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Mercado Imobiliário de Luxo Bate Recorde e Move R$ 52,2 Bilhões

Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.

O mercado imobiliário residencial de luxo e superluxo encerrou 2025 com recordes históricos nas capitais brasileiras. Foram vendidas 10.607 unidades acima de R$ 2 milhões, que movimentaram R$ 52,2 bilhões nas capitais, alta de 35% em relação a 2024. O volume equivale a 29,4% de todo o valor negociado no mercado residencial.

Do lado da oferta, as incorporadoras também aceleraram: 11.696 novas unidades foram lançadas, com potencial de vendas de R$ 58 bilhões, alta de 36% em relação ao ano anterior, patamar nunca antes alcançado.

Os dados são de um estudo inédito da Brain Inteligência Estratégica e obtido com exclusividade pela Forbes Brasil. Eles mostram que o desempenho deste mercado em todas as capitais do país foi muito superior à média geral, que avançou 13%.

São considerados imóveis de luxo e superluxo aqueles com valores acima de R$ 2 milhões. Com isso, quando se analisa o volume total de vendas nas capitais, de 282.996 unidades em todas as faixas de preço, os 10.607 imóveis comercializados com valores acima desse corte de R$ 2 milhões representam apenas 3,75% do total. Em número de unidades, portanto, trata-se de um mercado de nicho.

Entretanto, quando se observa os R$ 52,2 bilhões que essas unidades geraram em vendas, a fotografia muda completamente, já que a quantia equivale a 29,4% de todo o valor negociado no mercado residencial brasileiro no ano passado, de R$ 177,7 bilhões.

Essa participação do luxo e superluxo nunca foi tão grande, tendo em vista que em 2024 haviam sido vendidas 9.053 unidades de alto padrão, que representaram 3,6% do total do mercado. “O momento atual do mercado de luxo é de recordes em todos os aspectos: lançamento, venda, preço, quantidade e distribuição geográfica”, analisa o economista Fábio Araújo, CEO da Brain.

Sudeste, motor do desempenho

Longe de dependerem de financiamentos bancários convencionais, os compradores desses imóveis, muitas vezes empresários e executivos, veem os juros altos jogarem a seu favor, segundo o economista. Com capital alocado em investimentos de alta rentabilidade e lucros recentes em seus próprios negócios, essa elite financia o luxo à vista ou em prazos curtos.

Isso explica, por exemplo, o desempenho da região Sudeste, fortemente influenciado pelo mercado da cidade de São Paulo, que concentra a maior parte das sedes das grandes empresas brasileiras. “É simplesmente incomparável com qualquer outro mercado”, avalia Araújo.

O estudo indica que foram efetuadas 5.490 vendas de imóveis de luxo e superluxo nas quatro capitais do Sudeste, volume que responde por mais da metade de todo o país. O volume representa alta de 7,5% em relação a 2024. Em seguida aparece o Nordeste, com 1.946 unidades vendidas, 64,5% a mais em relação ao ano anterior. Confira o desempenho de todo país na tabela abaixo.

Florianópolis: a tempestade perfeita

Em imóveis com valores de R$ 2 milhões a R$ 4 milhões, a cidade de Florianópolis (SC) concentra o metro quadrado mais caro, de R$ 22.918, à frente de Belo Horizonte (MG), que aparece em segundo com R$ 21.615 por metro quadrado.

Porém, quando a faixa de corte sobe, de imóveis acima de R$ 4 milhões, quem assume aponta é capital paulista, com R$ 37.668 por metro quadrado, enquanto o preço na capital catarinense fica em R$ 34.013. Confira abaixo o ranking completo abaixo.

Estimativas do IBGE indicam que a cidade chegou a 587.486 habitantes em 2025, 11 mil a mais do que em 2024. Se comparado com 2022, data de divulgação do último Censo, que registrou 537.211 habitantes, o número sobe para mais de 50 mil, 9,31% a mais.

Ou seja, segundo Araújo, a explicação para os preços inflados em Florianópolis é uma tempestade perfeita: além do intenso crescimento populacional, há extrema falta de terrenos disponíveis, problema comum no mercado, porém, mais intensificado em Florianópolis, que é uma ilha repleta de restrições ambientais.

Nordeste avança no mapa regional

O CEO da Brain afirma ser mito que imóveis luxuosos da costa nordestina sejam destinados apenas para pessoas de outros estados em busca de uma segunda moradia. “ A maior parte das vendas na região atende à demanda da própria elite local por uma primeira moradia sofisticada”, diz.

Nesse cenário, quem mais vem se despontando no mercado de alto padrão é Fortaleza. É o local onde atua a Moura Dubeux, empresa que vem se destacando no mercado de alto padrão na região Nordeste. Em relatório, o Bradesco BBI indica que a empresa é uma das líderes do segmento no Brasil, e que os projetos de luxo e superluxo devem concentrar 70% dos lançamentos deste ano, estimados em aproximadamente R$ 3,5 bilhões.

Em João Pessoa, quem vem fazendo movimento semelhante é a construtora Setai, que vem se firmando como a principal protagonista da verticalização de luxo. Prova disso é o lançamento da primeira torre da Aston Martin, marca eternizada no imaginário global como os carros de James Bond, que escolheu a capital paraibana para o seu primeiro projeto na América do Sul.

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Pesquisa indica em quais capitais vale a pena pagar o IPTU à vista em 2026

Os descontos para quem opta pelo pagamento do IPTU à vista variam significativamente entre as capitais e pode chegar a até 20% em algumas regiões do País. É isso que mostra um estudo realizado pela Conta Comigo Digital, empresa que conecta utilities e o setor público ao sistema bancário.

De acordo com o levantamento, enquanto os moradores de São Paulo (SP) recebem apenas 3% de abatimento no pagamento a vista, em Campo Grande (MS) é de 20%. No entanto, essas vantagens só estão acessíveis se o pagador cumprir algumas condições, como ter quitado débitos anteriores em dia e pagar o IPTU a vista até determinada data.

“Entender essas regras e se organizar para cumpri-las é um passo essencial para começar o ano com mais saúde financeira”, diz Matheus Vasconcelos, cofundador da Conta Comigo Digital. “Quando o contribuinte consegue ter clareza sobre todas as suas contas — impostos e serviços essenciais — fica mais fácil analisar a forma de pagamento mais vantajosa”, comenta.

Vasconcelos afirma que na hora de decidir pelo pagamento a vista ou não, é preciso ter clareza se vale assumir uma dívida para pagar a cota única. “Mesmo que ela tenha desconto, os juros da dívida adquirida para pagá-la dificilmente serão menores”, observa.

“Se você tem o dinheiro e não compromete o orçamento usá-lo, pagar à vista em capitais com 20% de desconto é uma ótima opção, mas quando o desconto é menor e o dinheiro está investido ou precisa ser reservado, parcelar pode ser mais atrativo”, detalha Matheus.

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Estudo mostra que 46% dos síndicos no Brasil são profissionais

Mais de 80 milhões de pessoas moram nos 520 mil condomínios que existem no Brasil. O avanço da verticalização alçou o síndico a um papel de mais protagonismo e profissionalismo no cotidiano das cidades. Um levantamento do Instituto Datafolha para o Grupo Superlógica mostra que 46% dos síndicos já exercem a função de forma profissional – vivendo exclusivamente dela – e 72% dos entrevistados buscaram cursos específicos para se qualificar para a função.

A justificativa para essa proporção é que a gestão condominial é uma tarefa cada vez mais complexa, que exige preparo técnico e visão administrativa. A figura do síndico, antes associada a um morador voluntário, se transformou em profissão.

O levantamento “Perfil do Síndico Brasileiro” mostra que a função é exercida majoritariamente por homens, com 59% do total, enquanto as mulheres representam 41%. A média de idade é de 42 anos e 70% dos síndicos profissionais começaram como moradores voluntários, conciliando a função com outra fonte de renda, antes de torná-la atividade principal.

Para Talita Zampieri, CMO do grupo, os dados reforçam a tendência de comportamento quanto à profissionalização da função. “Antes, a figura do síndico era associada a um morador voluntário, que trabalhava, durante o dia, em uma função diferente. Hoje, com essa profissão em ascensão, notamos que cada vez mais pessoas que iniciam nesse formato acabam transformando essa atividade em sua carreira principal”, analisa.

A pesquisa também aponta diferenças na atuação do síndico profissional e orgânico. O síndico profissional administra, em média, oito condomínios, o que equivale a mais de 750 unidades, e dedica cerca de 32 horas semanais para a função. Já os moradores sem profissionalização cuidam de um ou dois condomínios, somando cerca de 103 apartamentos, com dedicação média de 19 horas semanais.

Quando questionados sobre a tomada de decisões, 67% dos entrevistados disseram ser os únicos responsáveis pelas resoluções financeiras do prédio. Para auxiliá-los nessa gestão, 74% dos síndicos respondentes usam alguma plataforma de gestão. Entre as funcionalidades mais utilizadas estão ‘prestação de contas’, ‘boletos’ e ‘lançamento de despesas’.

A comunicação com os condôminos combina canais tradicionais, como murais, comunicados impressos e assembleias presenciais, com meios digitais, como aplicativos de gestão condominial, WhatsApp, e-mail e redes sociais. Para se manter informados, os síndicos recorrem principalmente ao Google (93%), seguido por YouTube (74%) e Instagram (67%).

Sobre a pesquisa

O levantamento Perfil do Síndico Brasileiro foi realizado por meio de entrevistas individuais com abordagens mistas tanto online como presenciais. A coleta dos dados foi feita pelo Instituto Datafolha com 350 respondentes de todas as regiões do Brasil.

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Mais de 450 imóveis do Bradesco, Santander e Itaú Unibanco vão a leilão em outubro

A Zuk, empresa de leilões de imóveis, anunciou três leilões com mais de 450 imóveis residenciais, comerciais e terrenos espalhados por todo o Brasil. As propriedades são oriundas de parcerias com os bancos Bradesco, Santander e Itaú Unibanco.

Os leilões acontecem em diversas datas ao longo do mês e contam com descontos que podem chegar a 87%.

No leilão em parceria com o Itaú Unibanco, que ocorre no dia 8 de outubro, serão disponibilizados mais de 135 imóveis distribuídos em vários estados brasileiros. Os descontos chegam a 59%, e os valores variam de R$ 54 mil por um apartamento em Campos dos Goytacazes (RJ), com 47 m², até R$ 1 milhão por um apartamento em São Paulo (SP), com 545 m². O destaque é uma casa em Cruzeiro (SP), avaliada em R$ 700 mil, com 59% de desconto.

Já o leilão com o Bradesco oferece mais de 90 imóveis, com eventos principais nos dias 14, 15 e 22 de outubro.

Os lotes incluem imóveis residenciais, comerciais e terrenos, com preços que vão de R$ 56 mil, por uma casa em Autazes (AM), até R$ 7 milhões, por um prédio comercial em Bragança Paulista (SP). O maior desconto, de 85%, está em uma casa de R$ 130 mil em Serranópolis (GO). As condições de pagamento variam entre quitação à vista com 10% de desconto ou parcelamento em até 48 vezes.

No dia 14 de outubro, a Zuk realiza também o leilão em parceria com o Santander, o maior evento do mês, com 240 imóveis disponíveis. As ofertas estão distribuídas por quase todos os estados brasileiros e os descontos chegam a 87%. Os valores variam de R$ 28 mil, por uma casa em Ceará Mirim (RN), até R$ 2 milhões, por um imóvel em Dourados (MS). O maior desconto é uma casa em Rosário do Sul (RS), avaliada em R$ 100 mil, com 300 m².

Para participar de qualquer um dos leilões, basta se cadastrar no Portal Zuk, acessar o edital do lote desejado e fazer a oferta online. As condições de pagamento variam entre quitação à vista com 10% de desconto ou parcelamento em até 48 vezes.

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Cobertura mais alta da América Latina está à venda por R$ 125 milhões

Com pé-direito duplo, 1.060 metros quadrados, vista panorâmica para o mar, seis suítes, piscina privativa e academia equipada, a cobertura mais alta da América Latina foi colocada à venda em Balneário Camboriú (SC). Vizinho ao imóvel adquirido pelo jogador Neymar, o quadriplex está à venda por R$ 125 milhões.

A cobertura ocupa parte do 80º andar da Torre II do Yachthouse by Pininfarina, edifício com 294,1 metros de altura. “O imóvel oferece uma vista 360° para o mar e para a cidade, além de acabamentos premium, como pedras nobres, pisos e portas com isolamento acústico”, comenta o corretor Bruno Cassola.

Segundo ele, o imóvel é um dos mais exclusivos do Brasil. “Ao todo, são 22 elevadores de ultravelocidade que permitem que os moradores cheguem ao topo do edifício em menos de 50 segundos. Além das 10 vagas de garagem, o comprador também poderá ter acesso ao apartamento por ar via heliponto ou por água, já que o prédio está ao lado de uma marina”, comenta.

Com um design assinado pela renomada grife de design italiana Pininfarina, o empreendimento ainda disponibiliza uma área de lazer de 10 mil m², que inclui piscinas ao ar livre aquecidas e um restaurante exclusivo para os moradores.

Desenvolvido pela construtora Pasqualotto&GT, o empreendimento possui cinco tipologias de apartamentos e abriga duas unidades por andar.

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24% dos condomínios no Brasil têm pets, mas menos de 1% possuem áreas para animais

Um levantamento da uCondo, empresa especializada em gestão condominial, mostra que 24% dos condomínios brasileiros contam com moradores que têm animais de estimação. No entanto, menos de 1% dos prédios possui áreas específicas dedicadas aos pets, como parques ou espaços de convivência.

Para Léo Mack, Cofundador e Diretor de Operações da uCondo, o número reforma a importância de incluir os animais no planejamento e gestão do condomínio.

“O uso de áreas comuns pelos animais é o terceiro motivo de mais reclamações dos moradores. Criar um espaço pet evita o uso indevido de jardins ou parquinhos para crianças, e neste caso é também uma questão de segurança para elas. Isso contribui para a boa convivência entre os moradores”, sugere.

Entre os principais motivos de reclamações envolvendo animais de estimação, o barulho lidera a lista, com 45% das queixas. Em seguida, aparecem problemas relacionados à higiene (28%), ao uso inadequado das áreas comuns (18%) e, por fim, ao comportamento dos pets (8%).

Segundo Léo, essas ocorrências podem ser reduzidas se houver um regulamento interno do condomínio que trate da presença dos animais com equilíbrio, que concilie o direito de ter animais com orientações práticas para o uso compartilhado dos espaços, com regras claras e realistas.

Animais mais comuns

A partir de uma base de dados que contabilizou mais de 37 mil animais, o estudo também aponta que os cachorros são a maioria entre os pets nos condomínios, correspondendo a 66% do total. Em seguida aparecem gatos (31%). Os 3% restantes incluem aves (1,6%), coelhos (0,4%), roedores (0,4%) e outros animais (0,6%).

“Neste ano apresentamos também uma curiosidade: encontramos um ouriço e três cabras registrados nos condomínios”, comenta Léo.

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Patriani planeja testar robôs humanoides em obras a partir de 2026

Para enfrentar a escassez de mão de obra, a incorporadora Patriani anunciou que começará a testar robôs humanoides em seus canteiros de obras até o fim de 2026. A expectativa é que as máquinas assumam tarefas pesadas e repetitivas, como carregar materiais e executar trabalhos de risco.

“Não vamos substituir pessoas, mas está cada vez mais difícil encontrar profissionais que topem realizar serviços brutos da construção”, explica Valter Patriani, sócio-fundador da construtora. O anúncio foi feito em um painel do Construsummit 2025, evento que reúne mais de 2 mil executivos do mercado imobiliário para debater o presente e o futuro do setor no País.

A Patriani ainda não revelou qual empresa está por trás da tecnologia, mas afirma que o investimento será de 30 mil dólares na compra de cada robô. Segundo Valter, trata-se de uma companhia internacional que iniciará os testes locais ainda neste semestre. “Depois disso, precisaremos adaptar os robôs às condições de trabalho e ao terreno brasileiro”, explica. 

Futuro dos canteiros de obra

Parece ficção científica, mas a ideia de empregar robôs humanoides aos canteiros de obra não é exatamente nova. A empresa de robótica Boston Dynamics, por exemplo, desenvolveu o Atlas, um robô que está sendo projetado para realizar tarefas de força, como as exigidas na construção civil – e que já foi criticado por quebrar regras de segurança

Fora da construção, o uso de robôs está mais avançado. A Amazon, por exemplo, já utiliza máquinas em seus centros de distribuição e iniciou testes com robôs para entregas nos Estados Unidos. 

Para Guilherme de Assis Brasil, CTO da empresa de tecnologia Softplan, a adoção de robôs humanoides na construção ainda está distante. “Existem drones e máquinas que executam funções importantes no setor, mas mesmo no exterior, ainda não há exemplos expressivos do uso de robôs humanoides em canteiros de obras”, afirma.

+ Ex-presidente da CVC, Valter Patriani vende imóvel ‘como se fosse viagem’

“O setor imobiliário apresenta mais dificuldades do que a indústria convencional. Enquanto os ambientes na indústria são pré-determinados e planos, os canteiros são muito diversos e têm dinâmicas desafiadoras”, ilustra o executivo, que segue otimista sobre o movimento. “É impossível prever o tempo que vai demorar, mas é realista projetar os primeiros testes para os próximos dois anos”, comenta.

A grande contradição, segundo Guilherme, é em relação à eficiência do formato. “Parece fácil pensar que se um ser humano consegue carregar uma caixa, um robô humanoide também faria isso. Entretanto, podem existir modelos mais eficientes, como braços robóticos ou drones”, exemplifica. 

Tecnologia como bússola

Ideia distante ou plano imediato, a iniciativa representa a continuidade de um plano da Patriani de dar à tecnologia um papel de protagonista nos projetos. Apesar disso, o fundador da construtora diz entender que os robôs não terão uma adaptação fácil. 

+ A crise da mão de obra no mercado imobiliário

“O plano é que os robôs possam se adaptar ao terreno brasileiro nas nossas obras. Começaremos os testes com dois robôs em 2026, mas até eles serem totalmente eficientes pode demorar alguns anos”, antecipa. 

“Eu escolhi não construir via Minha Casa, Minha Vida justamente porque queria implementar tecnologias nas obras, mas sem abrir mão do lucro”, brinca Valter/ Crédito: Agência J. Somensi | Divulgação Construsummit

Fundada há 13 anos, a Patriani se especializou em desenvolver imóveis para pessoas com mais de 40 anos e uma das estratégias para impactar este perfil é justamente a adoção de inovações. “Nossos empreendimentos contam com fazenda solar, geradores mais completos, ventilação cruzada e carregadores para carros elétricos”, exemplifica Bruno Patriani, presidente e herdeiro da construtora. 

“Esta geração é a última totalmente analógica e que agora vive em um mundo totalmente novo. Queremos que os imóveis continuem modernos para daqui a 30 ou 40 anos”, diz Bruno. 

O repórter viajou ao Construsummit 2025 à convite da Sienge

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Apesar dos juros altos, mercado imobiliário tem motivos para estar otimista, diz diretor da Abrainc

Um mercado imobiliário saudável engloba emprego, renda e juros baixos, segundo o cálculo de Renato Lomonaco, diretor de assuntos econômicos e administrativos da Abrainc. Com a taxa Selic estabilizada em 14,25% ao ano, o Brasil não é hoje um exemplo para o mundo, mas o setor apresenta um otimismo sustentado por outros fatores. 

Um estudo da Sienge aponta que 76% dos empresários do segmento pretendem realizar novos investimentos em 2025. Segundo Lomonaco, esta confiança é impulsionada por fatores macroeconômicos, como os bons números de exportação, o crescimento da bolsa brasileira em relação à norte-americana e a diminuição do desemprego – que chegou a menor taxa trimestral desde 2012.

“O desemprego caiu quase pela metade desde 2021 e este é um critério de vendas importante”, ilustra o executivo. “Quando a economia brasileira está bem é porque a construção empurra. Já quando a economia vai mal, o mercado imobiliário sofre mais”, acrescenta. Além dos fatores macroeconômicos, ele destaca a resiliência do próprio setor. 

Desde março de 2023, os imóveis valorizaram 10,7%, de acordo com o Índice Geral do Mercado Imobiliário Residencial (IGMI-R). Em contraste, os custos de construção subiram 7,3%, segundo o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC). O custo do aluguel também cresce acima da inflação, o que beneficia os investidores interessados na renda da locação. 

De fato, o aluguel registrou alta de 63,6% desde 2020, enquanto a inflação subiu 33,5% no mesmo período. “A valorização dos imóveis é atrativa para os compradores e o avanço no preço do aluguel expulsa os locatários. A isso se soma o boom demográfico. Ou seja, observamos uma demanda crescente por imóveis no Brasil”, comenta Lomonaco. 

Desafio dos juros na média renda

Com o desemprego em baixa, a valorização imobiliária em alta e os preços do aluguel incentivando a compra, o maior desafio do setor, segundo Lomonaco, são os juros. “Se a gente tivesse juros mais baixos, a emissão de CRIs seria maior”, exemplifica. “No entanto, se a empresa conseguir administrar bem este desafio, consegue aproveitar melhor o setor”, contrapõe. 

Fabrício Schveitzer, conselheiro de negócios do Sienge, entende que o desafio dos juros é mais significativo para a classe média. “A alta renda é imune aos juros altos e a baixa renda conta como subsídios, como os do Minha Casa, Minha Vida. Já a classe média é composta de assalariados e sofre bastante com o impacto dos juros, que é brutal sobre as parcelas”.

“Apesar de ter lugares muito pujantes para o segmento, como regiões ligadas ao agro, estamos observando uma desaceleração e sinais de cansaço nas vendas de imóveis de classe média. Vemos um sinal amarelo do setor”, argumenta. “À medida que não vemos sinais de arrefecimento da inflação, a Selic alta começa a fazer pequenas rachaduras no mercado imobiliário”, aponta.

O repórter viajou ao Construsummit 2025 à convite da Sienge

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Desafios pressionam construção civil a adotar tecnologia e novos modelos de gestão, diz executivo

Apesar do crescimento apresentado pelo mercado imobiliário brasileiro nos últimos anos, o setor enfrenta um momento crítico, entende Cristiano Gregorius, diretor executivo da Softplan. “Os modelos vigentes de gestão são insuficientes para lidar com o atual cenário”, alerta o executivo, ao afirmar que o setor nunca esteve tão sensível a fatores como a macroeconomia e mudanças tecnológicas. 

Durante o painel de abertura do Construsummit 2025, Gregorius disse, diante dos desafios que se apresentam para o setor, é necessário implementar inovações em toda a jornada de incorporação. O evento, que acontece nos dias 4 e 5 de junho em Florianópolis (SC), deve reunir mais de 2 mil pessoas ao promover debates sobre o presente e o futuro do mercado imobiliário. 

Para Gregorius, o encontro de grandes players é importante porque o setor vive um momento de inflexão. Da dificuldade de acesso ao crédito subsidiado à diminuição na velocidade de crescimento da população, passando por juros altos e alto custo da cadeira de suprimento, as construtoras precisam adotar novas tecnologias e transformar os modelos de gestão. 

“A indústria da construção nunca foi impactada por tantos fatores externos de forma simultânea e de maneira tão profunda”, comenta. 

+ A crise da mão de obra no mercado imobiliário

Entre os principais desafios do setor, ele enumera, estão a inflação persistente, a escassez da mão de obra, o funding imobiliário, a reforma tributária e a mudança no perfil de compra da população. “O envelhecimento dos brasileiros coincide com a chegada de uma nova geração de compradores, que consomem imóveis de uma nova forma”, ilustra. 

Símbolos do futuro

Ao mesmo tempo que a construção civil se vê encaixotada por tantos desafios, Gregorius afirma que também nunca houve tantas ferramentas para enfrentá-los. “Entre 2002 e 2024, a indústria da construção brasileira cresceu cerca de 5 vezes. O crescimento representa uma evolução enorme, mas há espaço para ganho de eficiência. E isso passa pela adoção de tecnologias”, antecipa.  

O futuro que as incorporadoras antecipavam, ele entende, já começou. Porém, muitas delas ainda não perceberam porque estão presas à rotina do cotidiano da operação.  

“É um momento de transição entre tudo o que construímos como base das nossas empresas e esta nova fase, em que o uso estratégico de tecnologias como a inteligência artificial se torna fundamental. Essa jornada vai transformar todos os negócios imobiliários nas próximas décadas”, diz. 

O repórter viajou ao Construsummit 2025 à convite da Sienge

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IA na construção: brasileiro ex-OpenAI aponta caminhos para o setor

De diferencial tecnológico a pilar fundamental, a inteligência artificial agora precisa estar integrada à estrutura das empresas que atuam no mercado imobiliário, diz Magno Maciel, brasileiro que atuou na equipe de pesquisa do OpenAI, empresa que criou o ChatGPT, e cofundador da fintech Serafin. A perspectiva do executivo é que a ferramenta deve se consolidar como um alicerce do setor. 

Em painel do Construssumit 2025, evento que reunirá incorporadores e players do mercado imobiliário nesta semana, o especialista observa que a inteligência artificial faz cada vez mais parte do cotidiano das empresas. “Estamos começando a nos acostumar com a IA e a incorporá-la no nosso dia a dia, mas ainda distante do ideal”, comenta Maciel. 

+ Fim do corretor de imóveis? Inteligência artificial revoluciona profissão e gera dúvidas

De fato, dados divulgados pela própria OpenAI em 2023 indicavam que 92% das empresas Fortune 500 usavam produtos da empresa; e uma pesquisa global da Mckinsey revelou que 79% dos entrevistados relataram ter tido algum contato com ferramentas de IA generativa até 2023.

“A IA não é uma modinha, é um fenômeno transacional”, defende o especialista. 

Falhas na utilização

Porém, Maciel acredita que as empresas do mercado imobiliário ainda não estão empregando a IA de maneira eficiente. Isto porque grande parte dos profissionais só incorporam o ChatGPT no final de um longo processo de desenvolvimento dos projetos. 

“Eles pedem para corrigir um texto, elaborar um e-mail ou preparar a apresentação do empreendimento”, exemplifica. “Isso é como acionar o profissional mais qualificado apenas na última etapa. Antes disso, ele poderia ter ajudado no planejamento, execução, análises, processos, reuniões e nas validações”. 

Modelos práticos de uso

Enquanto as empresas debatem como a adoção de IA pode impulsionar negócios e aumentar o faturamento, Maciel defende que existem três modelos básicos que as empresas podem se apoiar nesta jornada de transformação: 

1. Passageiro (observador)

“Neste formato, a inteligência artificial é uma observadora. Ela é convidada a acompanhar o que está sendo feito, sem interferir nos processos”, explica. “A IA pode ajudar na revisão de projetos, no feedback de reuniões e na proposição de ideias, mas sem envolvimento nas decisões”. 

2. Co-piloto (colaboração ativa)

“Agora a IA exerce um papel de colaboração ativa. Ela atua no suporte e na execução de tarefas de rotina, além de tomadas de decisão”, diz. “Pode ser útil na triagem de fornecedores e em sintetizar dados de uma obra, por exemplo”. 

3. Piloto automático (controle autônomo)

“A tecnologia assume um papel de gerenciamento, atuando na execução de processos e tomando decisões em tempo real”, explica. “A IA pode contribuir com a aprovação de crédito, geração autônoma de cronogramas, atendimento ao cliente e liberação automática de ativos contratuais”.

O repórter viajou ao Construsummit 2025 à convite da Sienge