sophie Maxwell, no bairro de Dogpatch, um dos mais emblemáticos.

O prédio conta com 105 apartamentos de preço permanentemente controlado para famílias de renda média, viabilizado com financiamento do banco em 2025.

A partir desse projeto, o banco anunciou:

  • US$ 200 milhões em financiamento para um edifício de 342 unidades no mesmo terreno, o empreendimento Power Station
  • Até US$ 15 milhões de investimento no Fundo de Habitação Essencial, criado pela empresa Fifth Space, que prevê 250 unidades em Potrero Hill
  • Apoio à Fundação do Urban Land Institute, em conjunto com a Terner Labs e conselhos locais do ULI, para produzir dados que orientem políticas municipais
  • US$ 6 milhões em subsídios para cinco organizações da cidade: San Francisco Housing Accelerator Fund, Community Vision Capital & Consulting, SPUR, Housing Action Coalition e Housing California

O prefeito de São Francisco, Daniel Lurie, comentou o anúncio. Segundo o mandatário, o investimento soma-se a outras ações da prefeitura para conter o custo do aluguel na cidade.

“Muitas famílias estão enfrentando dificuldades para pagar o aluguel em São Francisco, e nossa administração trabalha todos os dias para ajudá-las a continuar vivendo na cidade. Construir mais moradias é uma parte essencial desse esforço, e estamos mobilizando todos os setores para tornar isso possível”, disse.

Michael Moritz, presidente da Crankstart, diz que a iniciativa deve providenciar “habitações que os trabalhadores da região consigam pagar”.

“Uma cidade que não consegue oferecer moradia para seus professores, enfermeiros, bombeiros e motoristas de ônibus perde a sua essência”, disse o chefe da fundação filantrópica que gerencia US$ 4,4 bilhões.

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Airbnb derruba mais de 1.600 anúncios irregulares de imóveis sociais em São Paulo

O que é hipoteca de imóvel e como funciona essa modalidade tão temida

Em comunicado divulgado nesta segunda, o Airbnb afirma que “apoia que unidades habitação de interesse social (HIS) e de mercado popular (HMP) sejam destinadas às famílias que precisam delas e seguirá colaborando com a Prefeitura de São Paulo no cumprimento das regras da política habitacional do município”.

Em abril, a Secretaria de Habitação (Sehab) encaminhou para plataformas como Airbnb e Booking.com uma lista com endereços dos apartamentos com essas restrições, para que os anúncios fossem removidos. Segundo o Airbnb, a partir de hoje a empresa começará a comunicar aos anfitriões sobre a remoção de 773 acomodações que estão ativas, enquanto 852 que já estavam inativas serão removidas em definitivo da plataforma.

“Esse será um processo contínuo com base em informações oficiais fornecidas pela Prefeitura. Eventuais hóspedes impactados serão comunicados e contarão com suporte do Airbnb para reservar uma nova acomodação para que não haja impacto em seus planos de viagem”, disse a empresa.

Caso um anfitrião que tiver o imóvel removido entender que houve um equívoco na classificação do seu imóvel, deverá entrar em contato com a prefeitura para solicitar esclarecimentos.

Os imóveis classificados como Habitação de Interesse Social (HIS) e Habitação de Mercado Popular (HMP) só podem ser ocupados por famílias que se enquadrem em faixas pré-determinadas de renda domiciliar mensal. Investidores nessa faixa de renda podem comprar para alugar, mas o imóvel não pode ser vendido por dez anos.

As incorporadoras têm que verificar a renda dos compradores antes da venda e desde o ano passado os imóveis têm um teto de preço para venda, que é atualizado pela prefeitura anualmente. Veja as faixas:

HIS-1: renda de até 3 salários mínimos; imóveis devem custar até R$ 276.102,20;

HIS-2: renda de 3 a 6 pisos; imóveis até R$ 383.636,74;

HMP: renda de 6 a 10 salários mínimos; imóveis de no máximo R$ 537.672,71.

Esse tipo de imóvel virou “queridinho” do mercado por uma série de benefícios. O principal deles é a isenção da outorga onerosa do direito de construir, um valor que as construtoras precisam pagar para erguer prédios mais altos em São Paulo. Via de regra, quanto maior a área construída, mais se paga de outorga, que é mais cara onde o solo é mais valorizado. Mas quando as construtoras incluem unidades HIS ou HMP em seus empreendimentos, conseguem desconto ou até isenção da outorga.

Entenda melhor: ITBI: como funciona o imposto sobre a compra e venda de imóveis

Somente entre janeiro de 2025 e maio de 2026, foram lançadas 129 mil habitações de interesse social e de mercado popular em São Paulo, o que representa 67,4% do total de lançamentos residenciais no período, segundo dados do Secovi-SP.

As investigações causaram um “rebuliço” no mercado imobiliário da capital, dizem fontes do setor, já que a prefeitura editou uma série de decretos desde 2024 reforçando restrições. Entre as regras estão a exibição de placas amarelas em frente às obras de novos edifícios, informando quando há unidades HIS e HMP, e essas informações também precisam estar nos panfletos e sites dos empreendimentos.

Os cartórios de registro de imóveis passaram a incluir nas matrículas as classificações das unidades e a comunicar à prefeitura sempre que o comprador não comprovar que sua renda se enquadra nas regras.

 

 

 

 

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Fim do Patrimonialismo? O Real Motivo para o Mercado Privilegiar Companhias com Imóveis em Fundos Imobiliários

Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.

Entre os anos 1980 e 1990, o paradigma do mercado era patrimonialista, e eventualmente algumas companhias listadas em bolsa tinham valor de mercado avaliado em um patamar menor do que o seu total de imóveis somados. Há anos, essa lógica se inverteu, e o mercado premia quem tem maior capacidade de gerar caixa e receita recorrente em detrimento de quem tem um portfólio robusto de imóveis. A predileção é pelas companhias que adotam um modelo asset light. A transição está em curso para alguns setores e foi concluída em outros.

Mesmo para incorporadoras tradicionais, os negócios têm seguido uma lógica análoga.

Anteriormente, o modelo privilegiava uma estrutura com capital intensivo, calcada na compra de terrenos, caixa imobilizado em landbanks, construção e uma geração de caixa ao fim do ciclo.

Com uma Selic em alta e um ambiente macroeconômico mais tempestuoso, o mercado frisou ainda mais a máxima de que dinheiro vale mais hoje do que amanhã.

Como exemplo, a Direcional passou a adotar uma estratégia de comprar terrenos por permuta — modelo em que o dono da área recebe unidades ou participação no empreendimento em vez de dinheiro.

No primeiro trimestre deste ano, o landbank da empresa alcançou um Valor Geral de Vendas (VGV) potencial de R$ 60 bilhões, e 87% do custo de aquisição dos terrenos foi negociado por permuta. Na prática, isso significa que a empresa continua expandindo seu banco de terrenos sem precisar desembolsar grandes volumes de caixa, mantendo mais recursos disponíveis para novos lançamentos e investimentos.

Afora isso, a eficiência fiscal dos fundos imobiliários (FIIs) — que caíram nas graças das empresas de properties — também se mostrou uma grande vantagem competitiva.

Empresas como JHSF (JHSF3), São Carlos (SCAR3) e Cyrela (CYRE3) têm estruturado seus veículos próprios para migrar para um modelo mais asset light.

“Os fundos imobiliários são muito eficientes fiscalmente. Eles não pagam nenhum tributo internamente, nem imposto, nem o futuro IVA. O investidor dele também é isento… então, para o investidor, é muito eficiente”, comenta Carlos Martins, sócio e gestor de fundos imobiliários da Kinea, que tem mais de R$ 150 bilhões em ativos sob gestão.

“Você seleciona os ativos mais maduros e encapsula em um FII, assim libera capital. Só que a empresa que é dona continua gerindo o fundo, então ela continua com as receitas da gestão e ela pode pegar esse capital e devolver para o investidor ou fazer projetos Greenfield. Tem um investidor do outro lado que quer aquela renda mais estável, mas que também quer ela isenta. Então eu acho que esse é um caminho natural”, completa, em entrevista à Forbes.

Rodrigo Abbud, sócio e Head de Real Estate do Patria Investimentos, endossa a tese e ainda cita o aumento de transparência aos investidores.

“O instrumento de fundo imobiliário se provou ser o mais eficiente para você ser proprietário de imóveis. Melhor do que a Property Company, do que uma holding; é algo mais transparente, mais claro. Então, ao longo desses últimos anos, as empresas que eram de properties começaram a entender os benefícios de migrar para FIIs”, diz, em entrevista à Forbes.

“Os investidores começaram a questionar o porquê de correr o risco de uma empresa alavancada, sem ter um SG&A [Despesas de Vendas, Gerais e Administrativas] transparente e claro. Quanto que a empresa gasta de SG&A? Não sei, quanto ela quiser. O Fundo Imobiliário está ali, é possível olhar a taxa, quanto se gasta”, conclui.

Por fim, cita que esse contexto aumentou a fatia de investidores institucionais nos FIIs — anteriormente uma indústria dominada por pessoas físicas.

“Há cinco anos atrás, a proporção era de mais de 90% de pessoas físicas. Hoje nós já estamos quase em uma proporção de 70% de pessoas físicas e 30% de institucionais.”

JHSF e São Carlos são casos emblemáticos de predileção por modelo asset light

Como exemplo, a São Carlos Empreendimentos foi montada como subsidiária ao fim da década de 1980 por Carlos Alberto Sicupira após ele, em conjunto com Lemann e Telles, constatarem que o valuation dos imóveis da Americanas superava o da varejista em bolsa.

Nos últimos anos, a empresa passou por momentos de intenso desconto, valendo uma fatia do valor patrimonial dos imóveis — com descontos que ultrapassaram os 70% em termos de net asset value (NAV).

Hoje, a empresa abandona as diretrizes de “proprietária pura”, que ficou cada vez mais ineficiente com a Selic alta e outras variáveis econômicas. Assim, a companhia decidiu transferir os ativos para Fundos Imobiliários (FIIs) e entrar como sócia nesses ativos. Na prática, saiu de uma empresa tradicional de properties para uma gestora.

Em junho de 2025, a empresa remodelou 19 ativos da divisão Best Center, de strip malls — totalizando 45 mil m² de área bruta locável (ABL) — em parceria com a gestora TG Core Asset.

Em novembro do mesmo ano, vendeu oito torres de escritórios ao fundo SC JiveMauá por R$ 837 milhões.

Outro exemplo de companhia que também faz a transição é a JHSF, que tem alterado suas diretrizes de negócio nos últimos anos.

A empresa construiu sua reputação incorporando imóveis de luxo — Fazenda Boa Vista, Reserva Cidade Jardim, São Paulo Surf Club — e operava simultaneamente shoppings, hotéis Fasano e o Aeroporto Catarina. Assim, incorporação e renda recorrente dividiam o mesmo balanço. Agora, a companhia prefere focar suas energias na segunda via.

Com isso, estruturou a JHSF Capital ao fim de 2022 e tem feito transações bilionárias de ativos.

Em dezembro de 2025, a empresa teve seu principal marco nesse movimento de transição ao transferir R$ 5,235 bilhões em estoques imobiliários para o JHSF Capital Desenvolvimento FII, fundo estruturado em parceria com XP, Itaú BBA e Bradesco BBI.

O portfólio reúne ativos de empreendimentos como Boa Vista Village, Boa Vista Estates, Reserva Cidade Jardim e São Paulo Surf Club Residences.

O movimento, assim, permite à empresa antecipar a monetização desses projetos sem abrir mão da gestão de seu ecossistema de alto padrão.

Além disso, a operação injetou R$ 3,9 bilhões em caixa e zerou a dívida líquida da JHSF.

“O mercado privilegia mais as empresas com renda recorrente do que quem tem um ativo em si. Esse movimento tem acontecido ao longo do tempo, por parte da JHSF”, disse uma fonte a par do tema em entrevista à Forbes.

“Não foi uma mudança de modelo, vimos que já era um desejo da empresa há algum tempo, por isso que a empresa criou a gestora. A gestora trouxe uma base de capitais mais diversificada, que era o grande objetivo da JHSF. Isso permitiu alguns investidores e clientes acessarem projetos específicos”, completa.

Atualmente, a JHSF Capital tem R$ 12 bilhões de ativos sob gestão (AuM, na sigla em inglês), na esteira dos negócios robustos com fundos imobiliários recém estruturados.

Segundo Bruno Mendonça, do Bradesco BBI, esse panorama muda a forma como o mercado deve enxergar a empresa.

“Acreditamos que a JHSF deve ser vista cada vez mais pelo mercado como operadora proprietária de propriedades de renda (Shoppings, Hotelaria e Gastronomia, Aeroporto, Locações e Clubes, Capital), e não como incorporadora residencial, com a qualidade do fluxo de caixa convergindo para patamares mais próximos das plataformas de shoppings e propriedades”, diz.

MRV e o desinvestimento massivo

Em junho, a MRV (MRVE3) avançou na venda de empreendimentos da Resia, movimento que figura como maior desinvestimento imobiliário de uma companhia brasileira.

Anteriormente, a empresa havia apostado na internacionalização como rota de diversificação ao adquirir a AHS Residential em 2020, rebatizando-a de Resia, uma empresa que opera no modelo de multifamily residences — construindo apartamentos para locação e venda para REITs americanos.

Agora, a empresa colocou a Resia em um plano rígido de desinvestimento para vender US$ 800 milhões em ativos até o fim deste ano.

No acumulado do ano anterior, a companhia reportou prejuízo de US$ 243 milhões e uma dívida acumulada de US$ 695 milhões — números que fizeram o mercado pressionar a empresa por mudanças estruturais.

“A venda ocorre em um contexto de juros elevados nos Estados Unidos e com ativos ainda não totalmente maduros, ou seja, com rentabilidade abaixo do potencial. Apesar de uma perda contábil de aproximadamente 26% em relação ao valor registrado no balanço, a companhia destaca que a transação antecipa os benefícios de redução da alavancagem”, observam os analistas da XP sobre o movimento.

Após a venda, resta apenas um projeto legado da Resia (Memorial), avaliado em US$ 109 milhões, cuja venda também é esperada ainda em 2026. Outros ativos, como Golden Glades e North City, devem gerar lucro na alienação.

“Vemos a transação como positiva do ponto de vista de crédito, ainda que realizada com desconto contábil, por reforçar um dos principais vetores de desalavancagem da MRV no curto prazo. A desalavancagem da MRV depende de forma relevante da venda desses ativos, o que torna anúncios como este um passo importante na direção de redução de risco e melhora da estrutura de capital”, pontua a XP sobre a decisão da companhia.

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Sotheby’s Revela o Que Compradores de Alta Renda Buscam de Wellness nos Imóveis

Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.

A busca por longevidade e wellness entre os mais ricos do mundo atravessa milênios de história, mas também está totalmente alinhada aos tempos atuais.

O relatório 2026 Mid-Year Luxury Outlook, da Sotheby’s International Realty, revela quais prioridades orientam hoje os compradores de imóveis de alto padrão na escolha de suas comunidades e residências.

Segundo o estudo, o mercado global da longevidade deve crescer de US$ 5,3 trilhões (cerca de R$ 27,03 trilhões) para US$ 8 trilhões (cerca de R$ 40,8 trilhões) até 2030.

Um dos principais segmentos é formado por compradores mais velhos que alcançaram sucesso profissional e financeiro e agora estão prontos para aproveitar plenamente esses benefícios, com mais tempo para lazer.

A. Bradley Nelson, diretor de marketing da Sotheby’s, observa no relatório que diferentes perfis estão ingressando no mercado de luxo, desde integrantes da Geração Z na faixa dos 20 anos até baby boomers com mais de 60 anos.

Saúde, bem-estar e estilo de vida continuam sendo prioridades em todas as faixas etárias, incluindo o desejo de manter conexões sociais”, afirma.

Critérios relacionados à localização

Além das características das residências, empreendimentos e comunidades voltados à longevidade estão ganhando espaço e diferem, em muitos aspectos, dos tradicionais condomínios destinados à terceira idade, aponta o relatório.

Esses empreendimentos de alto padrão vêm incorporando cada vez mais profissionais de saúde no próprio local, programas de wellness e estruturas voltadas à medicina preventiva. (Abordei essa tendência em 2024 para a publicação especializada Multi-Housing News, quando o modelo de medicina concierge dentro dos empreendimentos começava a ganhar força.)

Outro fator que influencia muitos compradores mais velhos é o conceito das Blue Zones. O lema do projeto — “Live Better, Longer”— reflete o objetivo compartilhado por grande parte da população idosa.

As Blue Zones são comunidades ao redor do mundo com uma concentração acima da média de pessoas centenárias.

Segundo o relatório, suas principais características coincidem com as preferências dos compradores de imóveis de luxo: bairros caminháveis, forte interação social, acesso à natureza, oferta de alimentos saudáveis produzidos localmente e um planejamento urbano voltado para a convivência comunitária.

Os compradores de alta renda interessados em wellness também buscam comodidades voltadas ao lazer e à saúde, como aulas de ioga, spinning e pilates dentro do condomínio, piscinas para imersão em água fria, salas de spa com sal, academias e proximidade com áreas naturais.

Critérios relacionados ao envelhecimento

Os compradores de imóveis mais ricos do mundo continuam envelhecendo e estão construindo ou adquirindo residências adaptadas às necessidades e preferências dessa fase da vida, destaca o relatório.

“Muitos compradores na faixa dos 50 anos, 60 anos e 70 anos não estão reduzindo o tamanho da casa nem se mudando para residenciais destinados à terceira idade”, afirma Anna Sherrill, da ONE Sotheby’s International Realty, em Miami.

“Em vez disso, eles estão comprando ou permanecendo em imóveis que lhes permitam viver bem por muito tempo.” Segundo ela, saúde, longevidade e qualidade de vida passaram a ser os principais critérios de compra.

A ideia de que proprietários de imóveis de luxo inevitavelmente migrariam para condomínios de alto padrão voltados à aposentadoria ou ao público sênior já não é mais uma certeza, aponta o estudo.

Cada vez mais, esses proprietários preferem modernizar ou adaptar suas residências atuais para atender às necessidades que surgem com o envelhecimento, em vez de mudar de endereço.

Eu sou um desses casos. Quando decidi vender minha casa após o divórcio para comprar um imóvel definitivo, escolhi uma residência unifamiliar na mesma comunidade caminhável de San Diego onde moro há mais de uma década. (Ela reúne muitas das características e comodidades citadas anteriormente.)

Estou tornando minha nova casa o mais segura e acessível possível para uma vida independente, com persianas inteligentes, fechadura eletrônica, termostato inteligente, detectores de vazamento e substituição de alguns equipamentos, como a instalação planejada de uma lareira elétrica no lugar do modelo a gás existente.

Também optei por um fogão de indução com um pequeno forno superior, que permite seu uso sentado, caso isso seja necessário futuramente, além de uma coifa equipada com controle remoto e funcionamento por aplicativo.

O relatório mostra que muitos compradores de alta renda agora procuram ambientes que contribuam de forma proativa para sua saúde, resiliência e wellness no longo prazo. Entre as principais características desejadas estão:

  1. Elementos de design universal que garantam acessibilidade conforme a mobilidade diminui ao longo do tempo, incluindo preferência por casas térreas e banheiros sem desníveis ou degraus
  2. Contato direto com áreas externas, como trilhas para caminhada dentro da propriedade, incentivo à prática regular de exercícios e valorização da privacidade e de ambientes silenciosos, especialmente com vista para a água
  3. Sistemas avançados para otimização da qualidade do ar e da água, incluindo tecnologias de filtragem
  4. Estruturas semelhantes às de spas, com sauna, banho de vapor, piscinas para imersão em água fria, terapia com luz vermelha, salas de massagem e academias totalmente equipadas
  5. Tecnologia integrada e equipes de apoio voltadas ao monitoramento da saúde, assistência à mobilidade e dispositivos de casa inteligente
  6. Opções de alimentação saudável, como bares de sucos e acesso a chefs particulares, com foco em produtos orgânicos e refeições à base de vegetais

“O aumento da expectativa de vida, aliado ao desejo dos compradores de alta renda de envelhecerem em suas próprias casas, está transformando desde o projeto das residências e a escolha da localização até a dinâmica da oferta nos principais mercados imobiliários de luxo”, afirma Tammy Fahmi, vice-presidente sênior da Sotheby’s International Realty.

Segundo ela, proprietários de alta renda que vivem por mais tempo vão priorizar residências capazes de prolongar a vida independente, com projetos voltados à prevenção de quedas, iluminação que acompanha o ritmo circadiano, sistemas para melhorar a qualidade do ar e da água e soluções integradas de telemedicina.

“Imóveis que combinam design adaptado ao envelhecimento com tecnologias sofisticadas de bem-estar terão um valor superior ao de propriedades de luxo comparáveis que não ofereçam esses recursos. Casas com suítes no pavimento principal, estrutura preparada para instalação de elevadores, superfícies antiderrapantes, sistemas inteligentes de monitoramento, dependências para funcionários e espaços dedicados ao bem-estar serão negociadas com prêmio”, afirma.

Últimas considerações

O crescimento do número de milionários em idade avançada está remodelando o mercado imobiliário, conclui o estudo da Sotheby’s. Compradores de alta renda estão criando novos modelos de aposentadoria à medida que vivem cada vez mais após o encerramento de suas carreiras corporativas.

“Na era da longevidade, o mercado imobiliário de luxo deixou de ser apenas sobre onde você mora, passando a ser também sobre quão bem e por quanto tempo é possível viver nesse lugar”, conclui Fahmi.

Reportagem publicada originalmente em Forbes.com

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Os Erros e Acertos Invisíveis do Uso de Inteligência Artificial, da Construção à Compra de Imóveis

Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.

Com um uso bem menos óbvio do que os demais setores, a Inteligência Artificial (IA) permeia o mercado imobiliário, da incorporação às decisões de compra — das quais a segunda é justamente a parte que reúne o principal impacto.

Já se tem usado IA para melhorar tarefas rotineiras em empresas do ramo, para aprimorar realidade aumentada e visitas virtuais, no entanto, nos negócios de compra e venda (ou locação) as ferramentas de IA têm mostrado os números mais substanciais, positiva e negativamente.

O impacto, além disso, é bidirecional.

Assim como as companhias têm usado IA para melhorar processos e vender ou locar mais, os consumidores também têm usado os chatbots como conselheiros — o que pode dar muito certo ou muito errado.

Em junho, o corretor imobiliário Ryan Serhant, CEO e fundador da Serhant, declarou que um dos seus clientes quase desistiu de uma compra de uma cobertura de US$ 50 milhões (R$ 254 milhões) porque o ChatGPT havia dito que era cara demais. Como contragolpe, a imobiliária fez a mesma pergunta à IA, com o viés diferente (perguntando se a cobertura era muito barata, em vez de muito cara), e obteve outra resposta.

Em contrapartida, ferramentas bem desenhadas têm reduzido a fricção entre os compradores e locadores e eventualmente ampliado liquidez.

Felipe Buchbinder, Doutor em Administração pela FGV EBAPE e Mestre em Ciência de Dados pela Universidade de Duke, avalia que o setor imobiliário possui grande aplicabilidade de IA e pode ser um dos mais promissores, dependendo do modo que as ferramentas são usadas.

Além disso, frisa que o processo de compra não necessariamente será automatizado.

“Uma das estatísticas mais interessantes que eu vi sobre esse tema mostra que apenas 1% dos clientes compram imóvel se a única experiência que se tem é via Inteligência Artificial. Apenas 1% compra sem visitar o imóvel fisicamente”, diz, ressaltando que a figura do corretor de imóveis ainda é essencial.

O QuintoAndar, que já usa IA há anos, pisou no acelerador com o tema — e sustenta uma tese semelhante.

Investimentos bilionários

Conforme noticiado pela Forbes, na segunda quinzena de junho, o QuintoAndar anunciou um Capex da ordem de R$ 2 bilhões direcionados à tecnologia e Inteligência Artificial.

O CEO, Gabriel Braga, frisou que a visão é de que os corretores devem continuar, e que a produtividade dos mesmos tende a subir com as novidades.

“Com a IA, o corretor já é dez vezes mais produtivo. Com um assistente virtual, no futuro, isso vai ainda mais além. Inteligência Artificial vai turbinar muito mais o corretor do que substituí-lo”, disse, à época do anúncio.

O executivo ainda defendeu que o retorno deverá ocasionar um aumento substancial de liquidez, com mais negócios sendo fechados.

“A Inteligência Artificial junta as peças do quebra-cabeça e faz o mercado girar mais rápido”, diz.

“Hoje 80% do nosso código já é feito com IA, a produtividade dos engenheiros está de 3 a 5 vezes maior, e a velocidade com que lançamos novas features e melhoramos os produtos acelerou e vai acelerar nos próximos tempos (…) não tenho muita dúvida sobre o retorno desse investimento.”

A empresa usa uma ferramenta chamada de Pagamento Garantido, que assegura ao proprietário o recebimento do aluguel em dia, mesmo que o inquilino atrase ou deixe de pagar, enquanto a empresa gerencia a cobrança.

Para isso, os modelos usam IA e big data para cruzar 85 milhões de dados na análise de crédito dos inquilinos.

Com dez anos de uso, a ferramenta atingiu neste mês de julho a cifra de R$ 788 milhões pagos a proprietários em aluguéis atrasados. Hoje, o benefício protege mais de 350 mil contratos ativos.

“Começamos a investir em modelos Machine Learning que aprendiam com dados do nosso próprio histórico, adotando técnicas avançadas de estatística para lidar com as transformações no perfil dos clientes e com a expansão da plataforma. De 2021 para cá, a precisão dos nossos modelos dobrou”, diz Emiliano Castro, Cientista de Dados Principal no QuintoAndar.

O grande case da Zillow

Assim como outras tecnologias e ferramentas, a Inteligência Artificial também tem um track record mais extenso em solo americano — e por aqui replicamos e fazemos algo que já foi feito anteriormente.

No segmento imobiliário, um dos cases mais emblemáticos e relevantes é da Zillow, uma empresa que já viveu altos e baixos ao usar IA nas operações e hoje adota uma estrutura com times dedicados de cientistas aplicados, engenheiros de machine learning e líderes de produto reunidos em uma organização unificada de IA.

A companhia foi fundada em fevereiro de 2006 por ex-executivos da Microsoft e cofundadores da Expedia, em Seattle. A companhia, na prática, é uma empresa de marketplace de imóveis residenciais que conecta compradores, vendedores, locatários e financiadores.

A empresa é listada na Nasdaq desde meados de 2011 e tem valor de mercado de US$ 7,15 bilhões, tendo gerado mais de US$ 2,58 bilhões em receita no ano passado.

Para evitar vieses discriminatórios no setor imobiliário, a gigante americana Zillow submete todos os seus novos produtos de Inteligência Artificial a um conselho dedicado de IA Ética antes do lançamento
Getty ImagesPara evitar vieses discriminatórios no setor imobiliário, a gigante americana Zillow submete todos os seus novos produtos de Inteligência Artificial a um conselho dedicado de IA Ética antes do lançamento

A IA esteve presente nos negócios da companhia desde o início. Isso, dado que o uso de IA para empresas vem desde muito antes do advento dos chatbots — que por sua vez só chegaram às grandes massas em um passado recente.

O Zestimate foi a ferramenta lançada pela empresa já em 2006, e proporcionou aos consumidores obter uma estimativa instantânea e gratuita do valor de um imóvel pela primeira vez.

Nos anos seguintes, o modelo foi alimentado por registros de impostos, dados de cartórios e listagens de corretoras. A taxa de erro mediana caiu de 14% nos primeiros anos para cerca de 4,5% ao longo de uma década.

Mais de duas décadas depois, a empresa teve sua principal aposta em Inteligência Artificial, e também seu principal fracasso.

Em 2018, a empresa expandiu para o negócio de iBuying com o lançamento do Zillow Offers, usando algoritmos de machine learning para comprar e revender imóveis diretamente. Na prática, a Inteligência Artificial dava o veredito sobre uma transação.

A meta da empresa era de gerar US$ 20 bilhões em receita anual em três a cinco anos, apostando no Zestimate como vantagem competitiva no mercado de iBuying.

O modelo funcionava razoavelmente em mercados estáveis, mas colapsou quando o boom pandêmico do mercado imobiliário americano tornou as oscilações de preço imprevisíveis.

Em 2021, a Zillow dobrou as compras de imóveis do primeiro para o segundo trimestre, e dobrou novamente do segundo para o terceiro — e chegou a registrar uma perda líquida de US$ 28 mil por imóvel no segundo trimestre de 2021, mesmo em um mercado com valorização de dois dígitos, enquanto concorrentes como Opendoor e Offerpad registravam pequenos lucros.

Após prejuízos de US$ 421 milhões no negócio de iBuying apenas no terceiro trimestre de 2021, a empresa encerrou a operação.

“O Zillow Offers foi uma iniciativa criada para solucionar um problema real dos clientes e ajudou a esclarecer onde a Zillow gera mais valor para seus usuários. Há muito tempo utilizamos tecnologia — incluindo inteligência artificial — para apoiar compradores, vendedores e corretores, e esse continua sendo nosso foco”, diz Claire Carroll, porta-voz da Zillow, à Forbes.

Segundo a especialista, o principal aprendizado foi que a Zillow gera mais valor ao ajudar as pessoas a tomar decisões mais bem informadas durante toda a jornada imobiliária.

Após o colapso do Zillow Offers, a empresa redirecionou sua estratégia de IA para software e experiência do usuário. No mesmo ano, lançou o Neural Zestimate, substituindo cerca de mil algoritmos locais por um modelo unificado em deep learning que reduziu a margem de erro para 6,9% em imóveis fora do mercado e 1,9% em listagens ativas. Em 2022 e 2023, vieram o ShowingTime+ (plataforma integrada para corretores), o Zillow Showcase (listagens premium com plantas interativas e IA) e a aquisição do Follow Up Boss por US$ 400 milhões, CRM com IA para agentes imobiliários.

Em 2025, lançou o Zillow Pro, suíte unificada com automação de leads via “Smart Messages” e “AI Summaries”, e disponibilizou o ChatGPT para todos os funcionários — o que resultou na criação interna de mais de 4,6 mil agentes de IA via plataforma Glean.

Como fazer IA errar menos — e como IA pode aumentar liquidez

Carroll, questionada sobre como a companhia garante que a Inteligência Artificial forneça orientações precisas e confiáveis, minimizando vieses, diz que a abordagem parte do princípio de que o mercado imobiliário é altamente regulado e baseado em confiança.

“Isso significa que uma Inteligência Artificial responsável não pode ser tratada apenas como uma camada de conformidade aplicada ao final do processo. Ela precisa ser incorporada ao produto desde sua concepção”, diz.

“Todos os produtos de Inteligência Artificial passam por diversas etapas de revisão antes de serem disponibilizados aos clientes, incluindo análises conduzidas por nossa equipe dedicada de IA Ética, orientada pelos princípios públicos de IA da Zillow: justiça, segurança e responsabilidade, transparência e inclusão”, adiciona.

Depois do lançamento, a companhia segue avaliando os resultados em aspectos como segurança, precisão, conformidade com a legislação de habitação justa (Fair Housing) e outros requisitos regulatórios.

Para reduzir vieses a empresa usa uma ferramenta de código aberto que recentemente foi aprimorada para identificar também qual tipo de viés pode estar presente. O sistema analisa tanto as perguntas feitas pelos usuários quanto as respostas geradas pela IA para evitar direcionamentos discriminatórios ou outros resultados inadequados.

Sobre o potencial gerado com IA, a visão da empresa é de um otimismo cauteloso.

A tese é de que a IA tem potencial significativo para aumentar a eficiência do mercado imobiliário ao reduzir os atritos existentes, e dado que o setor ainda é bastante fragmentado, com muitas etapas desconectadas, excesso de incertezas e inúmeros obstáculos.

No entanto, a gestão vê na IA um atalho para simplificar os processos e facilitar a compreensão dos diferentes cenários.

“Seríamos cautelosos, porém, ao afirmar que a IA, sozinha, resolve os problemas de liquidez do mercado imobiliário. As condições gerais do setor continuam dependendo de fatores como oferta de imóveis, acessibilidade e taxas de juros. Ainda assim, acreditamos que a IA pode tornar mais eficiente a conexão entre as pessoas, acelerar a transição entre interesse e ação e permitir que negociações que normalmente ficariam paralisadas avancem”, diz Carroll.

“Reduzimos custos em até 10%”

Vinicius Bosi Nonato é ex-CEO do IGTI, faculdade adquirida pela XP Inc, e hoje toca a GetHome, que usa IA para sanar uma das principais dores do mercado: a disparidade entre as expectativas e o custo real de uma obra.

Na média, é usual que os donos de imóveis e terrenos tenham surpresas negativas na contabilidade dos gastos com uma construção ou reforma. A construtech propõe, então, aumentar a previsibilidade; na prática, o cliente consegue andar pela casa (virtualmente), escolher os itens e materiais que quer, e ver o preço dinâmico em tempo real, com base nos dados extraídos de marketplace.

Com foco na previsibilidade, a plataforma da GetHome permite que os clientes caminhem virtualmente pelas casas e escolham os materiais enquanto visualizam os preços dinâmicos em tempo real, baseados em dados de marketplace
GetHomeCom foco na previsibilidade, a plataforma da GetHome permite que os clientes caminhem virtualmente pelas casas e escolham os materiais enquanto visualizam os preços dinâmicos em tempo real, baseados em dados de marketplace

“Se você pedir preço fechado para a incorporadora, muitas vezes ela vai dobrar o preço, vai precisar ter aquela gordura por tomar o risco, então precisávamos ter preços competitivos”, diz Nonato em entrevista à Forbes.

A companhia também compra o material e executa a obra, fornecendo mão de obra, comprando os produtos diretamente com o fornecedor.

O cliente, por sua vez, paga mensalmente conforme o andamento da obra, levando em consideração a curva de execução. Se a obra atrasar, o cliente não paga e sofre aumento de custos.

Para provar que a ferramenta era eficiente, a companhia seguiu a filosofia do skin in the game.

“O modelo [de IA] evoluiu à medida que fomos adicionando mais parâmetros. Tivemos que construir nosso histórico de dados. Conforme o tempo passa, o modelo aprende as variações. Há um ponto que compartilhamos com o cliente: a parcela mensal é corrigida pelo INCC. Isso é mais difícil para nós, porque o preço acaba aumentando. Se o modelo indicar que a correção será de 7% e eu fizer um ajuste, seria difícil justificar essa mudança, e queremos mostrar que existe economia”, conta o fundador da GetHome.

“Hoje, o cliente sabe que o valor das parcelas restantes da obra vai variar conforme o INCC. Eu sei disso, mas ele não sabia. Na IA, um dos grandes desafios é a transparência. Em um primeiro momento, o cliente olhava o orçamento e dizia que estava caro. Então abrimos completamente a planilha de custos, com todos os quantitativos. Não é um preço fechado e escondido: mostramos tudo, linha por linha, com todos os números da planilha”, conclui.

IA é sinônimo de hiperpersonalização

Em solo mineiro, a Morada.ai cresceu usando IA para atender clientes e, hoje, defende a hiperpersonalização como vantagem competitiva.

Na prática, a companhia aposta que os ajustes de método proporcionados pelos modelos são suficientes para atar os nós soltos.

A empresa desenvolve agentes de IA e uma plataforma que automatiza e integra toda a jornada comercial de incorporadoras, atendendo gigantes como MRV, Direcional e várias outras.

“Em uma conversa com IA no WhatsApp, temos uma capacidade de adaptação que é bem grande. Descobrimos que uma certa faixa da população gosta mais de áudios, então colocamos a IA para além de compreender áudio recebido, também enviar áudio. Outra parte se relaciona melhor com vídeo, e então usamos IA para isso”, conta Ramon Azevedo, cofundador e CEO da startup.

O executivo conta que, nas mais de três milhões de conversas processadas e R$ 15 bilhões em Valor Geral de Vendas (VGV) movimentados via plataforma, estão desde o Minha Casa Minha Vida (MCMV) aos imóveis de luxo.

“Quando falamos do segmento econômico, ela [IA] apoia o cliente tirando dúvidas sobre o imóvel, financiamento, formas de pagamento e parcelamento. Nesse público, grande parte das dúvidas está relacionada à questão financeira”, conta.

“No médio e alto padrão, as funcionalidades ajudam a convencer o cliente de que aquele empreendimento é a melhor opção. O tipo de funcionalidade varia de acordo com o público-alvo. A tecnologia se adapta a esse perfil, ajusta a conversa e direciona o cliente para os recursos mais adequados, como, por exemplo, a simulação de financiamento”, completa.

Os grandes desafios (gerais e específicos)

Felipe Buchbinder, da FGV-EBAPE, destaca que o uso de IA no setor imobiliário tem desafios próprios, mas obviamente está dentro do escopo dos desafios da IA como um todo.

“O risco de viés é algo bem documentado na literatura de redes neurais, acontece em saúde, em políticas públicas, urbanas, é um risco também para o setor imobiliário (…) A IA vai reproduzir o que viu na sociedade, com as coisas ruins e boas”, observa.

Além disso, frisa que a adaptação permanente é necessária — especialmente em um contexto de mercado, como é o caso do setor imobiliário, com panoramas cujas variáveis mudam constantemente e os preços são voláteis.

“É muito comum que você faz um modelo de IA e ele está funcionando muito bem, mas quando vai ao mercado ele vai piorando ao longo do tempo. Um dos motivos é que a realidade muda. A pior coisa que se pode fazer é criar um modelo de IA e deixar ele lá sozinho. Tem que ter alguém observando o modelo e controlando a qualidade das respostas.”

Por fim, destaca que o que separa os usos e ferramentas que deram certo das que deram errado se resume em boas práticas e uma abordagem que não seja açodada.

“Uma pesquisa do MIT mostra que 95% dos projetos de IA dão errado. Qual a diferença dos 5% que dão certo? Eles definiram processos, governança, capacitaram o pessoal antes de usar IA.”

Um olhar para o futuro

A Zillow, que esteve na vanguarda do uso de IA no ramo, espera que a IA dê passos largos nos próximos anos, em um horizonte de curto a médio prazo.

Questionada sobre o tema, Carroll, da empresa americana, sinaliza que espera que a IA no setor imobiliário evolua além da assistência baseada em conversas para sistemas mais orientados e agênticos, capazes de ajudar as pessoas a agir ao longo de várias etapas da jornada imobiliária.

“Para os consumidores, isso significará experiências mais personalizadas e conversacionais, capazes de compreender o contexto ao longo do tempo, explicar melhor as vantagens e desvantagens de cada decisão e auxiliar em etapas práticas, como planejamento financeiro, comparação de imóveis, agendamento de visitas e preparação para conversas com profissionais do setor”, diz.

“Para os profissionais, os avanços mais relevantes no curto prazo devem ocorrer na automação de fluxos de trabalho e no suporte à tomada de decisões”, completa.

Como conclusão, defende que no setor imobiliário e em todos os demais, as empresas vencedoras “serão aquelas que fizerem mais do que simplesmente adicionar IA a um mecanismo de busca”.

“A próxima fase pertence às plataformas capazes de combinar dados especializados, fluxos completos de transação, mecanismos robustos de segurança e suporte humano confiável em uma única experiência integrada.”

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Inadimplência do aluguel recua em junho, mas pequenos negócios seguem sob pressão

aluguel no Brasil recuou ligeiramente 0,02 ponto percentual em junho comparado a maio, fechando o mês em 3,20%, mas o movimento foi insuficiente para retirar a pressão sobre os pequenos negócios desde o início do ano, conforme dados do Índice de Inadimplência Locatícia (IIL), da Superlógica. Na comparação com junho de 2025, quando o indicador era de 3,59%, a redução foi mais expressiva, de 0,39 ponto percentual.

Embora o indicador permaneça controlado, os dados revelam que a pressão financeira continua, especialmente entre pequenos negócios instalados em imóveis comerciais de menor valor e famílias de menor renda. “A oscilação observada nos últimos meses é pequena e revela estabilidade, principalmente diante do cenário econômico atual. Mas é importante acompanhar indicadores como juros e inflação, que podem alterar essa trajetória ao longo de 2026”, afirma o diretor de Negócios para Imobiliárias do Grupo Superlógica, Manoel Gonçalves.

Segmento de maior inadimplência

O levantamento mostra que os imóveis comerciais com aluguel de até R$ 1.000 continuam concentrando a maior taxa de inadimplência do mercado, com 7,40%, mais que o dobro da média nacional. Entre os imóveis residenciais da mesma faixa de preço, o índice também é o mais elevado da categoria, atingindo 6,27%.

Segundo Gonçalves, o resultado reflete a maior vulnerabilidade financeira dos pequenos empreendedores e das famílias de menor renda. “Os aluguéis mais baixos acabam sendo mais sensíveis ao cenário econômico. No caso dos imóveis comerciais, eles são ocupados principalmente por micro e pequenas empresas, que enfrentam dificuldades com crédito caro e menor ritmo da atividade econômica. Já no mercado residencial, o impacto está relacionado ao aumento do custo de vida das famílias”, explica o diretor

No sentido oposto, os menores índices de inadimplência foram registrados entre os imóveis residenciais com aluguel entre R$ 3 mil e R$ 5 mil, com 1,68%, e nos imóveis comerciais entre R$ 2 mil e R$ 3 mil, que encerraram junho em 3,36%.

Outro dado que se destaca é o comportamento dos imóveis de maior valor. Os aluguéis acima de R$ 13 mil aparecem como a segunda faixa com maior inadimplência tanto no mercado residencial quanto no comercial. Em junho, o índice ficou em 5,42% para imóveis residenciais e 4,63% para os comerciais, apesar da redução registrada em relação ao mês anterior.

Segundo a Superlógica, essa faixa reúne principalmente empresários, comerciantes e empreendedores que, apesar da renda mais elevada, continuam sendo impactados pelo ambiente de juros altos, crédito mais caro e menor dinamismo da economia.

“Esse público costuma possuir renda familiar significativamente superior ao valor do aluguel, mas também está exposto ao aumento da carga tributária, ao enfraquecimento da atividade econômica e ao elevado custo do crédito. Enquanto esse cenário persistir, a inadimplência tende a permanecer elevada nesse segmento”, afirma Gonçalves.

Imóveis comerciais

Na análise por tipo de imóvel, os comerciais continuam apresentando o maior índice de inadimplência, embora tenham registrado recuo em junho. O segmento fechou o mês com 4,19%, contra 4,39% em maio.

Entre as residências, a inadimplência em casas caiu de 3,69% para 3,45%, enquanto os apartamentos passaram de 2,35% para 2,16%, mantendo o menor índice entre todas as categorias analisadas.

Leia Mais: Aluguel acumula alta de 5,24% no semestre e segue pressionando orçamento

Nordeste mantém liderança

Regionalmente, o Nordeste continua concentrando a maior taxa de inadimplência do país, com 5,15%, apesar da redução de 0,24 ponto percentual em relação ao mês anterior. Em seguida aparecem o Norte, com 4,30%, e o Centro-Oeste, única região a registrar alta em junho, passando de 2,85% para 3%. O Sudeste reduziu o índice para 2,96%, enquanto o Sul permaneceu com a menor inadimplência do país, encerrando o período em 2,71%, mesmo com leve alta frente a maio.

Na avaliação da Superlógica, o comportamento do índice mostra que o mercado de locação continua relativamente resiliente, mas ainda convive com bolsões de maior vulnerabilidade financeira. O principal sinal de alerta permanece concentrado nos imóveis comerciais de menor valor, segmento mais dependente da saúde financeira de micro e pequenas empresas e, por isso, mais sensível ao ambiente de juros elevados e crédito restrito.

Onde a inadimplência é maior?

Por tipo de imóvel

  • Comercial: 4,19%
  • Casa: 3,45%
  • Apartamento: 2,16%

Por faixa de aluguel

  • Comercial até R$ 1.000: 7,40%
  • Residencial até R$ 1.000: 6,27%
  • Residencial de R$ 3 mil a R$ 5 mil: 1,68% (menor índice)

Por região

  1. Nordeste: 5,15%
  2. Centro-Oeste: 3,00%
  3. Norte: 4,30%
  4. Sudeste: 2,96%
  5. Sul: 2,71%

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Preço pedido por escritórios bate recorde em SP e vacância atinge mínima histórica

O mercado de escritórios de alto padrão em São Paulo segue aquecido. Levantamento da consultoria Binswanger Brazil mostra que o preço médio pedido para locação atingiu R$ 138,20 por metro quadrado, o maior patamar da série histórica da empresa, enquanto a taxa de vacância recuou para 12,1%, a menor já registrada.

Segundo a consultoria, o avanço dos preços ocorre em meio ao fortalecimento da demanda por lajes corporativas, impulsionada pela ampliação do trabalho presencial e pela expansão de empresas que voltaram a buscar novos espaços para operação.

Na avaliação da sócia-diretora da Binswanger Brazil, Simone Santos, o cenário também reflete uma oferta limitada de novos empreendimentos de alto padrão. “O cenário é de oferta futura limitada e comprometida de escritórios dos padrões A e A+”, afirma.

O estudo aponta que, além da demanda aquecida, a escassez de novos ativos contribui para sustentar a valorização dos imóveis corporativos na capital paulista.

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Itaim/JK lidera preços entre as regiões

Entre as regiões analisadas, Itaim/JK apresentou o maior preço médio pedido para locação, de R$ 311 por metro quadrado.

Na sequência aparecem Faria Lima, com média de R$ 302 por metro quadrado, e Jardins, com R$ 229 por metro quadrado.

Considerando as grandes regiões da cidade, a Zona Centralizada registrou preço médio de R$ 225,60 por metro quadrado, o maior nível desde 2015. Já na Zona Descentralizada, a média ficou em R$ 88,61 por metro quadrado.

Os dados reforçam a concentração da demanda nas regiões consideradas mais consolidadas do mercado corporativo, onde a disponibilidade de escritórios permanece restrita.

Absorção supera novo estoque e reduz vacância

No segundo trimestre, a absorção líquida — indicador que mede a diferença entre áreas locadas e devolvidas — alcançou 86 mil metros quadrados, superando o volume de 64 mil metros quadrados de novo estoque entregue ao mercado.

Com isso, a taxa de vacância consolidada caiu para 12,1%, a menor da série histórica da Binswanger.

Nas áreas mais valorizadas da cidade, a disponibilidade é ainda menor. A Zona Centralizada encerrou o período com vacância de 8,3%, enquanto a Zona Descentralizada registrou índice de 16,6%.

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